“NOVOS
SABERES E VIVÊNCIAS NA CULTURA PÓS-MASSIVA”.
REFLEXÕES SOBRE OS TEXTOS:
1. CIBERCULTURA COMO TERRITÓRIO. André Lemos.
2. CIBERCULTURA: UM NOVO SABER OU
UMA NOVA VIVÊNCIA? Elizabeth
Saad Corrêa.
Toda cultura é híbrida. Baseada nessa
premissa onde a cada período do desenvolvimento humano, temos interações dos
elementos nos aspectos produtivos, religiosos ou artísticos, criando
possibilidades de recombinações (reconfigurações), sendo essa dinâmica, a
criadora de novos conceitos que durante certo tempo ditarão as relações e
interações dos seres vivos, como o que está acontecendo atualmente.
Diante da nova realidade que se impõe à sociedade contemporânea com o advento da comunicação eletrônico-digital, e a inegável contribuição desse fenômeno para a revolução na comunicação de massa, possibilitando um alcance nunca visto em outra área do conhecimento ou da vivência humana, no que diz respeito à democratização das informações e da possibilidade de que uma grande parte da população mundial tenha condições de “on line”: saber, conhecer, informar, participar, criar, etc., fatos que mostrem à interação social desses atores, essa dinâmica, vem sendo chamada por alguns autores de “cibercultura”.
O que caracteriza a cibercultura é a grande possibilidade de o indivíduo ter a condição de ser ao mesmo tempo receptor, numa visão mais tradicional da cultura massiva e ser emissor numa cultura pós-massiva, ou seja, sendo um ator nesse grande palco mundial em que todos nós atuamos.
As redes digitais permitem que qualquer cidadão interaja de forma direta e a produção de qualquer informação em qualquer formato, seja, através de textos, fotos, mensagens, sons, imagens, criação de fóruns, comunidades, etc., mostra o poder das comunicações chamadas midiáticas.
Todas essas possibilidades mostram o quanto os veículos de comunicação de massa por anos represaram: o conteúdo, a forma, a interação, a periodicidade, o local, o modo de como podíamos interagir com todas essas possibilidades de comunicação e cultura.
Os blogs, podcasts, softwares livres e
celulares, estão aí como produtos dessa nova tecnologia eletrônico-digital,
contribuindo para disseminar informações, produções e ao mesmo tempo, nos
mostrando em tempo real os acontecimentos mundiais em qualquer parte do
planeta.
E aqui reproduzo uma parte do texto que
merece considerações especiais:
“Uma nova economia política parece tomar forma: produção é liberação da emissão e consumo é conexão, circulação, distribuição”.
“Esse
é mesmo um traço característico da cibercultura: o uso das redes e tecnologias
de comunicação e informação para a criação de vínculos sociais locais,
comunitários e mesmo planetários. O princípio de emissão está acoplado assim ao
princípio de conexão generalizada de troca de informação. E isso será rico em
consequências”.
Uma dessas consequências é a forma como os profissionais do marketing que
adotaram a cibercultura como ferramenta de criação, produção e comercialização
de seus produtos, influem, decisivamente nas comunidades locais, e planetárias.
E como ficam os meios de comunicação
tradicionais massivos (jornais, rádios, tv’s), diante da nova configuração das
possibilidades?
Os mesmos deverão se adequar a nova
realidade, se reconfigurar diante desse novo perfil, se aliar as novas
práticas, hoje temos os jornais com perfil “on line”, com blogs, rádios usando
podcasts, tv’s interativas, possibilitando acesso à internet, portanto, os
tradicionais veículos massivos estão também usando cada vez mais essa
cibercultura.
No campo do controle da autoria
aparecem sistemas alternativos ao copyright, o copyleft, é um sistema aberto no
mecanismo legal de recombinação.
Uma das grandes consequências da
cibercultura é a criação do conceito de “desterritorialização”, onde as
fronteiras físicas e espaciais de um país perde sua noção, pois, podemos estar
em qualquer lugar do globo terrestre em contato com indivíduos de outras
nações, outras culturas, vivenciando suas experiências de vida, suas
singularidades, tendo conhecimento do seu modusvivendi, essa em minha opinião,
é a grande contribuição da cibercultura.
Será possível algum dia com a
cibercultura reconhecermos que somos uma única espécie humana, livre de seus
preconceitos de raça, religião, cultura, sistemas políticos etc.?
“A imersão
intelectual impõe aos indivíduos a construção de novos conhecimentos e saberes;
e a imersão nas aplicações, no uso dos aparatos e no exercício das trocas
hipermediáticas reflete naturalmente a vivência. Portanto, estamos diante de
uma relação – saber/vivência – quase que indissolúvel se levarmos em conta o
máximo de ambiência digital. E a questão que emerge como foco desta reflexão é
exatamente a velocidade de mutação associada ao saber/vivência, determinada por
variáveis como inovação tecnológica, e predomínio de uma economia de fluxos
globais”.
É claro para que todos esses avanços
sejam vivenciados é necessário que haja uma devida preparação intelectual e
prática em virtude do grande número de aparatos disponíveis atualmente, bem
como, um acompanhamento das diversas linguagens e termos usados no cotidiano da
cibercultura. A velocidade como esses processos são vivenciados requer uma
grande adaptabilidade às mudanças nos indivíduo, que se levarmos em conta o
pouco tempo de surgimento desses novos paradigmas, trazem desconforto para os
nascidos antes do surgimento dessas novas mídias interacionais.
É claro que toda essa cibercultura
inserida no ciberespaço pressupõe uma existência autorregulada, em constantes
revisões. Há necessidade de regras próprias consensuadas entre os diversos
autores e usuários, respeitando-se a pluralidade de contextos, os projetos
societários e, acima de tudo, a liberdade de manifestação do pensamento.




