terça-feira, 27 de março de 2012

Professora Bonilla e demais colegas: socializo minhas reflexões.

“NOVOS SABERES E VIVÊNCIAS NA CULTURA PÓS-MASSIVA”.
REFLEXÕES SOBRE OS TEXTOS:

1. CIBERCULTURA COMO TERRITÓRIO. André Lemos.

2. CIBERCULTURA: UM NOVO SABER OU UMA NOVA VIVÊNCIA? Elizabeth Saad Corrêa.

Toda cultura é híbrida. Baseada nessa premissa onde a cada período do desenvolvimento humano, temos interações dos elementos nos aspectos produtivos, religiosos ou artísticos, criando possibilidades de recombinações (reconfigurações), sendo essa dinâmica, a criadora de novos conceitos que durante certo tempo ditarão as relações e interações dos seres vivos, como o que está acontecendo atualmente.

Diante da nova realidade que se impõe à sociedade contemporânea com o advento da comunicação eletrônico-digital, e a inegável contribuição desse fenômeno para a revolução na comunicação de massa, possibilitando um alcance nunca visto em outra área do conhecimento ou da vivência humana, no que diz respeito à democratização das informações e da possibilidade de que uma grande parte da população mundial tenha condições de “on line”: saber, conhecer, informar, participar, criar, etc., fatos que mostrem à interação social desses atores, essa dinâmica, vem sendo chamada por alguns autores de “cibercultura”.

O que caracteriza a cibercultura é a grande possibilidade de o indivíduo ter a condição de ser ao mesmo tempo receptor, numa visão mais tradicional da cultura massiva e ser emissor numa cultura pós-massiva, ou seja, sendo um ator nesse grande palco mundial em que todos nós atuamos.

As redes digitais permitem que qualquer cidadão interaja de forma direta e a produção de qualquer informação em qualquer formato, seja, através de textos, fotos, mensagens, sons, imagens, criação de fóruns, comunidades, etc., mostra o poder das comunicações chamadas midiáticas.

Todas essas possibilidades mostram o quanto os veículos de comunicação de massa por anos represaram: o conteúdo, a forma, a interação, a periodicidade, o local, o modo de como podíamos interagir com todas essas possibilidades de comunicação e cultura.
Os blogs, podcasts, softwares livres e celulares, estão aí como produtos dessa nova tecnologia eletrônico-digital, contribuindo para disseminar informações, produções e ao mesmo tempo, nos mostrando em tempo real os acontecimentos mundiais em qualquer parte do planeta.
 A produção da cibercultura deve ser conectada e compartilhada em rede telemática, para que seu alcance seja mundial. Como exemplo temos a internet, que atualmente é uma das práticas mais utilizada dessa nova comunicação pós-massiva.
E aqui reproduzo uma parte do texto que merece considerações especiais:

“Uma nova economia política parece tomar forma: produção é liberação da emissão e consumo é conexão, circulação, distribuição”.
“Esse é mesmo um traço característico da cibercultura: o uso das redes e tecnologias de comunicação e informação para a criação de vínculos sociais locais, comunitários e mesmo planetários. O princípio de emissão está acoplado assim ao princípio de conexão generalizada de troca de informação. E isso será rico em consequências”.
Uma dessas consequências é a forma  como os profissionais do marketing que adotaram a cibercultura como ferramenta de criação, produção e comercialização de seus produtos, influem, decisivamente nas comunidades locais, e planetárias.
E como ficam os meios de comunicação tradicionais massivos (jornais, rádios, tv’s), diante da nova configuração das possibilidades?
Os mesmos deverão se adequar a nova realidade, se reconfigurar diante desse novo perfil, se aliar as novas práticas, hoje temos os jornais com perfil “on line”, com blogs, rádios usando podcasts, tv’s interativas, possibilitando acesso à internet, portanto, os tradicionais veículos massivos estão também usando cada vez mais essa cibercultura.
No campo do controle da autoria aparecem sistemas alternativos ao copyright, o copyleft, é um sistema aberto no mecanismo legal de recombinação.
Uma das grandes consequências da cibercultura é a criação do conceito de “desterritorialização”, onde as fronteiras físicas e espaciais de um país perde sua noção, pois, podemos estar em qualquer lugar do globo terrestre em contato com indivíduos de outras nações, outras culturas, vivenciando suas experiências de vida, suas singularidades, tendo conhecimento do seu modusvivendi, essa em minha opinião, é a grande contribuição da cibercultura.
Será possível algum dia com a cibercultura reconhecermos que somos uma única espécie humana, livre de seus preconceitos de raça, religião, cultura, sistemas políticos etc.?
 A imersão intelectual impõe aos indivíduos a construção de novos conhecimentos e saberes; e a imersão nas aplicações, no uso dos aparatos e no exercício das trocas hipermediáticas reflete naturalmente a vivência. Portanto, estamos diante de uma relação – saber/vivência – quase que indissolúvel se levarmos em conta o máximo de ambiência digital. E a questão que emerge como foco desta reflexão é exatamente a velocidade de mutação associada ao saber/vivência, determinada por variáveis como inovação tecnológica, e predomínio de uma economia de fluxos globais”.
É claro para que todos esses avanços sejam vivenciados é necessário que haja uma devida preparação intelectual e prática em virtude do grande número de aparatos disponíveis atualmente, bem como, um acompanhamento das diversas linguagens e termos usados no cotidiano da cibercultura. A velocidade como esses processos são vivenciados requer uma grande adaptabilidade às mudanças nos indivíduo, que se levarmos em conta o pouco tempo de surgimento desses novos paradigmas, trazem desconforto para os nascidos antes do surgimento dessas novas mídias interacionais.
É claro que toda essa cibercultura inserida no ciberespaço pressupõe uma existência autorregulada, em constantes revisões. Há necessidade de regras próprias consensuadas entre os diversos autores e usuários, respeitando-se a pluralidade de contextos, os projetos societários e, acima de tudo, a liberdade de manifestação do pensamento.







quarta-feira, 21 de março de 2012

Queridos, segue abaixo a programação das Mostras Cênicas e Didáticas que estou coordenando na Universidade Estadual da Bahia.
Por favor, divulguem.
Beijos,
Carla Carvalho

IV MOSTRA CÊNICA E DIDÁTCA DOS CURSOS DE LICENCIATURA EM ARTES (DANÇA E TEATRO) DA UESB


Saudações estéticas e sertanejas,

Em março e abril de 2012, entre os dias 31 de março e 05 de abril, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) proporcionará à comunidade acadêmica e à população de Jequié a IV Mostra Cênica e Didática dos Cursos de Licenciatura em Artes (Dança e Teatro), através do Programa de Extensão ENGENHO DE COMPOSIÇÃO, sob a coordenação da Professora Carla Carvalho.

Os cursos de Artes (Dança e Teatro) ao final de cada semestre apresentam, GRATUITAMENTE, à comunidade espetáculos cênicos resultantes das disciplinas práticas.
Este semestre serão três espetáculos e outras atividades paralelas, oferecidas GRATUITAMENTE, apresentados durante seis dias no Centro de Cultura de Jequié:
EVENTOS:

SEMINÁRIOS DE CRIAÇÃO:
A Primeira atividade prática do Programa de Extensão Engenho de Composição, são os Seminários de Criação. O evento é preparativo para a IV Mostra Cênica e Didática dos Cursos de Arte da UESB, momento em que será feita a apreciação estética dos trabalhos realizados por alunos e professores do curso.
A programação, coordenada pela professora Carla Carvalho, trabalhará as seguintes apresentações: Ideias de Papel – Mudanças de Planos, às 19 horas, orientada pela professora Adriana Amorim; Tudo que me vem à Mente é Corpo, às 19h40, orientada pela professora Lauana Vilaronga; e Branco do Olho – Dissipando as Névoas do Processo, às 20h20, orientada pelo professor Aroldo Fernandes. Todas elas ocorrerão no dia 21 de março, no auditório CAP 01. Vale a pena conferir!



Data: 21 de Março (QUARTA-FEIRA)
Local: Auditório CAP 01
Atividades: Apreciação estética dos trabalhos cênicos que se encontram em processo de criação pelos discentes e docentes dos cursos de Teatro e Dança da UESB.
Professores orientadores: Profª Adriana Amorim; Profª Lauana Vilaronga e Profº Aroldo Fernandes

"DE PAPEL"
apresentado pela turma do IV Semestre de Teatro
· Data: 31 de Março (Sábado) e 01 (Domingo) de Abril de 2012
· 1° Sessão: 18:00
· 2° Sessão: 20:00
· Local: Centro de Cultura de Jequié
· Orientação: Profª. Adriana Amorim

“TUDO QUE ME VEM À MENTE É CORPO"
apresentado pela turma do III Semestre de Dança
· Data: 02 (segunda) e 03 (terça) de Abril de 2012
· 1° Sessão: 18:00
· 2° Sessão: 20:00
· Local: Centro de Cultura de Jequié
· Orientação: Profª Lauana Vilaronga.


"NO BRANCO DO OLHO"
apresentado pela turma do II Semestre de Teatro e Dança
· Data: 04 (quarta) e 05 (quinta) de Abril de 2012
· 1° Sessão: 18:00
· 2° Sessão: 20:00
· Local: Centro de Cultura de Jequié
· Orientação: Prof. Aroldo Fernandes.

Em paralelo a IV Mostra Cênica, acontecerá em diversos locais do Centro de Cultura (Foyer, Galeria e Sala de Ensaio), entre os dias 31 de março e 01 de abril, o INTERFACES POÉTICAS, que são atividades paralelas realizadas pelos docentes e discentes dos cursos de Teatro e Dança da UESB. Processo de Criação advindos das disciplinas cursadas no semestre 2011.2, nos quais, a aliança entre a produção artística, a fruição estética, o conhecimento científico se encontram-se traduzidos em diversidades poéticas, interfaces humanas e alteridades.

Encaminhe este e-mail aos amigos!!!

Você é bem vindo!!!!
VISITEM NOSSO BLOG: http://engcomposicao.blogspot.com

Realização:
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - Campus Jequié
Departamento de Ciências Humanas e Letras - DCHL
Colegiado de Artes
Pró-Reitoria de Extensão
Gerência de Extensão e Assuntos Comunitários/Jequié
Centro Acadêmico "Papel em Branco?"
Professores ATEADA:
Profa. Ms. Adriana Amorim
Profa. Ms. Carla Meira Pires
Profa. Ms. Flaviana Xavier Sampaio
Prof. Ms. Roberto de Abreu
Prof. Esp. Aroldo Fernandes
Profa. Ms. Lauana Vilaronga
Reitor
Prof. Dr. Paulo Roberto Pinto Santos
Vice Reitor
Prof. Dr. José Luiz Rech
Assessoria Especial da Reitoria
Prof. Dr. Carlos María Pérez
Pró-Reitoria de Extensão
Prof. Ms. Fábio Félix Ferreira
Coordenação de Extensão e Assuntos Culturais
Profa. Msa. Sônia Maria Teixeira de Matos
Departamento de Ciências Humanas e Letras
Prof. Ms. Marcos Salviano Bispo Queiroz
Colegiado de Artes
Prof. Ms. Roberto Ives Abreu Schettini
Prefeitura de Campus
Ivonélia Alcântara Mendonça
Atenciosamente,
Carla Carvalho
Coordenadora do Programa de Extensão Engenho de Composição

Matheus Xavier
______________________________
Presidente do C.A "Papel em Branco?"
Graduando em Lic. em Artes
com Formação em Teatro - UESB
(73)9153-4441
(77)8824-1622
http://tuzzanovodenovo.blogspot.com
tuzza.maiden@hotmail.com




__._,_.___
Atividade nos últimos dias:
SUPEROFERTA HP Probook 4430s
Que tal começar 2012 com um novo namoro?
Conheça os lançamentos de Tablets e os melhores preços. Dê um Zoom!
.

__,_._,___


terça-feira, 20 de março de 2012

Prezados colegas Handherson e Ferdinando:

Segue conteúdo sobre Hipertextualidade para os seminários temáticos. Para que possamos compartilhar nosssas observações a respeito.


A partir das limitações, anseios, contradições inerentes ao processo de impressão e escritura tradicionais, surgiu a necessidade do hipertexto. No entanto, foi com o advento da informática e das telecomunicações que a tecnologia do hipertexto revelou o seu potencial revolucionário. E, atualmente, é a base lógica e conceitual das comunicações mediadas pelo computador, através da internet.

O termo hipertexto foi definido em primeira mão por Ted Nelson, no início dos anos 60, significando uma leitura não sequencial, não linear. Um texto com vários caminhos que permite aos leitores fazer escolhas, e que são melhor lidos numa tela interativa. Popularmente, são concebidos como uma série de pedaços de textos conectados por link que quer dizer "atalho", "caminho" ou "ligação". Através dos links é possível produzir documentos não lineares interconectados com outros documentos ou arquivos a partir de palavras, imagens ou outros objetos. Também conhecidos em português por hiperligações, oferecem ao leitor diferentes trilhas. O ato de navegar ou surfar na Internet possibilita o acesso a uma sequência de links. Estes agregam interatividade no documento. Ao leitor torna-se possível localizar rapidamente conteúdo sobre assuntos específicos. O sistema de hipertexto mais conhecido atualmente é a World Wide Web, no entanto a Internet não é o único suporte onde este modelo de organização da informação e produção textual se manifesta.
A
hipertextualidade se constitui através de textos formados por hipertextos, que como já mencionado acima, tem por característica básica apresentar o texto de forma não linear, ou seja, cada leitor pode seguir por um caminho diferente, pois o texto é constituído por diversos hiperlinks, que faz com que o leitor possa navegar por mundos diversos, aumentando as suas informações. Este sistema global de informação pode incluir não só texto, mas também imagem, animação, vídeo, som, etc., falando-se neste caso de hipermídia. Assim, através do hipertexto “a expressão de uma ideia ou linha de pensamento pode incluir uma rede multidimensional de indicadores apontando para novas formulações ou argumentos, os quais podem ser evocados ou ignorados” (Negroponte, 1995, p. 66).

Os hipertextos podem sem classificados em dois tipos básicos: os "exploratórios" e os "construtivos". A Internet pode ser considerada como o exemplo mais pungente de um hipertexto exploratório, onde vários conjuntos de informações são conectados em uma ampla cadeia de associações. Não é permitido ao usuário participar da construção e/ou alteração de todos os nós da rede. Este tipo de hipertexto comporta, em seu sistema rizomático, a existência de ambientes hipertextuais construtivos.

No hipertexto construtivo, cada usuário participa ativamente da construção do texto, do conjunto das informações dispostas. Pode ou não existir uma hierarquia para a participação de cada usuário, bem como regras de participação. Bons exemplos de hipertextos construtivos são os Muds, jogos virtuais onde cada jogador participa da construção dos personagens e do ambiente da aventura. Também no campo da literatura florescem experiências hipertextuais construtivas onde, escritores e leigos se reúnem da elaboração de uma obra a muitas mãos, numa aventura literária.

Segundo Silva (2003), sociólogo, doutor em educação pela USP, professor da UERJ e da UNESA, na era da interatividade ocorre à transição da lógica da distribuição (transmissão) para a lógica da comunicação (interatividade). Isto significa modificação radical no esquema clássico da informação baseado na ligação unilateral emissor-mensagem-receptor. O emissor não emite mais no sentido que se entende habitualmente, uma mensagem fechada, ele oferece um leque de elementos e possibilidades à manipulação do receptor. A mensagem não é mais “emitida”, não é mais um mundo fechado, paralisado, imutável, intocável, sagrado, ela é um mundo aberto, modificável na medida que responde às solicitações daquele que a consulta. O receptor não está mais em posição de recepção clássica, ele é convidado à livre criação e a mensagem ganha sentido sob sua intervenção.
Desta forma, percebe-se claramente que no mundo digital,
as máquinas somos nós e o espaço da informação não se limita às dimensões do texto tradicional, pois o hipertexto é bastante dinâmico, possibilita uma leitura interativa, deixando até de lado aquela ideia de hierarquia das informações. Em se tratando de hipertexto, Lévy (1993) coloca que:

Com um ou dois cliques, obedecendo por assim dizer ao dedo e ao olho, ele mostra ao leitor uma de suas faces, depois outra, um certo detalhe ampliado, uma estrutura complexa esquematizada. Ele se redobra e desdobra à vontade, muda de forma, se multiplica, se corta e se cola outra vez de outra forma. Não é apenas uma rede de microtextos, mas sim um grande metatexto de geometria variável, com gavetas, com dobras. Um parágrafo pode aparecer ou desaparecer sob uma palavra, três capítulos sob uma palavra do parágrafo, um pequeno ensaio sob uma das palavras destes capítulos, e assim virtualmente sem fim, de fundo falso em fundo falso. (Lévy, 1993, p.41).

Com o advento da WEB.2 a Internet ganhou uma porta que possibilitou a entrada de milhares de usuários no ciberespaço, possibilitando a interatividade. As ferramentas que favorecem o trabalho cooperativo, como é o caso da Wikipédia, vieram possibilitar a prática da escrita efetivamente coletiva via hipertexto.


Segundo Aquino (2006), essa possibilidade de criação coletiva, remete a três princípios básicos: 1) Quanto mais pessoas utilizarem o hipertexto, podendo modificar seu conteúdo e incluir novos links, mais ricas de informação serão as páginas; 2) A construção coletiva do hipertexto coloca os internautas como co-desenvolvedores, praticamente anulando a escrita individual nesse contexto; 3) O aumento do uso aliado à coparticipação no desenvolvimento do hipertexto propicia a formação de uma
inteligência coletiva.


Tomando por base esse interativo do hipertexto,
Primo (2003) classifica-o em três formatos: hipertexto potencial, hipertexto colagem e hipertexto cooperativo.

No hipertexto potencial, os caminhos são associativos e estão pré-determinados pelo programador da página proibindo, portanto, a inclusão de novas associações por parte do usuário. A este é permitido apenas seguir as trilhas dispostas pelo programador.


O hipertexto colagem permite ao internauta uma atuação mais ativa, podendo criar, porém, não possibilita diálogo com o programador, já o hipertexto cooperativo favorece a construção coletiva, pois permite interação entre autor e usuário. O desenvolvimento da discussão e cooperação contínua propicia a modificação da trilha de associações.
O caráter interativo do hipertexto também foi abordado por Lévy (1993). Ele denominou de hipercórtex, o imaginário coletivo desenvolvido por meio da internet. Através da rede as pessoas se unem, formando um conjunto e passam a construir o que sozinhos não conseguiriam e, consequentemente, ter acesso a um volume maior de informações e aprendizados. Assim, a possibilidade da escrita hipertextual desenvolvida
coletivamente depende de situações comunicacionais que favoreçam a interação, ou seja, a atuação cooperativa dos sujeitos envolvidos.

Apesar dos avanços detectados nos últimos anos, e das invenções como o Memex, a rede ainda não alcançou o estágio fundamental de interação para que o conhecimento seja construído de forma plenamente coletiva, já que ainda prevalece a unilateralidade na criação dos links.

Além de tudo, através do hipertexto, se torna mais fácil desenvolver a ideia de inteligência coletiva. Segundo Lévy a inteligência coletiva é basicamente a partilha de funções cognitivas, como a memória, a percepção e o aprendizado. “Elas podem ser melhor compartilhadas quando aumentadas e transformadas por sistemas técnicos e

externos ao organismo humano”, explica Lévy, referindo–se aos meios de comunicação e à internet.

Esse universo hipertextual só é possível graças ao protocolo HTTP (HyperText Transfer Protocol), que faz com que possamos navegar por tantos hiperlinks.

A HIPERTEXTUALIDADE NA EAD

Discutir a hipertextualidade é essencial para a compreensão da aprendizagem na Educação à Distância, visto que cada aluno pode seguir o seu caminho, possibilitando uma maior discussão e interação. Na verdade. Com o advento das tecnologias, o aluno tem ao seu alcance duas formas autônomas para adquirir seu aprendizado: a hipertextualidade e a interatividade. Conforme Aragão (2009):


A hipertextualidade na Ead significa que as informações estão diluídas no
ciberespaço, formado por um grande hipertexto, com vários links que conectam os sujeitos da aprendizagem, permitindo o acesso à informação materializada por uma multiplicidade de linguagens e suportes. (Aragão 2009, p.19)

Desta forma, a Ead, deve se dirigir a um sujeito ativo, questionador, que tenha sua própria visão de mundo, que faça suas próprias interpretações, que tenha atitudes, e é claro, que seja autônomo e descubra seus próprios caminhos de aprendizagem através da hipertextualidade e interatividade.

REFERÊNCIAS:

AQUINO, Maria Clara. Um resgate histórico do hipertexto: o desvio da escrita hipertextual provocada pelo advento da Web e o retorno aos preceitos iniciais através de novos suportes. Disponível em
http://www.unirevista.unisinos.br/_pdf/UNIrev_Aquino.PDF acesso em 10/10/2009.

ARAGÃO, Cláudia. Trabalho colaborativo na Web. Curso de Especialização em educação à distância. Salvador: UNEB/EAD, 2009.


GUIMARÃES Jr, Mário José Lopes. A cibercultura e o surgimento de novas formas de sociabilidade. 1997. Disponível em: Acesso em: 10 de outubro de 2009

LEMOS, André; CARDOSO, Cláudio. Uma sala de aula no ciberespaço: reflexões e sugestões a partir de uma experiência de ensino pela Internet.

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.


NEGROPONTE, Nicholas. A vida digital. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 214 p.


PRIMO, Alex. Quão interativo é o hipertexto? Disponível em:
http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/quao_interativo_hipertexto.pdf acesso em 12/10/2009.

____________. Hipertexto Cooperativo: Uma análise da escrita coletiva a partir dos blogs e da Wikipédia. Disponível em http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/hipertexto_cooperativo.pdf acesso em 12/10/2009


SILVA, Marco. Sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2000.





Hipertexto

Hipertexto é o termo que remete a um texto em formato digital, ao qual se agregam outros conjuntos de informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons, cujo acesso se dá através de referências específicas denominadas hiperlinks, ou simplesmente links. Esses links ocorrem na forma de termos destacados no corpo de texto principal, ícones gráficos ou imagens e têm a função de interconectar os diversos conjuntos de informação, oferecendo acesso sob demanda as informações que estendem ou complementam o texto principal. O conceito de "linkar" ou de "ligar" textos foi criado por Ted Nelson nos anos 1960 e teve como influência o pensador francês Roland Barthes, que concebeu em seu livro S/Z o conceito de "Lexia"[carece de fontes?], que seria a ligação de textos com outros textos. Em palavras mais simples, o hipertexto é uma ligação que facilita a navegação dos internautas. Um texto pode ter diversas palavras, imagens ou até mesmo sons, que, ao serem clicados, são remetidos para outra página onde se esclarece com mais precisão o assunto do link abordado.

O sistema de hipertexto mais conhecido atualmente é a World Wide Web, no entanto a Internet não é o único suporte onde este modelo de organização da informação e produção textual se manifesta.


Etimologia

O prefixo hiper - (do grego "υπερ-", sobre, além) remete à superação das limitações da linearidade, ou seja, não sequencial do antigo texto escrito, possibilitando a representação do nosso pensamento, bem como um processo de produção e colaboração entre as pessoas, ou seja, uma (re)construção coletiva. O termo hipertexto, cunhado em 1965, costumeiramente é usado onde o termo hipermídia seria mais apropriado. O filósofo e sociólogo estadunidense Ted Nelson, pioneiro da tecnologia da informação e criador de ambos os termos escreveu:

Atualmente a palavra hipertexto tem sido em geral aceita para textos ramificados e responsivos, mas muito menos usada é a palavra correspondente "hipermídia", que significa ramificações complexas e gráficos, filmes e sons responsivos - assim como texto. Em lugar dela usa-se o estranho termo "multimídia interativa", quatro sílabas mais longas, e que não expressa a ideia de hipertexto estendido.

Nelson, Literary Machines 1992

Podemos dizer que hipertexto é um texto dentro de outro texto.

História

A idéia de hipertexto não nasce com a Internet, nem com a web. De acordo com Burke (2004) e Chartier (2002) as primeiras manifestações hipertextuais ocorrem nos séculos XVI e XVII através de manuscritos e marginalia. Os primeiros sofriam alterações quando eram transcritos pelos copistas e assim caracterizavam uma espécie de escrita coletiva. Os segundos eram anotações realizadas pelos leitores nas margens das páginas dos livros antigos, permitindo assim uma leitura não linear do texto. Essas marginalia eram posteriormente transferidas para cadernos de lugares-comuns para que pudessem ser consultadas por outros leitores.

Provavelmente, a primeira descrição formal da idéia apareceu em 1945, quando Vannevar Bush publicou na The Atlantic Monthly, "As We May Think", um ensaio no qual descrevia o dispositivo "Memex". Neste artigo, a principal crítica de Bush era aos sistemas de armazenamento de informações da época, que funcionavam através de ordenações lineares, hierárquicas, fazendo com que o indivíduo que quisesse recuperar umas informações tivesse que percorrer catálogos ordenados alfabetica ou numericamente ou então através de classes e subclasses. De acordo com Bush, o pensamento humano não funciona de maneira linear, mas sim através de associações e era assim que ele propunha o funcionamento do Memex.

O dispositivo nunca chegou a ser construído, mas hoje é tido como um dos precursores da atual web. A tecnologia usada seria uma combinação de controles eletromecânicos e câmeras e leitores de microfilme, todos integrados em uma grande mesa. A maior parte da biblioteca de microfilme estaria contida na própria mesa com a opção de adicionar ou remover rolos de microfilme à vontade. A mesa poderia também ser usada sem a criação de referências, apenas para gerar informação em microfilme, filmando documentos em papel ou com o uso de uma tela translúcida sensível ao toque. De certa forma, o Memex era mais do que uma máquina hipertexto. Era precursor do moderno computador pessoal embora baseado em microfilme. O artigo de Novembro de 1945 da revista Life que mostrava as primeiras ilustrações de como a mesa[1] do Memex podia ser, mostrava também ilustrações de uma câmera montada na cabeça, que o cientista podia usar enquanto fazia experiências, e de uma máquina de escrever capaz de reconhecimento de voz e de leitura de texto por síntese de voz. Juntas, essas máquinas formariam o Memex, provavelmente, a descrição prática mais antiga do que é chamado hoje o Escritório do Futuro.

Não se pode deixar de citar outro personagem de grande importância histórica que é Douglas Engelbart diretor do Augmentation Research Center (ARC) do Stanford Research Institute, centro de pesquisa onde foram testados pela primeira vez a tela com múltiplas janelas de trabalho; a possibilidade de manipular, com a ajuda de um mouse, complexos informacionais representados na tela por um símbolo gráfico; as conexões associativas (hipertextuais) em bancos de dados ou entre documentos escritos por autores diferentes; os grafos dinâmicos para representar estruturas conceituais (o "processamento de idéias" os sistemas de ajuda ao usuário integrados ao programa). [2] O trabalho de Ted Nelson e muitos outros sistemas pioneiros de hipetexto com o "NLS", de Douglas Engelbart, e o HyperCard, incluído no Apple Macintosh, foram rapidamente suplantados em popularidade pela World Wide Web de Tim Berners-Lee, embora faltasse a esta muitas das características desses sistemas mais antigos como links tipados, transclusão e controle de versão.

Principais características do Hipertexto

  1. Intertextualidade;
  2. Velocidade;
  3. Precisão;
  4. Dinamismo;
  5. Interatividade;
  6. Acessibilidade;
  7. Estrutura em rede;
  8. Transitoriedade;
  9. Organização multilinear.[3]

Hipertexto e Internet

Uma das maiores controvérsias a respeito deste conceito é sobre sua vinculação obrigatória ou não com a internet e outros meios digitais. Alguns autores defendem que o hipertexto acontece apenas nos ambientes digitais, pois estes permitem acesso imediato a qualquer informação. A internet, através da WWW, seria o meio hipertextual por excelência, uma vez que toda sua lógica de funcionamento está baseada nos links.

Outros pesquisadores acreditam que a representação hipertextual da informação independe do meio. Pode acontecer no papel, por exemplo, desde que as possibilidades de leitura superem o modelo tradicional contido das narrativas contínuas (com início, meio e fim). Uma enciclopédia é um clássico exemplo de hipertexto baseado no papel, pois permite acesso não linear aos verbetes contidos em diferentes volumes. Um exemplo de hipertexto tradicional são as anotações de Leonardo Da Vinci e também a Bíblia, devido sua forma não linear de leitura.[4]

Hipertexto e Educação

Um tópico relevante é a utilização da ferramenta de hipertexto na Educação. O trabalho com hipertexto pode impulsionar o aluno à pesquisa e à produção textual. O hipertexto como ferramenta de ensino e aprendizagem facilita um ambiente no qual a aprendizagem acontece de forma incidental e por descoberta, pois ao tentar localizar uma informação, os usuários de hipertexto, participam activamente de um processo de busca e construção do conhecimento, forma de aprendizagem considerada como mais duradoura e transferível do que aquela directa e explícita.[5]

A relação entre Educação e mídias digitais se faz a partir da popularização da internet, mediante o uso intenso da linguagem html, que possibilitou a montagem de rede hipertextuais, com links. Com o uso de hipertexto, conexões disponibilizam material de referência, independente do tema de interesse, com construção de base de dados cujo acesso associativo forma uma verdadeira rede de conceitos e exemplos.

No meio acadêmico-científico, a organização das informações são artificiais, pois tendem a uma hierarquização forjada. A disposição das informações no meio reticular da internet, com o auxílio dos hiperlinks, disponibiliza os conteúdos relacionados conforme seu desenvolvimento, a partir da ideia de que hipertextos transformam automaticamente palavra em texto escrito. Dessa maneira, são como as associações na mente humana, que se movimenta de uma representação pra outra ao longo de uma rede intricada.[6]

Conforme Pierre Lévy, os conteúdos tendem à digitalização, que conecta numa mesma rede o cinema, o jornalismo, a música e as telecomunicações, deixando o tratamento físico dos dados em segundo plano. Assim, "ao entrar em um espaço interativo e reticular de manipulação, associação e leitura, a imagem e o som adquirem um estatuto de quase textos", o que amplia as ferramentas de ensino e discussão.[7]

Hipertexto e Jornalismo

Primeira Geração: Jornalismo impresso

No jornalismo, o hipertexto não passou a ser usado somente a partir do advento do jornalismo online. Ao invés da tecnologia dos links, o jornal impresso desenvolveu técnicas análogas que podem quebrar a linearidade da leitura. Ele pode ser encontrado no meio impresso, por exemplo, através de índices, rodapés, remissões, legendas, boxes, caixas de diálogo, gráficos, entre outros.

Nos índices dos jornais e revistas, o leitor tem conhecimento do que encontrará na publicação, sendo direcionado para as matérias de seu interesse. A divisão em editorias também tem esse papel, fazendo com que o leitor não precise ler o jornal na íntegra, o que caracteriza uma leitura não linear.

Já as notas de rodapé desviam o olhar do leitor e o direcionam para outra informação que complementa ou esclarece algo citado no texto, recurso comum em livros. As remissões são utilizadas para remeter o leitor a outras matérias, seja para facilitar o entendimento daquela lida no momento ou para complementar o assunto.

Um recurso que também é comum nos jornais é o box. Ele pode conter um histórico da situação abordada na matéria, uma informação adicional, uma curiosidade, ou mesmo uma prestação de serviço. Para isso, palavras podem ser destacadas para que assim remetam a uma outra informação contida no box, funcionando como um link no papel. [8]

Segunda Geração: Jornalismo online

A internet começou a ser utilizada com finalidade jornalística de forma expressiva em meados dos anos 90, com o desenvolvimento da Web. A partir daí, uma nova forma de informar e de se relacionar com o público surgiu: o jornalismo online.

Num primeiro momento, esse jornalismo não passava de uma transposição das matérias do jornal impresso para o meio digital. Em uma segunda fase, os textos começam a investir nas tecnologias informáticas, nas quais o link confere velocidade à conexão entre diferentes notícias. Os e-mails surgem como forma de comunicação com o leitor.

O webjornalismo desponta definitivamente com o surgimento de projetos editoriais voltados exclusivamente para a internet. Esse atual jornalismo possui características específicas: interatividade, customização de conteúdo, hipertextualidade e multimidialidade (Bardoel e Deuze, 2000).

A interatividade faz com que o leitor se sinta parte do processo e possa enviar sugestões/opiniões aos jornalistas. O conteúdo é customizado a partir de sites configurados de acordo com os interesses do leitor, que já o direcionam para suas áreas preferenciais. Já a multimidialidade se refere a mistura de diferentes mídias tradicionais (imagem, texto e som) para narrar um fato.[9]

Terceira Geração: Jornalismo colaborativo

O jornalismo colaborativo dá um passo à frente do webjornalismo, na medida em que quebra as barreiras entre jornalista/leitor. Surge a Web 2.0, termo que descreve o atual período da rede cuja ênfase passa da publicação para a colaboração. Nela, a abertura dos hipertextos é levada ao limite: os envolvidos compartilham a construção comum do texto [10].O melhor exemplo é a Wikipedia, que permite a invenção coletiva ao mesmo tempo que cria links entre seus próprios verbetes.

Nos diversos sites colaborativos, como o WikiNews e o Slashdot, o jornalista não mais detém o poder da escrita. Eles permitem que o leitor se coloque como repórter e mande sua própria matéria. O jornalista coreano Oh Yeon Ho, ao criar o OhMyNews, decreta que "todo cidadão é um repórter" [11]

Além disso, sites jornalísticos tradicionais vem apostando na interação com o leitor permitindo que este envie matérias, vídeos, fotos e informações que possam colaborar na construção da notícia, como o Vc Repórter, do Portal Terra, e o Eu-repórter, do Jornal O Globo.

Conferências Acadêmicas

Uma das principais conferências sobre novas pesquisas em hipertexto é a Conference on Hypertext and Hypermedia (HT), [12] realizada anualmente pela ACM.

The International World Wide Web Conferences Steering Committee[13] inclui muitos artigos de interesse. Há também uma lista com links para todas as conferências da série.[14]

 Bibliografia

  • BEIGUELMAN, Giselle. O livro depois do livro. São Paulo, editora Peirópolis, 2003. Link do livro on-line:


  • Byers, T. J. (1987, Abril). Built by association. PC World, 5, 244-251.
  • Crane, Gregory. (1988). Extending the boundaries of instruction and research. T.H.E. Journal (Technological Horizons in Education), Macintosh Special Issue, 51-54.
  • Heim, Michael. (1987). Electronic Language: A Philosophical Study of Word Processing. New Haven: Yale University Press.
  • LANDOW, George. Teorías del Hipertexto. Madrid, Paidos, 1997.
  • NELSON, Ted. Libertando-se da prisão da internet. São Paulo, IMESP/FILE, 2005. Link para o texto
  • Nelson, Theodor H. (1973). A Conceptual framework for man-machine everything. National Computer Conference and Exposition, June 4-8, 1973, Mew York, NY. AFIPS Conference Proceedings VOL. 42 (pp. M22-M23). Montvale, NJ: AFIPS Press.
  • Van Dam, Andries. (1988, July). Hypertext '87 keynote address. Communications of the ACM, 31, 887-895.
  • Yankelovich, Nicole, Landow, George P., and Cody, David. (1987). Creating hypermedia materials for English literature students. SIGCUE Outlook, 20(3).





Referências

  1. "MEMEX - From Vannevar Bush's Essay "As We May Think"
  2. História do Hipertexto
  3. Tecnologias para Webdesign
    História do Hipertexto Para uma poética do Hipertexto
    O hipertexto eletrônico como base para reconfigurar a atividade jornalística
  4. Hipertexto como instrumento para apresentação de informações em ambiente de aprendizado mediado pela internet.
  5. O hipertexto no contexto educacional
  6. LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro, Editora 34, 1993.
  7. LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro, Editora 34, 1999.
  8. O uso de recursos hipertextuais no jornalismo impresso: Correio do Povo"
  9. Características e implicações do jornalismo na Web
  10. A terceira geração da hipertextualidade: cooperação e conflito na escrita coletiva de hipertextos com links multidirecionais
  11. Webjornalismo participativo e a produção aberta de notícias
  12. Conference on Hypertext and Hypermedia
  13. IW3C2
  14. Lista IW3C2

Ligações externas