terça-feira, 10 de abril de 2012


CULTURA DIGITAL PARTE II – CIBERCIDADANIA



Diante do inegável efeito da cultura digital na sociedade, exercendo um poder de disseminação do conhecimento e da cultura, de uma forma “on line”, influenciando decisivamente as relações sociais e interpessoais dos cidadãos que compõem as redes digitais, é fato que existe uma nova relação que deve ser estudada e analisada.

Para que possamos compreender melhor essa relação temos que entender os conceitos de cidadania. Desde os primórdios da civilização, segundo os estudiosos da época, esse conceito se estendia à noção de territorialidade, das relações entre as classes sociais, desde os filósofos à classe política estendendo-se aos cidadãos das classes menos favorecidas.

Durante muito tempo esse conceito acompanhou a humanidade, com o surgimento das telecomunicações digitais e o aparecimento da Web, o conceito de territorialidade perde sua essência, surge um novo conceito: desterritorialização, agora as fronteiras físicas, espaciais, deixam de existir, a própria noção de estado-nação é revista, criando uma sociedade global, ou como denominou Marshall Mcluhan, “Aldeia Global”, para fazer referência a esse mundo onde o diálogo é universal.

A partir desse novo conceito há necessidade de revisão dos direitos e deveres que cada cidadão tem quando se conecta a Web, a própria liberdade de criação, exposição, comunicação, antes impossível de ser pensada, requer agora, (mesmo que alguns digam que há uma liberdade total na Web), uma responsabilidade social.

Portanto, nessa nova perspectiva, denominada de “quarta geração”, onde se incluiria o acesso universal à informática é que devemos analisar o momento atual em nosso país.

Analisando a situação da educação escolar no Brasil, ouvimos sempre bradado aos quatro ventos pelo governo, que há um percentual muito elevado de infraestrutura digital implantada nas escolas, é sabido por nós professores que militamos diariamente na tarefa de educarmos nossos alunos, que essa realidade é fantasiosa, inclusive, na última aula dessa disciplina, vários relatos foram feitos por colegas, apontando exatamente a falta dessa infraestrutura.

Então é de se questionar: Como nós professores podemos atuar, mediar, transmitir, sermos os organizadores, educar nossos alunos, para as responsabilidades que essa nova “cibercultura” exige, para que esses meninos e meninas possam atuar com responsabilidades nesse novo cenário, ou seja, para que a cibercidadania esteja presente?

É de se ressaltar que a própria educação básica, primária, mesmo nos métodos tradicionais, ainda não chegou por inteiro às escolas do país, o que implica numa legião muito grande de analfabetos na essência e, analfabetos funcionais. Como então tentar massificar esse conteúdo da Web para esses cidadãos?

É claro que as relações positivas tem muito contribuído para a descentralização do poder, que agora se desloca do centro para a periferia, isso tem gerado uma infinidade de comunidades com interesses comuns, como bem definiu Benkler, os “procomun”, que são espaços institucionais, em que podem ser exercidas certas liberdades com relação às restrições impostas pelo mercado.

Falando em mercado, é claro que ele se faz presente, criando soluções de software e hardware direcionados para os cidadãos ávidos em consumir jogos eletrônicos, equipamentos mais sofisticados que para a maioria da população é muito aquém da realidade de suas posses.

Mas a comunidade digital engajada pela própria dinâmica da interatividade social, criada pelas redes sociais tem buscado alternativas a esses grandes blocos econômicos, e, aí, aparece o software livre, que a despeito da desconfiança de alguns, é com certeza a solução mais indicada para o nosso país, principalmente, na aplicação escolar.

Concluindo, podemos observar que a despeito do arsenal de informações, interatividades, possibilidades de acesso em tempo real, da notícia instantânea, é interessante que nós, cidadãos conectados a essa cultura digital, possamos também enxergar que há uma nova gama de solicitações de posturas diferenciadas àquelas antigas, e, portanto, precisamos estar atentos aos novos rumos dessa cibercidadania.






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