Segue conteúdo sobre Hipertextualidade para os seminários temáticos. Para que possamos compartilhar nosssas observações a respeito.
A partir das limitações, anseios, contradições inerentes ao processo de
impressão e escritura tradicionais, surgiu a necessidade do hipertexto. No
entanto, foi com o advento da informática e das telecomunicações que a
tecnologia do hipertexto revelou o seu potencial revolucionário. E, atualmente,
é a base lógica e conceitual das comunicações mediadas pelo computador, através
da internet.
O termo hipertexto foi
definido em primeira mão por Ted Nelson, no início dos anos 60, significando
uma leitura não sequencial, não linear. Um texto com vários caminhos que
permite aos leitores fazer escolhas, e que são melhor lidos numa tela
interativa. Popularmente, são concebidos como uma série de pedaços de textos
conectados por link que quer dizer "atalho", "caminho" ou
"ligação". Através dos links é possível produzir documentos não
lineares interconectados com outros documentos ou arquivos a partir de
palavras, imagens ou outros objetos. Também conhecidos em português por hiperligações, oferecem
ao leitor diferentes trilhas. O ato de navegar ou surfar na Internet
possibilita o acesso a uma sequência de links. Estes agregam interatividade no
documento. Ao leitor torna-se possível localizar rapidamente conteúdo sobre
assuntos específicos. O sistema de hipertexto mais conhecido atualmente é a World Wide Web, no entanto
a Internet não é o único suporte onde este modelo de organização da informação
e produção textual se manifesta.
A hipertextualidade se constitui através de textos formados por hipertextos, que como já mencionado acima, tem por característica básica apresentar o texto de forma não linear, ou seja, cada leitor pode seguir por um caminho diferente, pois o texto é constituído por diversos hiperlinks, que faz com que o leitor possa navegar por mundos diversos, aumentando as suas informações. Este sistema global de informação pode incluir não só texto, mas também imagem, animação, vídeo, som, etc., falando-se neste caso de hipermídia. Assim, através do hipertexto “a expressão de uma ideia ou linha de pensamento pode incluir uma rede multidimensional de indicadores apontando para novas formulações ou argumentos, os quais podem ser evocados ou ignorados” (Negroponte, 1995, p. 66).
A hipertextualidade se constitui através de textos formados por hipertextos, que como já mencionado acima, tem por característica básica apresentar o texto de forma não linear, ou seja, cada leitor pode seguir por um caminho diferente, pois o texto é constituído por diversos hiperlinks, que faz com que o leitor possa navegar por mundos diversos, aumentando as suas informações. Este sistema global de informação pode incluir não só texto, mas também imagem, animação, vídeo, som, etc., falando-se neste caso de hipermídia. Assim, através do hipertexto “a expressão de uma ideia ou linha de pensamento pode incluir uma rede multidimensional de indicadores apontando para novas formulações ou argumentos, os quais podem ser evocados ou ignorados” (Negroponte, 1995, p. 66).
Os hipertextos podem sem classificados em dois tipos básicos: os
"exploratórios" e os "construtivos". A Internet pode ser
considerada como o exemplo mais pungente de um hipertexto exploratório, onde
vários conjuntos de informações são conectados em uma ampla cadeia de
associações. Não é permitido ao usuário participar da construção e/ou alteração
de todos os nós da rede. Este tipo de hipertexto comporta, em seu sistema rizomático, a existência de ambientes hipertextuais
construtivos.
No hipertexto construtivo, cada usuário participa ativamente da
construção do texto, do conjunto das informações dispostas. Pode ou não existir
uma hierarquia para a participação de cada usuário, bem como regras de
participação. Bons exemplos de hipertextos construtivos são os Muds, jogos
virtuais onde cada jogador participa da construção dos personagens e do
ambiente da aventura. Também no campo da literatura florescem experiências
hipertextuais construtivas onde, escritores e leigos se reúnem da elaboração de
uma obra a muitas mãos, numa aventura literária.
Segundo Silva (2003),
sociólogo, doutor em educação pela USP, professor da UERJ e da UNESA, na era da
interatividade ocorre à transição da lógica da distribuição (transmissão) para
a lógica da comunicação (interatividade). Isto significa modificação radical no
esquema clássico da informação baseado na ligação unilateral
emissor-mensagem-receptor. O emissor não emite mais no sentido que se entende
habitualmente, uma mensagem fechada, ele oferece um leque de elementos e
possibilidades à manipulação do receptor. A mensagem não é mais “emitida”, não
é mais um mundo fechado, paralisado, imutável, intocável, sagrado, ela é um
mundo aberto, modificável na medida que responde às solicitações daquele que a
consulta. O receptor não está mais em posição de recepção clássica, ele é
convidado à livre criação e a mensagem ganha sentido sob sua intervenção.
Desta forma, percebe-se claramente que no mundo digital, as máquinas somos nós e o espaço da informação não se limita às dimensões do texto tradicional, pois o hipertexto é bastante dinâmico, possibilita uma leitura interativa, deixando até de lado aquela ideia de hierarquia das informações. Em se tratando de hipertexto, Lévy (1993) coloca que:
Desta forma, percebe-se claramente que no mundo digital, as máquinas somos nós e o espaço da informação não se limita às dimensões do texto tradicional, pois o hipertexto é bastante dinâmico, possibilita uma leitura interativa, deixando até de lado aquela ideia de hierarquia das informações. Em se tratando de hipertexto, Lévy (1993) coloca que:
Com um ou dois cliques, obedecendo por assim dizer ao dedo e ao olho,
ele mostra ao leitor uma de suas faces, depois outra, um certo detalhe
ampliado, uma estrutura complexa esquematizada. Ele se redobra e desdobra à
vontade, muda de forma, se multiplica, se corta e se cola outra vez de outra
forma. Não é apenas uma rede de microtextos, mas sim um grande metatexto de
geometria variável, com gavetas, com dobras. Um parágrafo pode aparecer ou
desaparecer sob uma palavra, três capítulos sob uma palavra do parágrafo, um
pequeno ensaio sob uma das palavras destes capítulos, e assim virtualmente sem
fim, de fundo falso em fundo falso. (Lévy, 1993, p.41).
Com o advento da WEB.2 a Internet
ganhou uma porta que possibilitou a entrada de milhares de usuários no ciberespaço, possibilitando a interatividade. As ferramentas
que favorecem o trabalho cooperativo, como é o caso da Wikipédia, vieram
possibilitar a prática da escrita efetivamente coletiva via hipertexto.
Segundo Aquino (2006), essa possibilidade de criação coletiva, remete a três princípios básicos: 1) Quanto mais pessoas utilizarem o hipertexto, podendo modificar seu conteúdo e incluir novos links, mais ricas de informação serão as páginas; 2) A construção coletiva do hipertexto coloca os internautas como co-desenvolvedores, praticamente anulando a escrita individual nesse contexto; 3) O aumento do uso aliado à coparticipação no desenvolvimento do hipertexto propicia a formação de uma inteligência coletiva.
Tomando por base esse interativo do hipertexto, Primo (2003) classifica-o em três formatos: hipertexto potencial, hipertexto colagem e hipertexto cooperativo.
No hipertexto potencial, os caminhos são associativos e estão
pré-determinados pelo programador da página proibindo, portanto, a inclusão de
novas associações por parte do usuário. A este é permitido apenas seguir as
trilhas dispostas pelo programador.
O hipertexto colagem permite ao internauta uma atuação mais ativa, podendo criar, porém, não possibilita diálogo com o programador, já o hipertexto cooperativo favorece a construção coletiva, pois permite interação entre autor e usuário. O desenvolvimento da discussão e cooperação contínua propicia a modificação da trilha de associações.
O caráter interativo do hipertexto também foi abordado por Lévy (1993). Ele denominou de hipercórtex, o imaginário coletivo desenvolvido por meio da internet. Através da rede as pessoas se unem, formando um conjunto e passam a construir o que sozinhos não conseguiriam e, consequentemente, ter acesso a um volume maior de informações e aprendizados. Assim, a possibilidade da escrita hipertextual desenvolvida coletivamente depende de situações comunicacionais que favoreçam a interação, ou seja, a atuação cooperativa dos sujeitos envolvidos.
Apesar dos avanços detectados nos últimos anos, e das invenções como o Memex, a rede ainda não alcançou o estágio fundamental
de interação para que o conhecimento seja construído de forma plenamente
coletiva, já que ainda prevalece a unilateralidade na criação dos links.
Além de tudo, através do hipertexto, se torna mais fácil desenvolver a ideia
de inteligência coletiva. Segundo Lévy a inteligência coletiva é basicamente a partilha de funções cognitivas, como a memória, a
percepção e o aprendizado. “Elas podem ser melhor compartilhadas quando
aumentadas e transformadas por sistemas técnicos e
externos ao organismo humano”, explica Lévy, referindo–se aos meios de
comunicação e à internet.
Esse universo hipertextual só é possível graças ao protocolo HTTP
(HyperText Transfer Protocol), que faz com que possamos navegar por tantos
hiperlinks.
A HIPERTEXTUALIDADE NA EAD
Discutir a hipertextualidade é essencial para a compreensão da
aprendizagem na Educação à Distância, visto que cada aluno pode seguir o seu caminho, possibilitando uma
maior discussão e interação. Na verdade. Com o advento das tecnologias, o aluno tem ao seu alcance duas formas autônomas
para adquirir seu aprendizado: a hipertextualidade e a interatividade. Conforme
Aragão (2009):
A hipertextualidade na Ead significa que as informações estão diluídas no ciberespaço, formado por um grande hipertexto, com vários links que conectam os sujeitos da aprendizagem, permitindo o acesso à informação materializada por uma multiplicidade de linguagens e suportes. (Aragão 2009, p.19)
Desta forma, a Ead, deve se dirigir a um sujeito ativo, questionador,
que tenha sua própria visão de mundo, que faça suas próprias interpretações,
que tenha atitudes, e é claro, que seja autônomo e descubra seus próprios
caminhos de aprendizagem através da hipertextualidade e interatividade.
REFERÊNCIAS:
AQUINO, Maria Clara. Um resgate histórico do hipertexto: o desvio da escrita hipertextual provocada pelo advento da Web e o retorno aos preceitos iniciais através de novos suportes. Disponível em http://www.unirevista.unisinos.br/_pdf/UNIrev_Aquino.PDF acesso em 10/10/2009.
AQUINO, Maria Clara. Um resgate histórico do hipertexto: o desvio da escrita hipertextual provocada pelo advento da Web e o retorno aos preceitos iniciais através de novos suportes. Disponível em http://www.unirevista.unisinos.br/_pdf/UNIrev_Aquino.PDF acesso em 10/10/2009.
ARAGÃO, Cláudia. Trabalho colaborativo na Web. Curso de Especialização
em educação à distância. Salvador: UNEB/EAD, 2009.
GUIMARÃES Jr, Mário José Lopes. A cibercultura e o surgimento de novas formas de sociabilidade. 1997. Disponível em: Acesso em: 10 de outubro de 2009
LEMOS, André; CARDOSO, Cláudio. Uma sala de aula no ciberespaço:
reflexões e sugestões a partir de uma experiência de ensino pela Internet.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.
NEGROPONTE, Nicholas. A vida digital. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 214 p.
PRIMO, Alex. Quão interativo é o hipertexto? Disponível em: http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/quao_interativo_hipertexto.pdf acesso em 12/10/2009.
____________. Hipertexto Cooperativo: Uma análise da escrita coletiva a
partir dos blogs e da Wikipédia. Disponível em http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/hipertexto_cooperativo.pdf acesso em 12/10/2009
SILVA, Marco. Sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2000.
Hipertexto
Hipertexto é o termo que remete a um texto em formato digital, ao qual se agregam outros conjuntos de
informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons, cujo acesso
se dá através de referências específicas denominadas hiperlinks, ou simplesmente links. Esses links ocorrem na forma de termos
destacados no corpo de texto principal, ícones gráficos ou imagens e têm a função de
interconectar os diversos conjuntos de informação, oferecendo acesso sob
demanda as informações que estendem ou complementam o texto principal. O
conceito de "linkar" ou de "ligar" textos foi criado por
Ted Nelson nos anos 1960 e teve como influência o pensador francês Roland Barthes, que concebeu em seu livro S/Z o conceito de "Lexia"[carece de fontes?], que seria a ligação de textos com outros textos. Em palavras mais
simples, o hipertexto é uma ligação que facilita a navegação dos internautas.
Um texto pode ter diversas palavras, imagens ou até mesmo sons, que, ao serem
clicados, são remetidos para outra página onde se esclarece com mais precisão o
assunto do link abordado.
O sistema de hipertexto mais conhecido atualmente é a World Wide Web, no entanto a Internet não é o único suporte
onde este modelo de organização da informação e produção textual se manifesta.
Etimologia
O prefixo hiper - (do grego "υπερ-", sobre, além) remete à
superação das limitações da linearidade, ou seja, não sequencial do antigo
texto escrito, possibilitando a representação do nosso pensamento, bem como um
processo de produção e colaboração entre as pessoas, ou seja, uma
(re)construção coletiva. O termo hipertexto, cunhado em 1965, costumeiramente é usado onde o termo hipermídia seria mais apropriado. O filósofo e sociólogo estadunidense Ted Nelson, pioneiro da tecnologia da informação e criador de ambos os termos escreveu:
Atualmente a palavra hipertexto tem sido em geral
aceita para textos ramificados e responsivos, mas muito menos usada é a
palavra correspondente "hipermídia", que significa ramificações
complexas e gráficos, filmes e sons responsivos - assim como texto. Em lugar
dela usa-se o estranho termo "multimídia interativa", quatro sílabas
mais longas, e que não expressa a ideia de hipertexto estendido.
|
— Nelson,
Literary Machines 1992
|
Podemos dizer que hipertexto é
um texto dentro de outro texto.
História
A idéia de hipertexto não nasce com a Internet, nem com a web. De acordo
com Burke (2004) e Chartier (2002) as primeiras manifestações hipertextuais
ocorrem nos séculos XVI e XVII através de manuscritos e marginalia. Os
primeiros sofriam alterações quando eram transcritos pelos copistas e assim
caracterizavam uma espécie de escrita coletiva. Os segundos eram anotações
realizadas pelos leitores nas margens das páginas dos livros antigos,
permitindo assim uma leitura não linear do texto. Essas marginalia eram
posteriormente transferidas para cadernos de lugares-comuns para que pudessem
ser consultadas por outros leitores.
Provavelmente, a primeira descrição formal da idéia apareceu em 1945, quando Vannevar Bush publicou na The Atlantic Monthly, "As We May Think", um ensaio no qual descrevia o
dispositivo "Memex". Neste artigo, a principal crítica de
Bush era aos sistemas de armazenamento de informações da época, que funcionavam
através de ordenações lineares, hierárquicas, fazendo com que o indivíduo que
quisesse recuperar umas informações tivesse que percorrer catálogos ordenados
alfabetica ou numericamente ou então através de classes e subclasses. De acordo
com Bush, o pensamento humano não funciona de maneira linear, mas sim através
de associações e era assim que ele propunha o funcionamento do Memex.
O dispositivo nunca chegou a ser construído, mas hoje é tido como um dos
precursores da atual web. A tecnologia usada seria uma combinação de controles
eletromecânicos e câmeras e leitores de microfilme, todos integrados em uma grande mesa. A maior
parte da biblioteca de microfilme estaria contida na própria mesa com a opção
de adicionar ou remover rolos de microfilme à vontade. A mesa poderia também
ser usada sem a criação de referências, apenas para gerar informação em
microfilme, filmando documentos em papel ou com o uso de uma tela translúcida
sensível ao toque. De certa forma, o Memex era mais do que uma máquina hipertexto. Era
precursor do moderno computador pessoal embora baseado em microfilme. O artigo de Novembro de 1945 da revista Life que mostrava as primeiras ilustrações de como a
mesa[1] do Memex podia ser, mostrava também ilustrações de uma câmera montada na cabeça, que o cientista podia usar
enquanto fazia experiências, e de uma máquina de escrever capaz de reconhecimento de voz e de leitura de texto por síntese de voz. Juntas, essas máquinas formariam o Memex, provavelmente, a descrição prática mais antiga
do que é chamado hoje o Escritório do Futuro.
Não se pode deixar de citar outro personagem de grande importância
histórica que é Douglas Engelbart diretor do Augmentation Research Center (ARC)
do Stanford Research Institute, centro de pesquisa onde foram testados pela
primeira vez a tela com múltiplas janelas de trabalho; a possibilidade de
manipular, com a ajuda de um mouse, complexos informacionais representados na
tela por um símbolo gráfico; as conexões associativas (hipertextuais) em bancos
de dados ou entre documentos escritos por autores diferentes; os grafos
dinâmicos para representar estruturas conceituais (o "processamento de
idéias" os sistemas de ajuda ao usuário integrados ao programa). [2] O trabalho de Ted Nelson e muitos outros sistemas pioneiros de hipetexto
com o "NLS", de Douglas Engelbart, e o HyperCard, incluído no Apple Macintosh, foram rapidamente suplantados em popularidade
pela World Wide
Web de Tim Berners-Lee, embora faltasse a esta muitas das
características desses sistemas mais antigos como links tipados, transclusão e controle de versão.
Principais características do Hipertexto
- Intertextualidade;
- Velocidade;
- Precisão;
- Dinamismo;
- Interatividade;
- Acessibilidade;
- Estrutura em rede;
- Transitoriedade;
- Organização multilinear.[3]
Hipertexto e Internet
Uma das maiores controvérsias a respeito deste conceito é sobre sua
vinculação obrigatória ou não com a internet e outros meios digitais. Alguns
autores defendem que o hipertexto acontece apenas nos ambientes digitais, pois
estes permitem acesso imediato a qualquer informação. A internet, através da WWW, seria o meio hipertextual por excelência, uma
vez que toda sua lógica de funcionamento está baseada nos links.
Outros pesquisadores acreditam que a representação hipertextual da
informação independe do meio. Pode acontecer no papel, por exemplo, desde que
as possibilidades de leitura superem o modelo tradicional contido das
narrativas contínuas (com início, meio e fim). Uma enciclopédia é um clássico exemplo de hipertexto baseado no
papel, pois permite acesso não linear aos verbetes contidos em diferentes
volumes. Um exemplo de hipertexto tradicional são as anotações de Leonardo Da
Vinci e também a Bíblia, devido sua forma não linear de leitura.[4]
Hipertexto e Educação
Um tópico relevante é a utilização da ferramenta de hipertexto na
Educação. O trabalho com hipertexto pode impulsionar o aluno à pesquisa e à
produção textual. O hipertexto como ferramenta de ensino e aprendizagem
facilita um ambiente no qual a aprendizagem acontece de forma incidental e por
descoberta, pois ao tentar localizar uma informação, os usuários de hipertexto,
participam activamente de um processo de busca e construção do conhecimento,
forma de aprendizagem considerada como mais duradoura e transferível do que
aquela directa e explícita.[5]
A relação entre Educação e mídias digitais se faz a partir da
popularização da internet, mediante o uso intenso da linguagem html, que possibilitou
a montagem de rede hipertextuais, com links. Com o uso de hipertexto,
conexões disponibilizam material de referência, independente do tema de
interesse, com construção de base de dados cujo acesso associativo forma uma
verdadeira rede de conceitos e exemplos.
No meio acadêmico-científico, a organização das informações são
artificiais, pois tendem a uma hierarquização forjada. A disposição das
informações no meio reticular da internet, com o auxílio dos hiperlinks,
disponibiliza os conteúdos relacionados conforme seu desenvolvimento, a partir
da ideia de que hipertextos transformam automaticamente palavra em texto
escrito. Dessa maneira, são como as associações na mente humana, que se
movimenta de uma representação pra outra ao longo de uma rede intricada.[6]
Conforme Pierre Lévy, os conteúdos tendem à digitalização, que conecta
numa mesma rede o cinema, o jornalismo, a música e as telecomunicações,
deixando o tratamento físico dos dados em segundo plano. Assim, "ao entrar
em um espaço interativo e reticular de manipulação, associação e leitura, a
imagem e o som adquirem um estatuto de quase textos", o que amplia as
ferramentas de ensino e discussão.[7]
Hipertexto e Jornalismo
Primeira Geração: Jornalismo
impresso
No jornalismo, o hipertexto não passou a ser usado somente a partir do
advento do jornalismo online. Ao invés da tecnologia dos links, o jornal impresso
desenvolveu técnicas análogas que podem quebrar a linearidade da leitura. Ele
pode ser encontrado no meio impresso, por exemplo, através de índices, rodapés,
remissões, legendas, boxes, caixas de diálogo, gráficos, entre outros.
Nos índices dos jornais e revistas, o leitor tem conhecimento do que
encontrará na publicação, sendo direcionado para as matérias de seu interesse.
A divisão em editorias também tem esse papel, fazendo com que o leitor não
precise ler o jornal na íntegra, o que caracteriza uma leitura não linear.
Já as notas de rodapé desviam o olhar do leitor e o direcionam para
outra informação que complementa ou esclarece algo citado no texto, recurso
comum em livros. As remissões são utilizadas para remeter o leitor a outras
matérias, seja para facilitar o entendimento daquela lida no momento ou para
complementar o assunto.
Um recurso que também é comum nos jornais é o box. Ele pode conter um
histórico da situação abordada na matéria, uma informação adicional, uma
curiosidade, ou mesmo uma prestação de serviço. Para isso, palavras podem ser
destacadas para que assim remetam a uma outra informação contida no box,
funcionando como um link no papel. [8]
Segunda Geração: Jornalismo
online
A internet começou a ser utilizada com finalidade jornalística de forma
expressiva em meados dos anos 90, com o desenvolvimento da Web. A partir daí,
uma nova forma de informar e de se relacionar com o público surgiu: o jornalismo online.
Num primeiro momento, esse jornalismo não passava de uma transposição
das matérias do jornal impresso para o meio digital. Em uma segunda fase, os
textos começam a investir nas tecnologias informáticas, nas quais o link
confere velocidade à conexão entre diferentes notícias. Os e-mails surgem como
forma de comunicação com o leitor.
O webjornalismo desponta definitivamente com o surgimento de projetos
editoriais voltados exclusivamente para a internet. Esse atual jornalismo
possui características específicas: interatividade, customização de conteúdo, hipertextualidade e
multimidialidade (Bardoel e Deuze, 2000).
A interatividade faz com que o leitor se sinta parte do processo e possa
enviar sugestões/opiniões aos jornalistas. O conteúdo é customizado a partir de
sites configurados de acordo com os interesses do leitor, que já o direcionam
para suas áreas preferenciais. Já a multimidialidade se refere a mistura de
diferentes mídias tradicionais (imagem, texto e som) para narrar um fato.[9]
Terceira Geração: Jornalismo
colaborativo
O jornalismo colaborativo dá um passo à frente do webjornalismo, na
medida em que quebra as barreiras entre jornalista/leitor. Surge a Web 2.0,
termo que descreve o atual período da rede cuja ênfase passa da publicação para
a colaboração. Nela, a abertura dos hipertextos é levada ao limite: os envolvidos
compartilham a construção comum do texto [10].O melhor exemplo é a Wikipedia, que permite a
invenção coletiva ao mesmo tempo que cria links entre seus próprios verbetes.
Nos diversos sites colaborativos, como o WikiNews e o Slashdot, o jornalista não mais detém o poder da
escrita. Eles permitem que o leitor se coloque como repórter e mande sua própria
matéria. O jornalista coreano Oh Yeon Ho, ao criar o OhMyNews, decreta que "todo cidadão é um repórter" [11]
Além disso, sites jornalísticos tradicionais vem apostando na interação
com o leitor permitindo que este envie matérias, vídeos, fotos e informações
que possam colaborar na construção da notícia, como o Vc Repórter, do Portal Terra, e o Eu-repórter, do Jornal O Globo.
Conferências Acadêmicas
Uma das principais
conferências sobre novas pesquisas em hipertexto é a Conference on Hypertext
and Hypermedia (HT), [12] realizada anualmente pela ACM.
The International World Wide
Web Conferences Steering Committee[13] inclui muitos artigos de
interesse. Há também uma lista com links
para todas as conferências da série.[14]
Bibliografia
- BEIGUELMAN, Giselle. O
livro depois do livro. São Paulo, editora Peirópolis, 2003. Link do livro
on-line:
- Byers, T. J. (1987, Abril). Built by
association. PC World, 5, 244-251.
- Crane, Gregory. (1988). Extending the
boundaries of instruction and research. T.H.E. Journal (Technological
Horizons in Education), Macintosh Special Issue, 51-54.
- Heim, Michael. (1987). Electronic
Language: A Philosophical Study of Word Processing. New Haven: Yale University Press.
- LANDOW, George. Teorías
del Hipertexto. Madrid, Paidos, 1997.
- NELSON, Ted.
Libertando-se da prisão da internet. São Paulo, IMESP/FILE, 2005. Link
para o texto
- Nelson, Theodor H. (1973). A Conceptual
framework for man-machine everything. National Computer Conference and
Exposition, June 4-8, 1973, Mew York, NY. AFIPS
Conference Proceedings VOL. 42 (pp. M22-M23). Montvale, NJ: AFIPS Press.
- Van Dam, Andries. (1988, July). Hypertext '87
keynote address. Communications of the ACM, 31, 887-895.
- Yankelovich, Nicole,
Landow, George P., and Cody, David. (1987). Creating hypermedia
materials for English literature students. SIGCUE Outlook, 20(3).
Referências
- ↑ "MEMEX
- From Vannevar Bush's Essay "As We May Think"
- ↑ História do Hipertexto
- ↑ Tecnologias
para Webdesign
História do Hipertexto Para uma poética do Hipertexto
O hipertexto eletrônico como base para reconfigurar a atividade jornalística - ↑ Hipertexto
como instrumento para apresentação de informações em ambiente de
aprendizado mediado pela internet.
- ↑ O hipertexto no contexto
educacional
- ↑ LÉVY, Pierre. As
tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática.
Rio de Janeiro, Editora 34, 1993.
- ↑ LÉVY, Pierre.
Cibercultura. Rio de Janeiro, Editora 34, 1999.
- ↑ O uso de
recursos hipertextuais no jornalismo impresso: Correio do Povo"
- ↑ Características
e implicações do jornalismo na Web
- ↑ A terceira geração da
hipertextualidade: cooperação e conflito na escrita coletiva de hipertextos
com links multidirecionais
- ↑ Webjornalismo
participativo e a produção aberta de notícias
- ↑ Conference on Hypertext and Hypermedia
- ↑ IW3C2
- ↑ Lista IW3C2
Ligações externas
- História do Hipertexto
- mprove: Historical
Overview of Hypertext
- Artigo
original de Vannevar Bush "As We May Think"
Valeu, amigão! Vou ler com bastante afinco e já, já compartilho algumas impressões. Abraço!
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