REFLEXÕES
DE UM MESTRANDO: José Santana Melo de Souza
A
respeito do: Vídeo com reflexões do
pensador Zygmunt Bauman e textos dos professores, Maria Helena Bonilla e Alex
Primo.
Diante
das propostas de leitura escrita textual e “leitura
visual” de um vídeo, temos mais um a vez o debate entre os caminhos que a
educação vem travando desde os primórdios do processo de adequação do
conhecimento, à realidade em que esse mesmo conhecimento se insere na
sociedade.
A
sempre polêmica criada pelo desenvolvimento da sociedade à base de um
conhecimento tecnicista, instrumentalista, individual, caracterizado pela
análise do todo em partes elementares, mais uma vez é citada como uma mentalidade
decadente e fora de uso.
Porém,
não devemos esquecer que essa mentalidade levou-nos ao estágio atual da
civilização, dita moderna, mesmo com todos os seus paradoxos e conceitos não
apropriados para o pós-modernismo, foi sem dúvida essa concepção que hoje nos
permite conceber novos caminhos de desenvolvimento, sustentado em ideias que
nos permitem colocar as relações humanas como “front” para as novas demandas sociais.
A “leitura
do vídeo Diálogos com Zygmunt Bauman” é fenomenal, mostra
como a simplicidade de suas abordagens são abrangentes e relatam a dicotomia em
que vivemos hoje, se por um lado às tecnologias emergentes como a popularização
da internet, das redes sociais, do mundo interdependente etc., colocam o ser
humano numa rede de relacionamentos quantitativos, mas, será que qualitativos?
O
mundo pós-moderno deve encarar essas novas tecnologias como aliadas no processo
de democratizar ou socializar o conhecimento, mas, há um questionamento: Será
que essas novas tendências tecnológicas serão um modismo? Como muitos que já
foram criados por estruturas sociais dominantes?
Na
medida em que esses novos tempos de pós-modernidade se apresentam à sociedade,
há necessidade das instituições sociais primárias também se prepararem para o
advento desse novo contexto.
Diante
dos acontecidos conflitos entre professores e alunos, com os primeiros sendo
agredidos fisicamente, moralmente e até em alguns casos perdendo suas vidas,
alguns autores atribuem aos mestres à incapacidade de dialogar com os seus
alunos, à incapacidade de se adequar as novas demandas originadas pelo desenvolvimento
tecnológico, porém, há de se perguntar? A culpa é somente dos mestres?
Como
experiência de minha atividade docente prática, venho observando cada vez mais
a necessidade dos mestres terem uma nova habilidade: O de mediar conflitos existenciais
de seus alunos diante de um abandono cada vez mais frequente dos pais em
relação à educação familiar dos filhos. Será que cabe aos mestres também essa
tarefa?
Ainda
que nosso país tenha se desenvolvido economicamente (sexta economia mundial),
ainda temos grandes bolsões de pobreza que trazem alunos às escolas com toda
sorte de demandas sociais, esses alunos muitas vezes carregam consigo um
histórico de necessidades especiais de atendimento psicológico, acolhimento
social e acompanhamento permanente por setores pedagógicos. Portanto, todos
esses fatores afetam esse relacionamento professor / aluno.
Ademais
o mundo pós-moderno criou uma situação inusitada, apesar da possibilidade dos
milhões de contatos pela rede (internet, Orkut, rede social, twitter, etc.),
noto um dilema de autonomia individual, um problema que classifico de
identidade social, onde os protagonistas necessitam se entrelaçar para conviver
num ambiente salutar. O conectar/desconectar é a tônica das relações na rede,
mas, diante da facilidade da possibilidade do desconectar, essas relações são
muito efêmeras, fáceis de serem desfeitas, portanto, de certa forma, criando um
ambiente virtual social.
Também
não podemos deixar de mencionar que essa mesma tecnologia digital pode trazer
graves problemas para a sociedade, haja vistas o que ocorreu com a ONG “Invisible
Children” que buscava ajudar pessoas supostamente abusadas pelo líder
de uma guerrilha, suspeita de arrecadar dinheiro pela Web e não utilizar para o
fim proposto.
E
as relações dos cidadãos com a política e com o estado? Vejo também a necessidade
de um aperfeiçoamento nessas instituições, o papel do estado enquanto
instituição social que mais se aproxima dos anseios de seus cidadãos está
defasado, como mencionou o sociólogo Bauman, o estado tem transferido
parte de suas atribuições à iniciativa privada, deixando de atender por muitas
vezes as necessidades básicas dos cidadãos. Não que estejamos defendendo um estado
socialista, mas, essa situação é decorrente da própria inércia dessa
instituição perante os avanços tecnológicos e as novas demandas.
Outro
dilema que vivemos atualmente e que sempre nos acompanhará, e que pela primeira
vez vejo um cientista social mencionar: A preocupação com a questão
ambiental é colocada como uma necessidade a ser estudada e discutida
pela sociedade, perante os desdobramentos das atividades exploratórias que o
consumo desenfreado, expoente da economia na visão capitalista/modernista, criou.
E
a escola? Como está posicionada perante essa pós-modernidade? Essa escola
sempre seguiu os ditames dos poderes constituintes e sempre refletiu um
conteúdo mecanicista, baseado no domínio exclusivo do especialista que em
última instância era o dono do conhecimento científico, que dominava a
realidade e que impunha seu domínio sobre esse real.
Essa
escola quer se antenar com essa nova realidade e precisa se reinventar para
receber alunos ávidos por todo tipo de conhecimento.
Porém,
os conteúdos precisam levar em conta o ambiente onde essa escola está inserida,
as necessidades de seu público alvo as novas práticas pedagógicas o uso das
novas tecnologias digitais como perspectiva de difundir o conhecimento são,
requisitos básicos para que essa nova escola encontre seu rumo.
É
importante ressaltar o caráter que agora, a informação tem mão dupla, pode e
deve também vir de fora para dentro com todas as consequências e implicações que
esse trânsito pode trazer, daí porque o conteúdo pedagógico não pode ser mais
imposto de fora para dentro, ele deve ser discutido e implementado visando às
características singulares de cada espaço.
Quanto
às tecnologias digitais que sem sombras de dúvidas são grandes auxiliares na
difusão do conhecimento, devem ser implementadas, é certo, porém, há necessidade
da formação de professores que possam dominar essas tecnologias, sem o quê
ficará depositada em almoxarifados a mercê do tempo, como tenho visto em muitas
escolas.
Para concluirmos observo
que uma das grandes diferenças entre a concepção moderna e a pós-moderna, ou contemporânea,
está na valorização do trabalho coletivo em detrimento da concepção moderna,
que adotava a imagem do gênio individual. O ser pós-modernista sabe reconhecer
o esforço do coletivo e busca compartilhar informações e resultados.
Muito bem José,
ResponderExcluirvc levanta várias questões polêmicas, fundamentais para o debate e a compreensão do contexto social e educacional. Vamos ao debate... fica o convite a todos!!!