Por Benito Paret | TI RIO Noticias – 14/03/2012 15:24:00
Recentemente o Presidente Obama convidou grandes empresários para um jantar na Casa Branca; no menu, a nova realidade econômica. Em outros tempos, quem seriam os convidados? Os presidentes das grandes indústrias, certamente. Desta vez os comensais foram os dirigentes das empresas da nova economia – Apple, Google, Facebook, Yahoo, Oracle, Twitter... Ficou claro que o futuro está no conhecimento.
O debate, no Brasil, reduz o patrimônio nacional a um conjunto de ativos reais óbvios: a Amazônia, o subsolo, prédios históricos etc. Mas se esquece, com frequência, de exaltar o patrimônio agora mais estratégico e só visível pelos resultados: o capital intelectual, o ativo intangível construído em muitos anos de estudos e pesquisas.
Sem o capital intelectual acumulado em décadas não descobriríamos o pré-sal, não exportaríamos aviões e softwares nem teríamos safras agrícolas recordes. São os verdadeiros ativos nacionais que precisam ser preservados e protegidos contra a concorrência predatória.
Mas o governo comemora as “conquistas” que teremos com a fabricação de tablets no país. Na verdade teremos mais projetos de montagem com importação dos “núcleos inteligentes”. Desde os tempos da tão mal falada reserva de mercado pensamos apenas em fabricar minis, micros, laptops, enfim, máquinas. E o software? E os conteúdos? Continuaram sendo importados ou simplesmente comercializados por multinacionais.
Não devemos assumir uma postura xenófoba, mas temos que defender nosso mercado e incentivar a pesquisa e a produção nacionais para que, pelo menos, não aumentemos a desnacionalização, que já supera os 70%.
É preciso que, assim como faz com o pré-sal e a indústria naval, o governo garanta um quinhão do novo mercado de TI às indústrias nacionais de software, fortalecendo o mercado interno, hoje dominado pelas grandes multinacionais. É preciso que estas oportunidades geradas não se esgotem na transitoriedade dos negócios.
Vamos torcer para que nossa presidente se inspire no Obama e marque um jantar no Alvorada com a indústria nacional e os centros de pesquisa, que podem garantir um futuro mais independente.
Benito Paret é presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Rio de Janeiro – SEPRORJ
Eis ai uma questão que merece destaque e apoio singular dos educadores.
ResponderExcluirNós, que trabalhamos na formação dos atualmente mais valorizados insumos - o homem e o conhecimento que detém, precisamos nos engajar num movimento que garanta não somente mais espaço para disseminação da produção nacional mas também para que se incentive ainda mais a formação adequada e contínua dos "caras do Brasil". Destes nossos alunos com brilhantes ideias e também de nós mesmos que precisamos estar bem (em todos os sentidos da palavra) para incentivá-los e oportunizar a eles um espaço formativo rico em experiências.