Crianças pobres passam mais tempo
brincando na internet do que usando tecnologia para fins educativos
The New York Times | 03/06/2012 07:02:11
O termo "exclusão digital"
surgiu na década de 1990 para descrever aqueles que não tinham acesso à
tecnologia. A questão inspirou muitos esforços para levar as mais recentes
ferramentas de computação para todos os americanos, particularmente às famílias
de baixa renda.
Esses esforços diminuíram a exclusão,
mas criaram um efeito colateral inesperado, surpreendente e preocupante para
pesquisadores e formuladores de políticas, algo que o governo agora quer
consertar.
Foto: NYTAlejandro Zamora,
13 anos, se considera um "maluco pelo Facebook" (11/05)
À medida que o acesso a dispositivos
eletrônicos se espalhou, as crianças de famílias mais pobres começaram a passar
consideravelmente mais tempo do que as crianças de famílias mais ricas na
frente destes aparelhos. Seja para assistir programas ou jogar e se conectar a
redes sociais, revelam os estudos.
Este crescente desperdício de tempo,
segundo os pesquisadores e formuladores de políticas, é mais um reflexo da
capacidade dos pais de monitorar e limitar como as crianças utilizam a
tecnologia do que de acesso a ela.
"Não sou contra a tecnologia em
casa, mas ela não ajuda", disse Laura Robell, diretora da Escola Elmhurst,
uma escola pública em East Oakland, Califórnia, que há muito tempo duvida do
valor de colocar um computador em cada casa sem a supervisão adequada.
O novo abismo provocou tamanha
preocupação que a Comissão Federal de Comunicações está considerando gastar US$
200 milhões para criar um corpo de alfabetização digital.
Este grupo de centenas, talvez
milhares de formadores será espalhado em escolas e bibliotecas para ensinar os
pais e alunos a usar os computadores de maneira mais produtiva. A comissão
também vai enviar estes formadores a organizações voltadas a ajudar grupos de
baixa renda como a Liga dos Cidadãos Unidos da América Latina e a Associação
Nacional para o Avanço dos Negros.
Esses esforços complementam alguns
projetos privados e estatais destinados a pagar por instrutores para ensinar
desde coisas básicas como o funcionamento de um teclado e o processamento de
texto, até como utilizar sites de busca de empregos ou aplicar filtros para
impedir que crianças vejam pornografia online.
As autoridades afirmam que ainda
querem colocar dispositivos de computação nas mãos de todos os americanos. O
vão permanece grande.
Mas "o acesso não é uma
panaceia", disse Danah Boyd, pesquisadora-sênior da Microsoft.
"Sozinho, ele não resolve problemas, mas amplia problemas existentes que
estamos ignorando."
Como outros
pesquisadores e formuladores de políticas, Boyd disse que o empurrão inicial
para diminuir o abismo digital não considerou como os computadores seriam
usados para entretenimento. "Não conseguimos prever isso", disse ela.
Por Matt Richtel

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