domingo, 27 de maio de 2012

O PODER DOS QUIETOS

O Poder dos Quietos

1a. edição, 2012
Susan Cain
Agir
Um dos livros mais vendidos do ano nos Estados Unidos segundo o jornal  The New York Times, O poder dos quietos, da americana Susan Cain,  lançado no Brasil pela Editora Agir, mostra que a introversão é  ingrediente fundamental para a criatividade e a inovação. Embasada por  estudos científicos, além de ter realizado um extenso trabalho de  pesquisa, a autora afirma que nossa sociedade vem transformando escolas e  escritórios em instituições dedicadas a extrovertidos - arquétipo que  tem se revelado um grande desperdício de talento, energia e felicidade.
O sistema de valores contemporâneo segue a crença de que todos  precisariam se sentir confortáveis sob a luz dos holofotes. A  introversão vem sendo encarada como um traço de personalidade de segunda  classe, praticamente como uma patologia. O que o leitor descobre em O  poder dos quietos é que está cometendo um erro grave ao abraçar esse  ideal. Algumas das maiores ideias humanas - da teoria da evolução aos  girassóis de Van Gogh e os computadores pessoais - vieram de pessoas  quietas que sabiam como se comunicar com seus universos interiores. Sem  os introvertidos não haveria a teoria da relatividade, os noturnos de  Chopin, o Google.
O temperamento extrovertido é atraente, mas, segundo Susan, foi  transformado em um padrão opressivo que muitos, mesmo contra sua própria  essência, se acham obrigados a adotar. Tal ponto de vista surge  fundamentado pelas mais recentes pesquisas nas áreas da psicologia e da  neurociência, que têm apresentado ideias iluminadoras: os introvertidos,  por exemplo, sentem-se confortáveis com menos estímulo, como quando  resolvem palavras cruzadas ou leem um livro; já os extrovertidos gostam  da vibração extra de atividades como conhecer pessoas novas e esquiar em  montanhas perigosas.
Especialistas afirmam também que os dois tipos trabalham de maneiras  diferentes. Os extrovertidos tendem a terminar tarefas em pouco tempo,  tomando decisões rápidas, enquanto os introvertidos costumam atuar de  forma mais lenta e ponderada, focando-se em uma tarefa de cada vez.  "Pessoas introvertidas são pensadores atentos e reflexivos, capazes de  tolerar a solidão que a produção de ideias requer. A implementação  dessas boas ideias, por sua vez, implica em cooperação, e introvertidos  são mais propensos a preferir ambientes cooperativos, enquanto os  extrovertidos costumam favorecer a competição", afirma a autora.
Na primeira parte do livro, Susan trata justamente do "Ideal da  Extroversão", abordando o poder do trabalho solitário e o mito da  liderança carismática. A questão do que chamamos de "temperamento" surge  como ponto central do módulo seguinte, que, mostrando que introvertidos  e extrovertidos pensam e processam dopamina de maneiras distintas,  envolve biologia e estudos de personalidade. Já na parte três o assunto  recebe um olhar cultural em um debate que envolve amor, trabalho e  educação - sempre por meio de uma acurada e delicada observação do dia a  dia.
O livro esclarece ainda algumas dúvidas comuns, mostrando que um  introvertido não é necessariamente um eremita ou um misantropo. Nem  mesmo a palavra "timidez" pode ser tida como um sinônimo de  "introversão": esta é o medo da desaprovação social e da humilhação,  enquanto aquela é a preferência por ambientes onde não predominam os  estímulos externos. Ao contrario da introversão, a timidez é  inerentemente dolorosa.
Assim com acontece com outros opostos complementares (masculinidade e  feminilidade, Ocidente e Oriente, liberais e conservadores), a  humanidade seria irreconhecível sem a divisão entre introvertidos e  extrovertidos. Poetas e filósofos têm pensando sobre o assunto desde o  início dos tempos, sendo que os dois tipos aparecem na Bíblia e em  escritos da antiguidade clássica. O poder dos quietos, assim, leva o  leitor a se aprofundar no comportamento humano e mudar a maneira pela  qual enxerga a si mesmo.

FONTE: http://livraria.folha.com.br/catalogo/1178141/o-poder-dos-quietos

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