sábado, 29 de setembro de 2012

INCLUSÃO DIGITAL E EXCLUSÃO DIGITAL - PARTE II

Escrever sobre "inclusão digital" nos remete inicialmente a entender o conceito proposto, conceito esse que é oriundo da necessidade e do momento político que atravessa a sociedade.
 
Esse conceito para muitos estudiosos, impróprio, significa "inserir" pessoas excluídas normalmente à margem da sociedade por condições sociais adversas, fruto do modelo econômico vigente.
 
Entretanto essa "inserção", necessariamente significa incluir pessoas num modelo já posto e estabelecido por instituições que monopolizam  a tecnologia digital, sem o cuidado de observar as características sócio econômicas, culturais, ambientais, estruturais e de diversidade  dessa "massa de excluídos". Pois, devemos levar em conta também, ser o Brasil um país continental e com grande desigualdade social.
 
No Brasil, o estabelecimento de um política de "inclusão digital", primeiramente parte do pressuposto de distribuir equipamentos (computadores) às escolas, sem a necessidade de formar professores e gestores na utilização dessa nova tecnologia para o desenvolvimento de um processo pedagógico ensino aprendizagem, inovador, deixando de lado os conteúdos formais até então vigentes (e ainda continuam) característicos do que podemos chamar de uma "velha escola".
 
Prestemos atenção ao texto extraído da "Apresentação do Livro Verde" do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia - Setembro de 2000):







"Na era da Internet, o Governo deve promover a universalização do acesso e o uso crescente dos meios eletrônicos de informação para gerar uma administração eficiente e transparente em todos os níveis. A criação e manutenção de serviços equitativos e universais de atendimento ao cidadão contam-se entre as iniciativas prioritárias da ação pública. Ao mesmo tempo, cabe ao sistema político promover políticas de inclusão social, para que o salto tecnológico tenha paralelo quantitativo e qualitativo nas dimensões humana, ética e econômica. A chamada “alfabetização digital” é elemento-chave nesse quadro".
 
Esse texto mostra a exata dimensão que o governo tinha à época quando criou a política   que contém as metas de implementação do Programa Sociedade da Informação e constitui uma súmula consolidada de possíveis aplicações de Tecnologias da Informação.
 
Nele vemos claramente a preocupação de atendimento aos serviços e usos dos meios eletrônicos a serem extendidos à população, sem, entretanto, mencionar o uso dessas tecnologias para "alfabetizar", essa mesma população.
 
Nada se fala no uso dessas tecnologias no sentido de aproveitar sua potencialidade para incrementar programas voltados para incentivar a prática pedagógica, treinamento de professores e educadores para uma nova era de conquistas do saber, para um novo modelo de relacionamento nas salas de aulas, como uma nova possibilidade de alfabetizar uma massa de pessoas excluídas do processo formal.
 
Como exemplo de aplicação vejamos o caso do Estado da Bahia e, verifiquemos o enorme potencial de inserir essas tecnologias no auxílio para tentar reduzir esse enorme contigente de analfabetos que o estado possui:

População: 4.016.906 (2010)


População em idade escolar: 3.569.004 (2010)
 

Taxa de analfabetismo: 10 a 14 anos: 6,1% / 15 ou mais: 16,6%


 

                                    
Fonte: IBGE (Censo Demográfico 2010)


 
  que nem tudo são flores quando se fala no uso da TIC´S como agente de promoção e facilitação no processo ensino/aprendizagem. Nos países desenvolvidos, já se consegue detectar um novo fenômeno, que com acesso ampliado, o desperdício de tempo é o novo abismo digital.
 
Nos EUA, crianças pobres passam mais tempo brincando na internet do que usando tecnologia para fins educativos.

O termo "exclusão digital" surgiu na década de 1990 para descrever aqueles que não tinham acesso a tecnologia. A idéia era evidar esforços no sentido de levar as famílias de baixa renda as mais recentes ferramentas de computação.



Esses esforços diminuíram a exclusão, mas criaram um efeito colateral inesperado, surpreendente e preocupante para pesquisadores e formuladores de política, algo que o governo agora quer consertar.


Á medida que o acesso a dispositivos eletrônicos se espalhou, as crianças de famílias mais pobres começaram a passar consideravelmente mais tempo do que as crianças de famílias mais ricas na frente destes aparalhos. Seja para assistir programas ou jogar e se conectar a redes sociais, revelam os estudos
 Este crescente desperdício de tempo, segundo os pesquisadores e formuladores de políticas, é mais um reflexo da capacidade dos pais de monitorar e limitar como as crianças utilizam a tecnologia do que de acesso a ela.
O novo abismo provocou tamanha preocupação que a Comissão Federal de Comunicações está considerando gastar milhões de dólares para criar um corpo de alfabetização digital.
Este grupo de milhares de formadores será espalhado em escolas e bibliotecas para ensinar os pais e alunos a usar os computadores de maneira mais produtiva.
Como outros pesquisadores e formuladores de políticas, Boyd disse que o empurrão inicial para diminuir o abismo digital não considerou como os computadores seriam usados para entretenimento. "Não conseguimos prever isso", disse ela.
 
É o caso de se perguntar se tal fenômeno já não está acontecendo no Brasil?
O caso americano pode ser adotado no Brasil no que tanje à criação de um corpo de alfabetização digital?
 
Esses quetionamentos devem ser levados em consideração quando se quer debater seriamente Inclusão/Exclusão digital, no Brasil.

Uma outra variante é o custo do acesso, segundo a UNESCO, esses valores variam e muito, com o nível de desenvolvimento social dos países, se não, vejamos:
 

A variedade de ferramentas disponíveis certamente resultou no acesso mais fácil à informação e ao conhecimento, porém muitas pessoas têm este acesso negado devido à geografia ou à condição social. O custo anual de uma conexão à Internet, por exemplo, representa 1,2% do salário médio nos Estados Unidos, enquanto corresponde a 191% do salário médio em Bangladesh e 278% no Nepal.
A UNESCO reconhece a importância do acesso à informação e, portanto, apóia ações que visam dar às populações mais oportunidades de contribuir e de ter acesso aos fluxos de informação e conhecimento, rumo ao desenvolvimento da sociedade da informação.




 
 


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