segunda-feira, 1 de outubro de 2012

SOBRE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Muito se houve falar de alfabetização no cotidiano, por exemplo: o Brasil tem uma taxa de alfabetização de X% ou de analfabetismo de Y%, muito pouco se fala sobre letramento, a não ser nos círculos acadêmicos, notadamente, os relacionados aos linguistas.
 
Não vou entrar muito no mérito dos conceitos, vou escrever das minhas observações feitas ao longo dos meus anos (poucos), em sala de aula, observações essas, que terão um cunho bastante crítico da realidade vivida e presenciada.

Por mais que tenhamos uma oferta maior de possibilidades de fala e escrita, atualmente,  com a possibilidade da comunicação digital, o hipertexto e outros, observo uma dificuldade gritante dos alunos do nível médio, em escrever, dissertar e ler textos, interpretar questões, etc.

Não sei se isso tem ou não haver com o processo  de alfabetização, o fato é que essa constatação salta aos olhos, talvez, o modelo imposto pelo banco mundial onde a quantidade de alunos supostamente alfabetizados traduzidos em números, injeta mais recursos financeiros nos países, seja o fator preponderante para apenas olharmos esse processo todo, como números.

Mas, o que quer dizer ambos os termos: letramento, refere-se aos usos da língua escrita, não somente na escola, mas, em qualquer lugar, num ponto de ônibus, no comércio no serviço público, no trabalho, etc.
 
Como ressalta Magda Soares, em seu atexto, Letramento e Alfabetização: As muitas facetas.
 
"Destaca a diferença fundamental, que está no grau de ênfase posta nas relações entre as práticas sociais de leitura e de escrita e a aprendizagem do sistema de escrita, ou seja, entre o conceito de letramento e o conceito de alfabetização", onde podemos perceber que letramento é um conceito mais geral e nada tem a ver com método, entretanto, podemos associar alfabetização ao método, método de alfabetizar x, y, z, etc.
 
Esses dois conceitos têm implicações com o nível de desenvolvimento econômico e social de um país.
 
Por exemplo, nos países desenvolvidos fala-se muito em letramento, visto que, a maioria da população é alfabetizada (domina basicamente leitura e escrita), porém, não consegue entender ou interpretar um texto, nem tão pouco escrever de forma clara.
 
No caso dos países em desenvolvimento, caso do Brasil, há um grande contigente de pessoas que  sequer são alfabetizadas (não lêem ou escrevem), portanto, um número maior de pessoas não possuem letramento, o que muitos chamam de "analfabetos funcionais".
 
Analisando as últimas informações disponibilizadas pelo Censo de 2010 (os mais recentes disponíveis) mostram que 9,6% da população brasileira – um total de 13,9 milhões de brasileiros com mais de 15 anos – não sabem ler ou escrever.

Um estudo realizado recentemente na Universidade de São Paulo (USP) dá vida aos números apontados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como o perfil da maioria dos analfabetos do País. Ele mostra que a história de exclusão educacional dessas pessoas ainda na infância está ligada ao lugar onde a maioria morava: o campo.
 
Não só o acesso às escolas dificultou a alfabetização, como também a cultura passada de pai para filho.  
 
A maioria dos analfabetos é idosa e cresceu no campo. Os filhos, porém, estudam.
A vida posterior na cidade, no entanto, os impediu de reproduzir o pensamento dos pais: os filhos dos entrevistados não fazem parte das estatísticas do analfabetismo. “O estudo mostrou que as exigências do mundo do trabalho nas cidades fizeram com que eles passassem a valorizar a educação e a vissem como ferramenta de mobilidade social. Por isso, eles colocaram os filhos na escola e muitos ainda tentam estudar”,.
Mas, há um outro "bom fenômeno"  registrado pelas estatísticas oficiais: a redução do analfabetismo entre jovens. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2010 mostram que, nos últimos 10 anos, a taxa de analfabetismo entre jovens com 15 a 24 anos recuou de 10,1% para 4,6%. A grande maioria (92,6%) dos analfabetos brasileiros tem mais de 25 anos.

Entre os idosos (com 60 anos ou mais), o movimento foi inverso. A quantidade de analfabetos cresceu. Em 1999, 34,4% da população desse grupo não sabiam ler nem escrever e, dez anos depois, chegou a 42,6%. Os dados também revelam que 40,7% da população rural é analfabeta funcional – não consegue compreender o que lê. Na área urbana, a porcentagem é de 16,7%.


Bom pelo que se percebe há um trabalho árduo para reduzirmos esses números negativos da educação brasileira, cabe a todos os envolvidos, uma parcela mínima de sacrifício no enfrentamento dessa questão, entretanto, não podemos conceber que o MEC , lance um livro para leitura nas primeiras séries do ensino básico com um título de  “Nós pega o peixe”, ensina o livro didático de língua portuguesa “Por uma vida melhor”, de Heloísa Ramos. Essa com certeza não é melhor das alternativas de se buscar resolver a problemática. Esse livro, felizmente, teve sua distribuição suspensa pela presidente, diga-se, em boa hora.



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