quinta-feira, 11 de outubro de 2012

SOFTWARE LIVRE, É LIVRE, MESMO?

     Como de costume vou ater-me aos fatos que envolvem essa discussão e, não, os conceitos que na maioria das vezes retratam interesses; de mercado, acadêmicos e de publicação, ainda mais nessa área!!!!!
 
      Entretanto, devemos entender o que significa  o conceito de  "software livre" . Na aula da Profª Bonilla ficou claro e muito claro que software livre é quando temos acesso ao "programa fonte ou "código fonte" ou ao "software proprietário", esse acesso permite interagirmos, modificarmos, estabelecer novas aplicações a um software desenvolvido. É óbvio que essa noção de liberdade, acessibilidade, alteridade e outras "dades", não interessam as grandes corporações que atuam nesse setor, a exemplo da gigante americana "Microsoft", que tudo fazem com a anuência do governo americano, no sentido de desacreditar e desestimular o uso de um software livre.
 
     Particularmente tive experiências não muito boas com essa questão de propriedade intelectual, que retratarei em poucas linhas: trabalhei em uma empresa (privada e familiar) onde a maioria dos seus equipamentos (máquinas), eram adquiridas de um fabricante alemão líder no mercado mundial, esses equipamentos eram comprados num contrato de "know How" que dava ao fabricante além da venda do equipamento básico, garantia de venda de todas as peças sobressalentes, contratos de manutenção exclusiva e uma total exclusividade no software que vinha junto com um equipamento eletrônico chamado PLC (Programable Logic Controled), ou, em português, Controlador Lógico Programável, equipamento esse que controlava todas as funções da máquina desde o controle das variáveis como pressão, temperatura, até as questões operacionais e de produtividade, ou seja, era o cérebro. Esse PLC, era programável numa linguagem de automação muito utilizada chamada de linguagem Ladder, o problema todo era que esse programa era do tipo "proprietário", então, só podíamos alterar com a permissão do fabricante, mas, como essas máquinas eram vendidas para o mundo todo não havia especificidade para o comprador o que implicava  sempre na necessidade de se alterar partes do mesmo para adequá-lo às nossas conveniências operacionais. Entretanto, o engenheiro alemão que participava do start up (partida) do equipamento em nossa fábica quase sempre não tinha conhecimento de como fazer essas modificações, e que por necessidades de compromissos já assumidos de entrega de produção, carecia de uma resolução rápida do problema, portanto, eu e minha equipe de técnicos eram os que resolvíamos a pendenga. O engraçado que mesmo resolvendo a questão era o pessoal da Alemanha que "on line", fazia as correções com nossas alterações e não tínhamos acesso algum ao programa fonte. Provavelmente nossa solução era incorporada ao programa fonte e vendida com outras máquinas, a um novo comprador que tivesse o mesmo padrão de produção. No final das contas trabalhávamos de graça para essa empresa alemã, tentei argumentar com nossa diretoria no sentido de que esse trabalho revertesse se não para nós que resolvíamos o problema, para a empresa numa negociação de valores, descontos, etc., mas, o contrato permitia essa postura do fabricante alemão e isso continuou até o dia em que me neguei a fazer esse procedimento.
 
        Essa situação real mostra como os desenvolvedores de software atuam impondo suas regras principalmente aos países em desenvolvimento, fiquei estarrecido com a informação de que em 2010, se não estou enganado, houve uma transferência de divisas no valor de 5 (cinco) bilhões de dólares pagos a essas grandes companhias em licenças de software utilizados só pelo governo federal brasileiro. É uma quantia absurda que poderia seu usada na solução de alguns problemas sociais básicos do Brasil.
 
        Mas essa situação enseja numa grande discussão que ao meu ver vai um pouco adiante dessa utilização, que reafirmo importante; utilização do software livre. Refiro-me à necessidade imperiosa que o país tem de desenvolver políticas que facilitem à criação de empresas nacionais que possam na medida do possível fazer frente a esses grandes fornecedores mundiais e também focar em centros educacionais que possam formar engenheiros de softwares, programadores, pesquisadores que possam criar suportes básicos para essas empresas. Não podemos ficar também à sombra de softwares livres desenvolvidos fora do país, pois isso também não agrega conhecimento nem desenvolvimento.
 
         E na escola? Como podemos incentivar nossos jovens a participar desse movimento? Também temos um problema de formação, pois, nossos professores não têm aptidão alguma (ou melhor, não foram treinados), para incrementar o uso de um software livre, como também os computadores adquiridos já vem com outras plataformas (na maioria Windows) que por uso frequente, são normalmente utilizados.
 
         Concluindo acho importantíssimo que implementemos, indiquemos, trabalhemos, com os softwares livres, como uma forma de reação a essa situação posta e imposta pelos grandes fabricantes mundiais, também como uma possibilidade de contrabalancearmos essa grande desigualdade tecnológica entre países ricos e pobres.
 
      
 
 
     

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

SOBRE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Muito se houve falar de alfabetização no cotidiano, por exemplo: o Brasil tem uma taxa de alfabetização de X% ou de analfabetismo de Y%, muito pouco se fala sobre letramento, a não ser nos círculos acadêmicos, notadamente, os relacionados aos linguistas.
 
Não vou entrar muito no mérito dos conceitos, vou escrever das minhas observações feitas ao longo dos meus anos (poucos), em sala de aula, observações essas, que terão um cunho bastante crítico da realidade vivida e presenciada.

Por mais que tenhamos uma oferta maior de possibilidades de fala e escrita, atualmente,  com a possibilidade da comunicação digital, o hipertexto e outros, observo uma dificuldade gritante dos alunos do nível médio, em escrever, dissertar e ler textos, interpretar questões, etc.

Não sei se isso tem ou não haver com o processo  de alfabetização, o fato é que essa constatação salta aos olhos, talvez, o modelo imposto pelo banco mundial onde a quantidade de alunos supostamente alfabetizados traduzidos em números, injeta mais recursos financeiros nos países, seja o fator preponderante para apenas olharmos esse processo todo, como números.

Mas, o que quer dizer ambos os termos: letramento, refere-se aos usos da língua escrita, não somente na escola, mas, em qualquer lugar, num ponto de ônibus, no comércio no serviço público, no trabalho, etc.
 
Como ressalta Magda Soares, em seu atexto, Letramento e Alfabetização: As muitas facetas.
 
"Destaca a diferença fundamental, que está no grau de ênfase posta nas relações entre as práticas sociais de leitura e de escrita e a aprendizagem do sistema de escrita, ou seja, entre o conceito de letramento e o conceito de alfabetização", onde podemos perceber que letramento é um conceito mais geral e nada tem a ver com método, entretanto, podemos associar alfabetização ao método, método de alfabetizar x, y, z, etc.
 
Esses dois conceitos têm implicações com o nível de desenvolvimento econômico e social de um país.
 
Por exemplo, nos países desenvolvidos fala-se muito em letramento, visto que, a maioria da população é alfabetizada (domina basicamente leitura e escrita), porém, não consegue entender ou interpretar um texto, nem tão pouco escrever de forma clara.
 
No caso dos países em desenvolvimento, caso do Brasil, há um grande contigente de pessoas que  sequer são alfabetizadas (não lêem ou escrevem), portanto, um número maior de pessoas não possuem letramento, o que muitos chamam de "analfabetos funcionais".
 
Analisando as últimas informações disponibilizadas pelo Censo de 2010 (os mais recentes disponíveis) mostram que 9,6% da população brasileira – um total de 13,9 milhões de brasileiros com mais de 15 anos – não sabem ler ou escrever.

Um estudo realizado recentemente na Universidade de São Paulo (USP) dá vida aos números apontados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como o perfil da maioria dos analfabetos do País. Ele mostra que a história de exclusão educacional dessas pessoas ainda na infância está ligada ao lugar onde a maioria morava: o campo.
 
Não só o acesso às escolas dificultou a alfabetização, como também a cultura passada de pai para filho.  
 
A maioria dos analfabetos é idosa e cresceu no campo. Os filhos, porém, estudam.
A vida posterior na cidade, no entanto, os impediu de reproduzir o pensamento dos pais: os filhos dos entrevistados não fazem parte das estatísticas do analfabetismo. “O estudo mostrou que as exigências do mundo do trabalho nas cidades fizeram com que eles passassem a valorizar a educação e a vissem como ferramenta de mobilidade social. Por isso, eles colocaram os filhos na escola e muitos ainda tentam estudar”,.
Mas, há um outro "bom fenômeno"  registrado pelas estatísticas oficiais: a redução do analfabetismo entre jovens. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2010 mostram que, nos últimos 10 anos, a taxa de analfabetismo entre jovens com 15 a 24 anos recuou de 10,1% para 4,6%. A grande maioria (92,6%) dos analfabetos brasileiros tem mais de 25 anos.

Entre os idosos (com 60 anos ou mais), o movimento foi inverso. A quantidade de analfabetos cresceu. Em 1999, 34,4% da população desse grupo não sabiam ler nem escrever e, dez anos depois, chegou a 42,6%. Os dados também revelam que 40,7% da população rural é analfabeta funcional – não consegue compreender o que lê. Na área urbana, a porcentagem é de 16,7%.


Bom pelo que se percebe há um trabalho árduo para reduzirmos esses números negativos da educação brasileira, cabe a todos os envolvidos, uma parcela mínima de sacrifício no enfrentamento dessa questão, entretanto, não podemos conceber que o MEC , lance um livro para leitura nas primeiras séries do ensino básico com um título de  “Nós pega o peixe”, ensina o livro didático de língua portuguesa “Por uma vida melhor”, de Heloísa Ramos. Essa com certeza não é melhor das alternativas de se buscar resolver a problemática. Esse livro, felizmente, teve sua distribuição suspensa pela presidente, diga-se, em boa hora.