Como de costume vou ater-me aos fatos que envolvem essa discussão e, não, os conceitos que na maioria das vezes retratam interesses; de mercado, acadêmicos e de publicação, ainda mais nessa área!!!!!
Entretanto, devemos entender o que significa o conceito de "software livre" . Na aula da Profª Bonilla ficou claro e muito claro que software livre é quando temos acesso ao "programa fonte ou "código fonte" ou ao "software proprietário", esse acesso permite interagirmos, modificarmos, estabelecer novas aplicações a um software desenvolvido. É óbvio que essa noção de liberdade, acessibilidade, alteridade e outras "dades", não interessam as grandes corporações que atuam nesse setor, a exemplo da gigante americana "Microsoft", que tudo fazem com a anuência do governo americano, no sentido de desacreditar e desestimular o uso de um software livre.
Particularmente tive experiências não muito boas com essa questão de propriedade intelectual, que retratarei em poucas linhas: trabalhei em uma empresa (privada e familiar) onde a maioria dos seus equipamentos (máquinas), eram adquiridas de um fabricante alemão líder no mercado mundial, esses equipamentos eram comprados num contrato de "know How" que dava ao fabricante além da venda do equipamento básico, garantia de venda de todas as peças sobressalentes, contratos de manutenção exclusiva e uma total exclusividade no software que vinha junto com um equipamento eletrônico chamado PLC (Programable Logic Controled), ou, em português, Controlador Lógico Programável, equipamento esse que controlava todas as funções da máquina desde o controle das variáveis como pressão, temperatura, até as questões operacionais e de produtividade, ou seja, era o cérebro. Esse PLC, era programável numa linguagem de automação muito utilizada chamada de linguagem Ladder, o problema todo era que esse programa era do tipo "proprietário", então, só podíamos alterar com a permissão do fabricante, mas, como essas máquinas eram vendidas para o mundo todo não havia especificidade para o comprador o que implicava sempre na necessidade de se alterar partes do mesmo para adequá-lo às nossas conveniências operacionais. Entretanto, o engenheiro alemão que participava do start up (partida) do equipamento em nossa fábica quase sempre não tinha conhecimento de como fazer essas modificações, e que por necessidades de compromissos já assumidos de entrega de produção, carecia de uma resolução rápida do problema, portanto, eu e minha equipe de técnicos eram os que resolvíamos a pendenga. O engraçado que mesmo resolvendo a questão era o pessoal da Alemanha que "on line", fazia as correções com nossas alterações e não tínhamos acesso algum ao programa fonte. Provavelmente nossa solução era incorporada ao programa fonte e vendida com outras máquinas, a um novo comprador que tivesse o mesmo padrão de produção. No final das contas trabalhávamos de graça para essa empresa alemã, tentei argumentar com nossa diretoria no sentido de que esse trabalho revertesse se não para nós que resolvíamos o problema, para a empresa numa negociação de valores, descontos, etc., mas, o contrato permitia essa postura do fabricante alemão e isso continuou até o dia em que me neguei a fazer esse procedimento.
Essa situação real mostra como os desenvolvedores de software atuam impondo suas regras principalmente aos países em desenvolvimento, fiquei estarrecido com a informação de que em 2010, se não estou enganado, houve uma transferência de divisas no valor de 5 (cinco) bilhões de dólares pagos a essas grandes companhias em licenças de software utilizados só pelo governo federal brasileiro. É uma quantia absurda que poderia seu usada na solução de alguns problemas sociais básicos do Brasil.
Mas essa situação enseja numa grande discussão que ao meu ver vai um pouco adiante dessa utilização, que reafirmo importante; utilização do software livre. Refiro-me à necessidade imperiosa que o país tem de desenvolver políticas que facilitem à criação de empresas nacionais que possam na medida do possível fazer frente a esses grandes fornecedores mundiais e também focar em centros educacionais que possam formar engenheiros de softwares, programadores, pesquisadores que possam criar suportes básicos para essas empresas. Não podemos ficar também à sombra de softwares livres desenvolvidos fora do país, pois isso também não agrega conhecimento nem desenvolvimento.
E na escola? Como podemos incentivar nossos jovens a participar desse movimento? Também temos um problema de formação, pois, nossos professores não têm aptidão alguma (ou melhor, não foram treinados), para incrementar o uso de um software livre, como também os computadores adquiridos já vem com outras plataformas (na maioria Windows) que por uso frequente, são normalmente utilizados.
Concluindo acho importantíssimo que implementemos, indiquemos, trabalhemos, com os softwares livres, como uma forma de reação a essa situação posta e imposta pelos grandes fabricantes mundiais, também como uma possibilidade de contrabalancearmos essa grande desigualdade tecnológica entre países ricos e pobres.
Santana, essa tua experiência é muito importante, porque dá a dimensão do problema enfrentado no país.
ResponderExcluirAgora, quando falamos de software livre, é quase impossível pensar em centralidade de produção, pois eles são desenvolvidos por comunidades colaborativas, cujos membros estão espalhados pelo mundo. Portanto, considero ser este modelo de produção muito mais democrático.
Abraços