domingo, 27 de maio de 2012

O PODER DOS QUIETOS

O Poder dos Quietos

1a. edição, 2012
Susan Cain
Agir
Um dos livros mais vendidos do ano nos Estados Unidos segundo o jornal  The New York Times, O poder dos quietos, da americana Susan Cain,  lançado no Brasil pela Editora Agir, mostra que a introversão é  ingrediente fundamental para a criatividade e a inovação. Embasada por  estudos científicos, além de ter realizado um extenso trabalho de  pesquisa, a autora afirma que nossa sociedade vem transformando escolas e  escritórios em instituições dedicadas a extrovertidos - arquétipo que  tem se revelado um grande desperdício de talento, energia e felicidade.
O sistema de valores contemporâneo segue a crença de que todos  precisariam se sentir confortáveis sob a luz dos holofotes. A  introversão vem sendo encarada como um traço de personalidade de segunda  classe, praticamente como uma patologia. O que o leitor descobre em O  poder dos quietos é que está cometendo um erro grave ao abraçar esse  ideal. Algumas das maiores ideias humanas - da teoria da evolução aos  girassóis de Van Gogh e os computadores pessoais - vieram de pessoas  quietas que sabiam como se comunicar com seus universos interiores. Sem  os introvertidos não haveria a teoria da relatividade, os noturnos de  Chopin, o Google.
O temperamento extrovertido é atraente, mas, segundo Susan, foi  transformado em um padrão opressivo que muitos, mesmo contra sua própria  essência, se acham obrigados a adotar. Tal ponto de vista surge  fundamentado pelas mais recentes pesquisas nas áreas da psicologia e da  neurociência, que têm apresentado ideias iluminadoras: os introvertidos,  por exemplo, sentem-se confortáveis com menos estímulo, como quando  resolvem palavras cruzadas ou leem um livro; já os extrovertidos gostam  da vibração extra de atividades como conhecer pessoas novas e esquiar em  montanhas perigosas.
Especialistas afirmam também que os dois tipos trabalham de maneiras  diferentes. Os extrovertidos tendem a terminar tarefas em pouco tempo,  tomando decisões rápidas, enquanto os introvertidos costumam atuar de  forma mais lenta e ponderada, focando-se em uma tarefa de cada vez.  "Pessoas introvertidas são pensadores atentos e reflexivos, capazes de  tolerar a solidão que a produção de ideias requer. A implementação  dessas boas ideias, por sua vez, implica em cooperação, e introvertidos  são mais propensos a preferir ambientes cooperativos, enquanto os  extrovertidos costumam favorecer a competição", afirma a autora.
Na primeira parte do livro, Susan trata justamente do "Ideal da  Extroversão", abordando o poder do trabalho solitário e o mito da  liderança carismática. A questão do que chamamos de "temperamento" surge  como ponto central do módulo seguinte, que, mostrando que introvertidos  e extrovertidos pensam e processam dopamina de maneiras distintas,  envolve biologia e estudos de personalidade. Já na parte três o assunto  recebe um olhar cultural em um debate que envolve amor, trabalho e  educação - sempre por meio de uma acurada e delicada observação do dia a  dia.
O livro esclarece ainda algumas dúvidas comuns, mostrando que um  introvertido não é necessariamente um eremita ou um misantropo. Nem  mesmo a palavra "timidez" pode ser tida como um sinônimo de  "introversão": esta é o medo da desaprovação social e da humilhação,  enquanto aquela é a preferência por ambientes onde não predominam os  estímulos externos. Ao contrario da introversão, a timidez é  inerentemente dolorosa.
Assim com acontece com outros opostos complementares (masculinidade e  feminilidade, Ocidente e Oriente, liberais e conservadores), a  humanidade seria irreconhecível sem a divisão entre introvertidos e  extrovertidos. Poetas e filósofos têm pensando sobre o assunto desde o  início dos tempos, sendo que os dois tipos aparecem na Bíblia e em  escritos da antiguidade clássica. O poder dos quietos, assim, leva o  leitor a se aprofundar no comportamento humano e mudar a maneira pela  qual enxerga a si mesmo.

FONTE: http://livraria.folha.com.br/catalogo/1178141/o-poder-dos-quietos

terça-feira, 15 de maio de 2012

MOBILIDADE

REFLEXÕES DE UM MESTRANDO
MOBILIDADE
Ao iniciar minhas considerações sobre o tema gostaria de me reportar ao texto postado em seu blog, pela colega Sigmar, onde, muito pertinentemente ela frisa que a mobilidade tem um aspecto da tecnologia incorporada em seu desenvolvimento e, isso, depende da miniaturização dos componentes eletrônicos, principalmente os “microprocessadores”, que são chips atuando como cérebros: recebem, processam, controlam e ativam bits de informações digitais.
A revolução da miniaturização dos componentes eletrônicos chegou com a “nanotecnologia”, possibilitando o desenvolvimento de transistores menores, a exemplo do processador Pentium 4, lançado em janeiro de 2002, trabalha com frequências de 1300 a 4000 MHz, com 55 milhões de transistores CMOS 130 nm. A série de chips Radeon 2000, por exemplo, atinge os 500 milhões de transistores, chegando à casa dos 40 nm.
 A Placa de vídeo da AMD Radeon HD 6870, lançada em outubro de 2010, trabalha com frequências de 900Mhz na CPU, 4200Mhz de frequência de Memória GDDR5 interface 256Bits, atinge os 1,7 Bilhões de transistores, com processo de fabricação de 40 nm e um Core de 255 mm2.
Com essa condição tecnológica todos os equipamentos das chamadas TIC’s, puderam ser produzidos em menor escala e com a possibilidade de convergir várias mídias em um só equipamento.
É o caso do telefone celular que no seu projeto original possibilitava apenas a comunicação por voz, atualmente, permite ao seu usuário amplas possibilidades de envio de texto (SMS), imagens, dados, etc.
E o que dizer dos computadores? Lembram-se do ENIAC? Hoje temos computadores portáteis (laptops), com os quais podemos acessar a internet por fios ou WI-FI, temos a tecnologia bluetooth, palms, GPS e tantas outras.
E quais são os impactos dessas tecnologias que permitem a mobilidade social nas cidades e nos espaços urbanos?
Nesse caso inicio a discussão com um parágrafo de André Lemos em Cidade e Mobilidade, Telefones Celulares, Funções Pós-massivas e Territórios Informacionais:
“As mídias reconfiguram os espaços urbanos, os subúrbios, os centros, dinamizam o transporte público e tornam mais complexo esse organismo-rede que são as cidades”.
A mobilidade social, a relação com o espaço urbano e as formas comunicacionais passam por transformações importantes na atual fase da sociedade da informação. O desenvolvimento dos meios de comunicação se dá na própria dinâmica da industrialização e da urbanização da era moderna.
As mídias reconfiguram os espaços urbanos, os subúrbios, os centros, dinamizam o transporte público e tornam mais complexo esse organismo-rede que são as cidades.
Mobilidade e cidade são indissociáveis. “Essa relação é uma constante, mas novas dimensões emergem com as novas tecnologias digitais e as redes telemáticas”.
O relacionamento entre essas novas mídias que são chamadas pós-massivas, pois permitem interatividade, fazem emergir novas formas sociais, desterritorializam espaços geográficos, espaços físicos característicos das mídias massivas que prendem o receptor a uma geografia de territórios.
Essas novas mídias pós-massivas criam novas formas sociais atemporais, desterritorializadas, a partir de três princípios fundamentais da cibercultura:
A liberação da emissão, a conexão generalizada e a reconfiguração das instituições e da indústria cultural de massa (Lemos, 2004, 2005).
O grande vetor da mobilidade é com certeza a tecnologia WI-FI, essa permite a evolução do binômio cidade-comunicação acompanhando o desenvolvimento das tecnologias de comunicação.
E ainda segundo Lemos:
“Se as cidades da era industrial constituem sua urbanidade a partir do papel social e político das mídias de massa, as cibercidades contemporâneas estão constituindo sua urbanidade a partir de uma interação intensa (e tensa) entre mídias de função massiva e as novas mídias de função pós-massiva”.
Nesse contexto o poder público, tem uma grande parcela de responsabilidade em prover a todos os cidadãos brasileiros a possibilidade de uso dessas novas tecnologias de comunicação digital, nesse país de dimensões continentais, há localidades distantes das grandes metrópoles, exigindo uma ação dos governantes.
Já vemos em algumas cidades do interior, principalmente, a instalação de cobertura WI-FI, possibilitando aos seus moradores acesso à internet, telefonia celular móvel e outros, que de certa forma contribuem para engajar esses brasileiros.
Também há de se destacar que a despeito do custo de banda larga e telefonia celular móvel serem absurdamente caros, o nosso país se destaca pela grande demanda de mídias pós-massivas, o que nos coloca a frente de países desenvolvidos no uso desses recursos.
Com certeza com a produção em grande escala os custos serão barateados, o que permitirá maior acesso a cada brasileiro.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

IFBA coorganiza evento sobre jogos eletrônicos

O IFBA está como coorganizador do VIII Seminário Jogos Eletrônicos, Educação e Comunicação: construindo novas trilhas, que acontece nos dias 9 e 10 de julho, no auditório do Departamento de Educação (DEDC), do campus I da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Salvador. A organização é do grupo de pesquisa Comunidades Virtuais de Aprendizagem da DEDC.

Podem ser conferidas palestras, mesas-redondas, apresentação de trabalhos e mostra de jogos eletrônicos. Os interessados em inscrever trabalhos têm até dia 20 de maio para enviar resumo do trabalho para o e-mail games@comunidadesvirtuais.pro.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , de acordo com as orientações recomendadas aqui.

Em relação à mostra de jogos, é preciso encaminhar um e-mail para games@comunidadesvirtuais.pro.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , com o nome do jogo, a sinopse do game, os responsáveis pela produção e a instituição à qual estão vinculados, e enviar um CD com o game para o DEDC até dia 31 de maio. Mais informações podem ser obtidas aqui.
 

TECNOLOGIA ASSISTIVA

REFLEXÕES DE UM MESTRANDO
TECNOLOGIA ASSISTIVA
Começaremos nossas observações sobre o tema reescrevendo a definição de Tecnologia Assistiva do autor Lauand:
“O conceito de Tecnologia Assistiva diferencia-se de toda a tecnologia médica ou de reabilitação, por referir-se a recursos ou procedimentos pessoais, que atendem a necessidades diretas do usuário final, visando sua independência e autonomia. Já os recursos médicos ou de reabilitação visam o diagnóstico ou tratamento na área da saúde, sendo, portanto, recursos de trabalho dos profissionais dessa área. Os objetivos da Tecnologia Assistiva, portanto, apontam normalmente para recursos que geram autonomia pessoal e vida independente do usuário”.
Definição da ISSO 9999:2002
“A ISO 9999:2002 define Ajudas Técnicas como: qualquer produto, instrumento, equipamento ou sistema tecnológico, de produção especializada ou comumente à venda, utilizado por pessoa com deficiência para prevenir, compensar, atenuar ou eliminar uma deficiência, incapacidade ou desvantagem (ISO 9999:2002)”.
Outra definição da CAT, 2007.c:
“Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2007.c)”.
De acordo com todas essas definições o que tiro de importante é que a sociedade encara o problema do auxílio aos portadores de deficiências, sejam elas quais forem como uma forma de reinserir esse indivíduo no contexto social.
No contexto da Educação como exemplo, posso descrever minha experiência no ano de 2010, no IFBA Salvador, onde em uma turma do segundo ano médio tive um aluno com paraplegia (deficiência de locomoção e movimento dos membros inferiores).
Esse aluno obviamente passava por dificuldades em chegar à sala de aula, pois essa sala era no primeiro andar do prédio, mesmo usando o elevador da escola havia toda uma necessidade de colegas o ajudarem nesse acesso.
Porém a maior dificuldade era exatamente na escrita, pois, o mesmo apresentava dificuldades motoras na coordenação de seus movimentos com as mãos.
Na primeira avaliação teórica da primeira unidade notei que essa dificuldade o fazia ser sempre o último a entregar sua prova e, muito depois do tempo estipulado para encerramento da avaliação.
Diante dessa situação resolvi que todas as avaliações teóricas seriam feitas em sua casa, com o mesmo anotando os horários de início e final da resolução.
Não sei se fiz bem, mas, entendi que naquele momento era o que eu podia fazer para ajuda-lo.
Recentemente o encontrei no IFBA, estagiando no Departamento de Ensino e ao encontrar-me agradeceu a oportunidade que lhe proporcionei, dizendo-me que havia passado no vestibular de Tecnologia da Informação, naquele momento senti que minha ação foi a mais correta.
Nas aulas de laboratório as dificuldades eram maiores, pois, não havia bancadas preparadas para receber esse aluno, o que de certa forma me entristecia, vendo sua dificuldade em acompanhar as aulas junto com seus colegas.
É claro que no Brasil a despeito de toda legislação bem intencionada, a utilização dos recursos e da tecnologia estão muito aquém da real necessidade dos portadores de deficiências, mesmo no cotidiano, há inúmeros obstáculos que se interpõem no caminho dessas pessoas.
Nas salas de aulas então, o descaso é maior. Além da falta de estrutura física, da preparação de professores aptos a trabalhar com os alunos portadores de deficiências, podemos dizer que o uso da Tecnologia Assistiva passa longe desse contexto.
Lembro-me do físico Inglês (foto abaixo), Stephen Hawking, que não possui movimentos, fala, coordenação motora, mas, mesmo assim, comunica-se com o mundo exterior.
Stephen Hawking é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da atualidade.
Doutor em cosmologia foi professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge (posto que foi ocupado por Isaac Newton). Depois de atingir a idade limite para o cargo, tornou-se professor lucasiano emérito daquela universidade.
Atualmente, Hawking encontra-se incapacitado em razão de uma esclerose lateral amiotrófica (ELA), que o impede de manter suas atividades científicas. Sua condição se agravou ao longo dos anos, e ele está quase que completamente paralisado utilizando vários recursos da Tecnologia Assistiva para se comunicar.

Desse exemplo podemos entender que há tecnologia e recursos que podem ser utilizados para proporcionar uma vida mais digna para os portadores de deficiências.

domingo, 13 de maio de 2012

REFLEXÕES DE UM MESTRANDO - CONVERGÊNCIA

REFLEXÕES DE UM MESTRANDO
CONVERGÊNCIA
A ideia de convergência digital nos remete a um processo  de intensa aplicação da tecnologia digital como plataforma de disseminação da comunicação humana, mediada pelos recursos dessa tecnologia.
Esses recursos de infraestrutura que são dominados pelas indústrias midiáticas, que têm na mass comunicação o poder de emissão, portanto, tornando o processo unidirecional, linear deixando o receptor sem condições de efetivamente participar ou “transgredir” do que é publicado, escrito, falado e televisionado.
Essa revolução na informação e na comunicação, chamado “revolução informacional”, ainda bem que acontece e continua acontecendo num cenário de convergência digital, que vem se contrapor ao modelo vigente, criando condições de um processo informacional aberto, participativo, interativo, baseado na liberdade dos espaços democráticos de produção, desenvolvimento e distribuição.
A grande diferença entre os modelos de mass comunicação e a comunicação digital está na forma de estruturação da última, onde não há controle do fluxo informacional, também não pode impedir o surgimento de portais e sites independentes e desvinculados do poder político e econômico, o que nos dá condições de um maior controle sobre as decisões tomadas pelo poder político e econômico.
Com relação à interconecção da esfera pública em relação à esfera pública da mass comunicação, ficamos com o autor Yochai Benkler: “Yochai Benkler (2006), no livro The wealth of networks, buscou demonstrar que a esfera pública interconectada é potencialmente mais democrática que a esfera pública dominada pelos mass comunicação”.
Benkler definiu a esfera pública como um “quadro de práticas que os membros além das redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder de uma sociedade usam para comunicar questões que eles entendem ser de interesse público e que potencialmente requerem uma ação ou reconhecimento coletivos”.
Não podemos deixar de levar em conta o poder gigantesco da indústria da comunicação que tenta controlar todos os recursos e a infraestrutura para manter seu monopólio.
Essa intenção é claramente vista nos processos de fusão e aquisição que grandes grupos econômicos têm feito no sentido de manter a hegemonia nesse processo.
Com relação ao cidadão comum que deve ser o grande beneficiário dessa tecnologia de convergência, vê os meios de interatividade ser cada vez mais envolvidos e desenvolvidos com praticamente todas as formas de comunicação sendo colocadas a sua disposição, em equipamentos mais versáteis, interativos e convergentes, a exemplo do telefone celular, que em menos de vinte anos teve um desenvolvimento muito grande na sua tecnologia de comunicação e disponibilidade de uso de outras mídias; como a internet, o uso de redes sociais, até veículos de mass comunicação como rádio e tv, serem colocados a sua disposição.
Isso permite uma possibilidade de envolvimento maior com as questões sociais presentes no nosso dia a dia, um maior controle do poder do estado, dos órgãos governamentais, o controle maior sobre as questões do meio ambiente, enfim, permite uma participação mais democrática nas decisões que afetam a todos nós.



sábado, 12 de maio de 2012

REFLEXÕES DE UM MESTRANDO
Interatividade
Pessoalmente penso que o termo “interatividade”, aparece com as TIC’s.
Embora haja discordância de muitos autores sobre essa ligação com as mídias digitais, sou da tese que o termo só começa a ser usado e tem sentido a partir dessa relação.
O termo “interação” é bem mais antigo, tem a ver com as relações sociais que existe entre entes para estabelecimento de qualquer influência mútua (Primo & Cassol, 1999).
À parte das discussões sobre os conceitos, onde sempre teremos novas contribuições a partir do próprio avanço das TIC’s, não me arriscarei mais em discutir novos conceitos.
É interessante ouvir e ler de muitos autores a respeito dos veículos de mass comunicação, afirmando não terem os mesmos a condição de promover a interatividade, pois, a programação é totalmente dirigida; não deixando possibilidades para que o receptor possa alterar, dialogar, desviar, participar, etc., do fluxo comunicacional.
Entretanto, posso criar um exemplo sobre uma programação digamos o “Jornal Nacional”, da rede globo, que ao exibir uma reportagem que cause consternação em seus expectadores, pode vir a gerar em alguns expectadores a motivação para o debate com outros cidadãos ou mesmo a criação de uma rede de colaboração para ajudar pessoas em dificuldades como os fatos acontecidos recentemente envolvendo catástrofes naturais.
Dessa forma entendo que mesmo numa programação dirigida, há possibilidades de estabelecimento de um processo de interatividade.
Sem dúvida o avanço das TIC’s proporcionou uma revolução no modo de interagir da sociedade, novas possibilidades de conhecimento, novas possibilidades de relacionamentos sociais para os mais diversos fins, novas culturas foram agregadas, novos comportamentos sociais foram germinados, basta ver a relação da geração Y com a internet e as redes sociais.
É importante que nós enquanto educadores possamos entender, participar, facilitar, e interagir com essas novas tendências dentro das escolas.
O grande questionamento que fica é como fazer essa interface em escolas em que na maioria das vezes não possui a estrutura física adequada, quanto mais professores preparados para tratar desses novos rumos da educação.
Como afirma o autor do texto recomendado para leitura: “Para a educação, a compreensão desses conceitos e contextos é de fundamental importância, uma vez que a relação pedagógica é uma relação entre seres humanos imersos numa determinada cultura, por isso mesmo transformadores dela”. Logo, a todos os sujeitos da educação deve ser oportunizada essa abertura a um “mais comunicacional”.
Prosseguindo: “As TIC’s e a sala de aula já estão imbricadas, sendo que nesse processo estão se configurando novos contextos que vêm problematizar e potencializar as relações pedagógicas”. Nesse sentido, elas não vêm para solucionar os problemas educacionais, mas sim trazer novas questões para o debate, uma outra visão do processo pedagógico.
Abordarei os efeitos dessa nova “tendência” nas salas de aulas, objeto de minha preocupação constante.
Recentemente ao iniciar mais um ano letivo no IFBA (Camaçari), deparei-me com duas turmas do primeiro ano na modalidade integrada: curso técnico mais segundo grau, onde setenta por cento (70%) dos alunos são repetentes e extremamente desmotivados com a continuidade do curso, numa conversa de primeira aula, perguntei-lhes quais suas dificuldades em disciplinas mais prementes que os fizeram não serem aprovados, em uníssono responderam: Matemática, Português bem como as disciplinas técnicas.
Perguntei-lhes se alguém não gostava de estudar, para minha frustação, uma média de quatro alunos nas turmas disse só estudar por que eram obrigados.
Duas alunas ainda disseram gostar mais do face book do que estudar.
Fiquei pensando a respeito das respostas dessas alunas, e aí, é inegável constatar o apelo que a internet e as redes sociais operam nos jovens ao ponto de lhes retirar todo foco para os estudos. Isso é positivo? O fato é que a escola atual deve contrapor novos modelos de aulas (mais interativas?) para que nós professores tenhamos condições de num processo mais dialético focar os mesmos saberes, porém, utilizando as TIC’s como nossas aliadas.
E assim como reescrevo parte do texto que considero validar minha preocupação com o estágio atual da educação em que estamos inseridos:
“Tomando a ideia do hipertexto e da interatividade como metáfora no campo educacional, podemos pensar numa educação que redefina os papeis de autor e leitor, de leitura e escrita, de ensino e aprendizagem, de professor e aluno no âmbito da escola”. Aqui as práticas mais convencionais de aquisição sequenciada da informação vão perdendo espaço para uma dinâmica não linear, permitindo que o aluno construa uma rede de saberes a partir das múltiplas interações que ele vai estabelecendo com essas informações, que não mais são estabelecidas a partir de um único polo irradiador. Nessa perspectiva ele deixa de ser um espectador passivo para ser um sujeito operativo, participativo, construindo conhecimento de forma coletiva, explorando os territórios do saber, sem as tradicionais fronteiras impostas pela disciplinarização. Para isso as escolas precisam estar afinadas com um modelo de aprendizagem mais integrada, onde os sujeitos participem ativamente na construção e reconstrução do conhecimento, abandonando os velhos esquemas reducionistas nos quais se valoriza o ensino por memorização, fragmentado nas disciplinas.
O professor aqui será um parceiro de trabalho, que não mais ordena, ou dita os comandos para que os alunos executem. Ele passa a ser um coautor do processo de ensino, e juntamente com os alunos, vai estimulando uma educação problematizadora, investigativa, buscando as diferentes visões sobre o conhecimento, a cultura, para então a escola se tornar um espaço de “[...] todas as vozes, de todas as falas e de todos os textos; a tecnologia ajuda a derrubar os seus murros e suas grades, ao propor links que vencem as distâncias e janelas que iluminam e expandem a sala de aula.” (Ramal, 2002: 254). Só assim poderemos pensar uma escola que esteja afinada com os valores de uma nova geração ávida por descobertas, trazidas pelas novas possibilidades de comunicação.
“Experimentar outras educações com as TIC’s, implica superação da visão fragmentada do conhecimento, e as práticas educacionais homogeneizadoras que tradicionalmente configuram nossas escolas”.


sábado, 5 de maio de 2012

REFLEXÕES DE UM MESTRANDO sobre objetos de aprendizagem.

REFLEXÕES DE UM MESTRANDO sobre objetos de aprendizagem.
Meus caros Júlio e Daniel:
No blog de Júlio, li algumas definições sobre Objetos de Aprendizagem, a postada abaixo se encaixa no que eu humildemente, posso dizer que entendo um pouco.
'(...) a definição de Wiley (2002: 6) na qual afirma que um objeto de aprendizagem “… é um qualquer recurso digital que pode ser reutilizado para suportar a aprendizagem" [...] O fato de os objetos de aprendizagem serem formados preferencialmente por unidades de formato reduzido que, no entanto, são dotadas de um modelo organizacional próprio num quadro pedagógico, permite e encoraja a sua utilização numa perspectiva flexível das configurações dos processos de instrução e aprendizagem'.  Paulo Dias.
Vou falar do meu entendimento prático sobre tal assunto. No atual estágio do processo ensino-aprendizagem, a importância do uso do Objeto de Aprendizagem (OA) é fundamental para o estabelecimento de um processo cognitivo de aprendizagem e construção do conhecimento.
Entretanto, o que vemos hoje são sistemas fechados que não permitem alteração e adequação de conteúdos.
Normalmente, falando do MEC, esses objetos são elaborados por programadores sem a presença de um especialista da área, o que torna o conteúdo pouco chamativo aos interesses dos alunos.
Os conteúdos não são apresentados de forma a levar em conta a grande riqueza cultural do país, as peculiaridades de cada região, o que contribui para seu pouco sucesso. A questão do feedback é outro problema a ser destacado, esses “pacotes” são adquiridos e não há um retorno de informações aos desenvolvedores, para lhes proporcionar condições de aperfeiçoamento dos seus OAs.
Mas, há de ressaltar que no caso dos cursos profissionais do IFBA, temos a nossa disposição algumas dessas ferramentas que nos auxiliam muito no nosso dia a dia, principalmente os softwares aplicativos de simulação de funcionamento de equipamentos e máquinas, que vão nos proporcionar uma interatividade maior entre teoria e prática, dando ao aluno uma condição de melhor aproveitamento do conteúdo estudado.
E continuando com Paulo Dias:
“Emerge deste processo de mudança a possibilidade de o ambiente on-line constituir não só o suporte para as atividades do indivíduo e do grupo, mas uma interface para o conhecimento. Esta interface surge da valorização dos contextos através da fusão entre ambiente e contexto, sendo este, agora, o espaço para a definição das atividades colaborativas e para a modelação dos processos cognitivos da aprendizagem e construção do conhecimento. O ambiente deixa de ser um suporte para a transmissão de conhecimento, mas o contexto para a produção colaborativa desse mesmo conhecimento”.
Esta interface é um meio para construir coisas com significado, ligando as aprendizagens aos contextos e lugares do conhecimento promovendo, deste modo, a aproximação entre os espaços da aprendizagem e os da sua aplicação (Fischer, 2000). É assim um instrumento de modelação cognitiva das redes de representação de conhecimento e um meio para o desenvolvimento das socializações dos membros das comunidades no espaço do virtual. E ganha uma nova importância na medida em que o seu papel é cada vez mais importante na transferência do conhecimento para os espaços profissionais, flexibilizando as ligações entre o espaço e o tempo das aprendizagens em ordem ao desenvolvimento das redes colaborativas de partilha e inovação.




HIPERTEXTRUALIDADE

HIPERTEXTUALIDADE
CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO HIPERTEXTO
1945: MEMEX (Memory Extension – Extensão da Memória)
Maquina visionária pensada por Vannevar Bush enunciada em 1945, em um artigo chamado: “As We May Think”?
Observando a mente humana operando sempre por associações, ela pula de uma representação para outra ao longo de uma rede intricada, desenha trilhas que se bifurcam, Bush imaginou e descreveu, de maneira detalhada, uma máquina capaz de estocar montanhas de informações, fácil e rapidamente alcançáveis. Tal engenho, concebido para suprir as “falhas da memória humana”, através de recursos mecânicos, é considerado o precursor da ideia de Hipertexto.
1965: Hipertexto, termo enunciado pela primeira vez por Theodore Nelson, discípulo de Vannevar Bush, cunhou o termo para exprimir a ideia de escrita/leitura não linear em um sistema de informática.
Concebeu o projeto Xanadu (http://xanadu.com/),  imaginou uma imensa rede de informações acessível em tempo real, contendo todo o saber literário e científico do mundo a que milhares de pessoas poderiam se conectar para ler, escrever, comentar, interagir, estudar, utilizando-se de todos os recursos nela disponíveis, compostos não só de textos, mas de imagens e sons. O projeto de Nelson se constitui num avanço considerável em relação ao Memex de Vannevar Bush, de certa forma, se concretiza com a internet.
Ainda na década de 1960, Douglas Engelbardt cria o NLS (oN Line System).
1969: Surgimento da Internet (Secretaria de Defesa dos EUA)
1989: Criação da World Wide Web ( Tim Berners-Lee / Físico Inglês).
DEFINIÇÃO DE HIPERTEXTO
Theodore Nelson foi quem cunhou o termo “Hipertexto”:
Ele concebia o Hipertexto como sendo, ao mesmo tempo, um sistema material e uma tecnologia intelectual, em que o agente humano interage com as informações que ele mesmo faz nascer de um percurso (navegação) virtual e que as modifica em função de suas representações (sistemas de crenças, valores, ideologias) e suas demandas circunstanciais.
A pesquisadora em educação Ilana Snyder, da Universidade Monash na Austrália, assim define Hipertexto:
“É um medium de informação que existe apenas on-line num computador. É uma estrutura composta de blocos de textos conectados por nexos (links) eletrônicos que oferecem diferentes caminhos para os usuários. O Hipertexto providencia um meio de arranjar a informação de uma maneira não linear, tendo o computador como o automatizador das ligações de uma peça de informação com outra”. Quando a estrutura hipertextual acomoda não apenas texto impresso, mas também sons digitalizados, gráficos, animações e realidade virtual, é também designado como hipermídia ou multimídia (p.126).
O filósofo Francês Pierre Lévy constrói uma definição extremamente técnica do Hipertexto. Para ele:
“Tecnicamente o Hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser Hipertextos. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. Navegar em um Hipertexto significa, portanto, desenhar um percurso em uma rede que pode, por sua vez, conter uma rede inteira (1993 – p33)”.
TIPOS DE HIPERTEXTO
Michael Joyce (1995) distingue dois tipos de Hipertexto:
Os Hipertextos exploratórios seriam aqueles produzidos para levar a audiência a controlar um conjunto de informações, conforme suas necessidades e interesses sem, no entanto, intervir nos conteúdos em si. Esse tipo de Hipertexto é o mais adequado a leitores que vagueiam na internet sem objetivo claro definido de leitura, tais como aqueles que passeiam aleatoriamente pelos sítios digitais “sem lenço e sem documento” (hiperleitor -  flâneur).
Os Hipertextos construtivos exigem do usuário capacidade e iniciativa para agir sobre eles, “mudar” seus conteúdos, navegando de modo criativo e particular pelos hiperlinks ali disponíveis. Nesse tipo de Hipertexto, o hiperleitor faz uma nova conexão considerando sempre as anteriores, buscando transformar, o tempo todo, a informação em conhecimento, conforme for seu projeto de leitura previamente traçado.
DA RELAÇAO ENTRE HIPERTEXTO E PÓS-MODERNIDADE
Haveria alguma relação entre Hipertexto e Pós-Modernidade?
Modernismo: Acaba em meados da década de 1950. Abre-se espaço, para a chegada da Pós-Modernidade. Em 1947, Toynbee, historiador americano, cunha o termo.
Sociólogos e filósofos, usam-no para designar um movimento de grande envergadura filosófico-cultural, provoca mudanças nas artes (literatura, pintura, música, teatro, cinema, vídeo), na arquitetura, nas ciências e, de um modo geral, no comportamento (estilo, moda, consumo) das sociedades do Ocidente  e algumas do Oriente.
A Arte Pop (1960) os movimentos da contracultura (os Hippies), Woodstock, e as manifestações populares de protesto, em defesa da paz, da liberdade e da justiça social, deram impulso à implantação da Pós-Modernidade. A luta do Movimento Feminista pela emancipação das mulheres (A pílula), também foi uma forte condicionante para a construção e consolidação das bases Pós-Modernas.
Anos setenta há o deslanche da corrente pós-moderna, em razão do alto desenvolvimento tecnológico das ciências.
Filósofos como Lyotar, Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Jean Baudrillard, Frederic Jameson, Zygmunt  Bauman, entre outros, tentam desvelar, em seus escritos, a hipocrisia nos valores da sociedade moderna e apontar para a grande responsabilidade que ela teve para o surgimento dos problemas que afligem o mundo atual.
 Desconstrução dos princípios e concepções  do pensamento ocidental, tais como: razão, sujeito, ordem, estado, poder e sociedade, por meio da elaboração de críticas contundentes à relação de cumplicidade da tecnociência com o poder político e econômico nas sociedades avançadas, cuja intimidade resultou na criação do Sistema vigente.
Nesta perspectiva, teóricos do Hipertexto como Landow (1992), Bolter (1991), Tuman (1992), Lanham (1993) e Johnson-Eilola (1998) concordam que há uma conexão entre o Hipertexto e a recente crítica literária que já vive o clima pós-moderno. Segundo Landow (1992:2), tanto no Hipertexto quanto na crítica literária pós-moderna são evidentes a insatisfação com o livro impresso e com o pensamento hierárquico.

 Esses autores são unânimes em afirmar que é necessário abandonar o sistema conceitual baseado nas ideias de centro, margem, hierarquia, linearidade, para dar lugar à multilinearidade, aos nós, às ligações e às redes, condições e possibilidades apresentadas pela Pós-Modernidade.
Assim como a Pós-Modernidade, o Hipertexto é por natureza fractal e aleatoriamente inclusivo. O caos, a desordem, a balbúrdia de saberes e de dizeres em ebulição são provocados pela interconexão do tipo rede (todos para todos) que a internet, através do Hipertexto, proporciona aos cidadãos contemporâneos e não mais do tipo estrela (um para todos).
É esse o espírito da Pós-Modernidade: uma Torre de Babel digitalizada pela tecnociência que destotaliza sentidos, dissolve totalidades semânticas e desorganiza a “razão instrumental” modernista. Por isso, os laços entre ambos são intensos, notórios e inegáveis.