O Poder dos Quietos
1a. edição, 2012
Susan Cain
Agir
Um dos livros mais vendidos do ano nos Estados Unidos segundo o jornal The New York Times, O poder dos quietos, da americana Susan Cain, lançado no Brasil pela Editora Agir, mostra que a introversão é ingrediente fundamental para a criatividade e a inovação. Embasada por estudos científicos, além de ter realizado um extenso trabalho de pesquisa, a autora afirma que nossa sociedade vem transformando escolas e escritórios em instituições dedicadas a extrovertidos - arquétipo que tem se revelado um grande desperdício de talento, energia e felicidade.
O sistema de valores contemporâneo segue a crença de que todos precisariam se sentir confortáveis sob a luz dos holofotes. A introversão vem sendo encarada como um traço de personalidade de segunda classe, praticamente como uma patologia. O que o leitor descobre em O poder dos quietos é que está cometendo um erro grave ao abraçar esse ideal. Algumas das maiores ideias humanas - da teoria da evolução aos girassóis de Van Gogh e os computadores pessoais - vieram de pessoas quietas que sabiam como se comunicar com seus universos interiores. Sem os introvertidos não haveria a teoria da relatividade, os noturnos de Chopin, o Google.
O temperamento extrovertido é atraente, mas, segundo Susan, foi transformado em um padrão opressivo que muitos, mesmo contra sua própria essência, se acham obrigados a adotar. Tal ponto de vista surge fundamentado pelas mais recentes pesquisas nas áreas da psicologia e da neurociência, que têm apresentado ideias iluminadoras: os introvertidos, por exemplo, sentem-se confortáveis com menos estímulo, como quando resolvem palavras cruzadas ou leem um livro; já os extrovertidos gostam da vibração extra de atividades como conhecer pessoas novas e esquiar em montanhas perigosas.
Especialistas afirmam também que os dois tipos trabalham de maneiras diferentes. Os extrovertidos tendem a terminar tarefas em pouco tempo, tomando decisões rápidas, enquanto os introvertidos costumam atuar de forma mais lenta e ponderada, focando-se em uma tarefa de cada vez. "Pessoas introvertidas são pensadores atentos e reflexivos, capazes de tolerar a solidão que a produção de ideias requer. A implementação dessas boas ideias, por sua vez, implica em cooperação, e introvertidos são mais propensos a preferir ambientes cooperativos, enquanto os extrovertidos costumam favorecer a competição", afirma a autora.
Na primeira parte do livro, Susan trata justamente do "Ideal da Extroversão", abordando o poder do trabalho solitário e o mito da liderança carismática. A questão do que chamamos de "temperamento" surge como ponto central do módulo seguinte, que, mostrando que introvertidos e extrovertidos pensam e processam dopamina de maneiras distintas, envolve biologia e estudos de personalidade. Já na parte três o assunto recebe um olhar cultural em um debate que envolve amor, trabalho e educação - sempre por meio de uma acurada e delicada observação do dia a dia.
O livro esclarece ainda algumas dúvidas comuns, mostrando que um introvertido não é necessariamente um eremita ou um misantropo. Nem mesmo a palavra "timidez" pode ser tida como um sinônimo de "introversão": esta é o medo da desaprovação social e da humilhação, enquanto aquela é a preferência por ambientes onde não predominam os estímulos externos. Ao contrario da introversão, a timidez é inerentemente dolorosa.
Assim com acontece com outros opostos complementares (masculinidade e feminilidade, Ocidente e Oriente, liberais e conservadores), a humanidade seria irreconhecível sem a divisão entre introvertidos e extrovertidos. Poetas e filósofos têm pensando sobre o assunto desde o início dos tempos, sendo que os dois tipos aparecem na Bíblia e em escritos da antiguidade clássica. O poder dos quietos, assim, leva o leitor a se aprofundar no comportamento humano e mudar a maneira pela qual enxerga a si mesmo.
FONTE: http://livraria.folha.com.br/catalogo/1178141/o-poder-dos-quietos
domingo, 27 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
MOBILIDADE
REFLEXÕES
DE UM MESTRANDO
MOBILIDADE
Ao iniciar minhas
considerações sobre o tema gostaria de me reportar ao texto postado em seu blog,
pela colega Sigmar, onde, muito pertinentemente ela frisa que a mobilidade tem
um aspecto da tecnologia incorporada em seu desenvolvimento e, isso, depende da
miniaturização dos componentes eletrônicos, principalmente os
“microprocessadores”, que são chips atuando como cérebros: recebem, processam,
controlam e ativam bits de informações digitais.
A revolução da miniaturização
dos componentes eletrônicos chegou com a “nanotecnologia”, possibilitando o
desenvolvimento de transistores menores, a exemplo do processador Pentium 4,
lançado em janeiro de 2002, trabalha com frequências de 1300 a 4000 MHz, com 55
milhões de transistores CMOS 130 nm. A série de chips Radeon 2000, por exemplo,
atinge os 500 milhões de transistores, chegando à casa dos 40 nm.
A Placa de vídeo da AMD Radeon HD 6870,
lançada em outubro de 2010, trabalha com frequências de 900Mhz na CPU, 4200Mhz
de frequência de Memória GDDR5 interface 256Bits, atinge os 1,7 Bilhões de
transistores, com processo de fabricação de 40 nm e um Core de 255 mm2.
Com essa condição
tecnológica todos os equipamentos das chamadas TIC’s, puderam ser produzidos em
menor escala e com a possibilidade de convergir várias mídias em um só
equipamento.
É o caso do telefone celular
que no seu projeto original possibilitava apenas a comunicação por voz,
atualmente, permite ao seu usuário amplas possibilidades de envio de texto
(SMS), imagens, dados, etc.
E o que dizer dos
computadores? Lembram-se do ENIAC? Hoje temos computadores portáteis (laptops),
com os quais podemos acessar a internet por fios ou WI-FI, temos a tecnologia
bluetooth, palms, GPS e tantas outras.
E quais são os impactos
dessas tecnologias que permitem a mobilidade social nas cidades e nos espaços
urbanos?
Nesse caso inicio a
discussão com um parágrafo de André Lemos em Cidade e Mobilidade, Telefones
Celulares, Funções Pós-massivas e Territórios Informacionais:
“As
mídias reconfiguram os espaços urbanos, os subúrbios, os centros, dinamizam o
transporte público e tornam mais complexo esse organismo-rede que são as
cidades”.
A
mobilidade social, a relação com o espaço urbano e as formas comunicacionais
passam por transformações importantes na atual fase da sociedade da informação.
O desenvolvimento dos meios de comunicação se dá na própria dinâmica da
industrialização e da urbanização da era moderna.
As
mídias reconfiguram os espaços urbanos, os subúrbios, os centros, dinamizam o
transporte público e tornam mais complexo esse organismo-rede que são as
cidades.
Mobilidade
e cidade são indissociáveis. “Essa relação é uma constante, mas novas dimensões
emergem com as novas tecnologias digitais e as redes telemáticas”.
O relacionamento entre essas
novas mídias que são chamadas pós-massivas, pois permitem interatividade, fazem
emergir novas formas sociais, desterritorializam espaços geográficos, espaços
físicos característicos das mídias massivas que prendem o receptor a uma
geografia de territórios.
Essas novas mídias
pós-massivas criam novas formas sociais atemporais, desterritorializadas, a
partir de três princípios fundamentais da cibercultura:
A liberação da emissão, a
conexão generalizada e a reconfiguração das instituições e da indústria
cultural de massa (Lemos, 2004, 2005).
O grande vetor da mobilidade
é com certeza a tecnologia WI-FI, essa permite a evolução do binômio cidade-comunicação
acompanhando o desenvolvimento das tecnologias de comunicação.
E ainda segundo Lemos:
“Se
as cidades da era industrial constituem sua urbanidade a partir do papel social
e político das mídias de massa, as cibercidades contemporâneas estão
constituindo sua urbanidade a partir de uma interação intensa (e tensa) entre
mídias de função massiva e as novas mídias de função pós-massiva”.
Nesse contexto o poder
público, tem uma grande parcela de responsabilidade em prover a todos os
cidadãos brasileiros a possibilidade de uso dessas novas tecnologias de
comunicação digital, nesse país de dimensões continentais, há localidades
distantes das grandes metrópoles, exigindo uma ação dos governantes.
Já vemos em algumas cidades
do interior, principalmente, a instalação de cobertura WI-FI, possibilitando
aos seus moradores acesso à internet, telefonia celular móvel e outros, que de certa
forma contribuem para engajar esses brasileiros.
Também há de se destacar que
a despeito do custo de banda larga e telefonia celular móvel serem absurdamente
caros, o nosso país se destaca pela grande demanda de mídias pós-massivas, o
que nos coloca a frente de países desenvolvidos no uso desses recursos.
Com certeza com a produção
em grande escala os custos serão barateados, o que permitirá maior acesso a
cada brasileiro.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
IFBA coorganiza evento sobre jogos eletrônicos
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O IFBA está como coorganizador do VIII Seminário Jogos Eletrônicos, Educação
e Comunicação: construindo novas trilhas, que acontece nos dias 9 e 10 de julho,
no auditório do Departamento de Educação (DEDC), do campus I da
Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Salvador. A organização é do grupo de
pesquisa Comunidades Virtuais de Aprendizagem da DEDC.
Podem ser conferidas palestras, mesas-redondas, apresentação de trabalhos e mostra de jogos eletrônicos. Os interessados em inscrever trabalhos têm até dia 20 de maio para enviar resumo do trabalho para o e-mail games@comunidadesvirtuais.pro.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , de acordo com as orientações recomendadas aqui. Em relação à mostra de jogos, é preciso encaminhar um e-mail para games@comunidadesvirtuais.pro.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , com o nome do jogo, a sinopse do game, os responsáveis pela produção e a instituição à qual estão vinculados, e enviar um CD com o game para o DEDC até dia 31 de maio. Mais informações podem ser obtidas aqui. |
TECNOLOGIA ASSISTIVA
REFLEXÕES
DE UM MESTRANDO
TECNOLOGIA
ASSISTIVA
Começaremos nossas
observações sobre o tema reescrevendo a definição de Tecnologia Assistiva do
autor Lauand:
“O
conceito de Tecnologia Assistiva diferencia-se de toda a tecnologia médica ou
de reabilitação, por referir-se a recursos ou procedimentos pessoais, que
atendem a necessidades diretas do usuário final, visando sua independência e
autonomia. Já os recursos médicos ou de reabilitação visam o diagnóstico ou
tratamento na área da saúde, sendo, portanto, recursos de trabalho dos
profissionais dessa área. Os objetivos da Tecnologia Assistiva, portanto,
apontam normalmente para recursos que geram autonomia pessoal e vida
independente do usuário”.
Definição da ISSO 9999:2002
“A
ISO 9999:2002 define Ajudas Técnicas como: qualquer produto, instrumento,
equipamento ou sistema tecnológico, de produção especializada ou comumente à
venda, utilizado por pessoa com deficiência para prevenir, compensar, atenuar
ou eliminar uma deficiência, incapacidade ou desvantagem (ISO 9999:2002)”.
Outra definição da CAT,
2007.c:
“Tecnologia
Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que
engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que
objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de
pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua
autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2007.c)”.
De acordo com todas essas
definições o que tiro de importante é que a sociedade encara o problema do auxílio
aos portadores de deficiências, sejam elas quais forem como uma forma de
reinserir esse indivíduo no contexto social.
No contexto da Educação como
exemplo, posso descrever minha experiência no ano de 2010, no IFBA Salvador,
onde em uma turma do segundo ano médio tive um aluno com paraplegia (deficiência
de locomoção e movimento dos membros inferiores).
Esse aluno obviamente
passava por dificuldades em chegar à sala de aula, pois essa sala era no
primeiro andar do prédio, mesmo usando o elevador da escola havia toda uma
necessidade de colegas o ajudarem nesse acesso.
Porém a maior dificuldade
era exatamente na escrita, pois, o mesmo apresentava dificuldades motoras na coordenação
de seus movimentos com as mãos.
Na primeira avaliação teórica
da primeira unidade notei que essa dificuldade o fazia ser sempre o último a
entregar sua prova e, muito depois do tempo estipulado para encerramento da
avaliação.
Diante dessa situação
resolvi que todas as avaliações teóricas seriam feitas em sua casa, com o mesmo
anotando os horários de início e final da resolução.
Não sei se fiz bem, mas,
entendi que naquele momento era o que eu podia fazer para ajuda-lo.
Recentemente o encontrei no
IFBA, estagiando no Departamento de Ensino e ao encontrar-me agradeceu a
oportunidade que lhe proporcionei, dizendo-me que havia passado no vestibular
de Tecnologia da Informação, naquele momento senti que minha ação foi a mais
correta.
Nas aulas de laboratório as
dificuldades eram maiores, pois, não havia bancadas preparadas para receber
esse aluno, o que de certa forma me entristecia, vendo sua dificuldade em
acompanhar as aulas junto com seus colegas.
É claro que no Brasil a
despeito de toda legislação bem intencionada, a utilização dos recursos e da
tecnologia estão muito aquém da real necessidade dos portadores de deficiências,
mesmo no cotidiano, há inúmeros obstáculos que se interpõem no caminho dessas
pessoas.
Nas salas de aulas então, o
descaso é maior. Além da falta de estrutura física, da preparação de
professores aptos a trabalhar com os alunos portadores de deficiências, podemos
dizer que o uso da Tecnologia Assistiva passa longe desse contexto.
Lembro-me do físico Inglês (foto
abaixo), Stephen Hawking, que não possui movimentos, fala, coordenação motora,
mas, mesmo assim, comunica-se com o mundo exterior.
Stephen Hawking é um físico
teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da
atualidade.
Doutor em cosmologia foi
professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge (posto que foi
ocupado por Isaac Newton). Depois de atingir a idade limite para o cargo,
tornou-se professor lucasiano emérito daquela universidade.
Atualmente, Hawking
encontra-se incapacitado em razão de uma esclerose lateral amiotrófica (ELA),
que o impede de manter suas atividades científicas. Sua condição se agravou ao
longo dos anos, e ele está quase que completamente paralisado utilizando vários
recursos da Tecnologia Assistiva para se comunicar.
domingo, 13 de maio de 2012
REFLEXÕES DE UM MESTRANDO - CONVERGÊNCIA
REFLEXÕES
DE UM MESTRANDO
CONVERGÊNCIA
A ideia de convergência
digital nos remete a um processo de
intensa aplicação da tecnologia digital como plataforma de disseminação da
comunicação humana, mediada pelos recursos dessa tecnologia.
Esses recursos de
infraestrutura que são dominados pelas indústrias midiáticas, que têm na mass
comunicação o poder de emissão, portanto, tornando o processo unidirecional,
linear deixando o receptor sem condições de efetivamente participar ou
“transgredir” do que é publicado, escrito, falado e televisionado.
Essa revolução na
informação e na comunicação, chamado “revolução informacional”, ainda bem
que acontece e continua acontecendo num cenário de convergência digital, que
vem se contrapor ao modelo vigente, criando condições de um processo
informacional aberto, participativo, interativo, baseado na liberdade dos
espaços democráticos de produção, desenvolvimento e distribuição.
A grande diferença entre
os modelos de mass comunicação e a comunicação digital está na forma de
estruturação da última, onde não há controle do fluxo informacional, também não
pode impedir o surgimento de portais e sites independentes e desvinculados do
poder político e econômico, o que nos dá condições de um maior controle sobre
as decisões tomadas pelo poder político e econômico.
Com relação à
interconecção da esfera pública em relação à esfera pública da mass
comunicação, ficamos com o autor Yochai Benkler: “Yochai Benkler (2006), no livro The wealth of networks, buscou
demonstrar que a esfera pública interconectada é potencialmente mais
democrática que a esfera pública dominada pelos mass comunicação”.
Benkler
definiu a esfera pública como um “quadro de práticas que os membros além das
redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder de
uma sociedade usam para comunicar questões que eles entendem ser de interesse
público e que potencialmente requerem uma ação ou reconhecimento coletivos”.
Não podemos deixar de
levar em conta o poder gigantesco da indústria da comunicação que tenta
controlar todos os recursos e a infraestrutura para manter seu monopólio.
Essa intenção é claramente
vista nos processos de fusão e aquisição que grandes grupos econômicos têm
feito no sentido de manter a hegemonia nesse processo.
Com relação ao cidadão
comum que deve ser o grande beneficiário dessa tecnologia de convergência, vê
os meios de interatividade ser cada vez mais envolvidos e desenvolvidos com
praticamente todas as formas de comunicação sendo colocadas a sua disposição,
em equipamentos mais versáteis, interativos e convergentes, a exemplo do
telefone celular, que em menos de vinte anos teve um desenvolvimento muito
grande na sua tecnologia de comunicação e disponibilidade de uso de outras
mídias; como a internet, o uso de redes sociais, até veículos de mass
comunicação como rádio e tv, serem colocados a sua disposição.
Isso permite uma possibilidade
de envolvimento maior com as questões sociais presentes no nosso dia a dia, um
maior controle do poder do estado, dos órgãos governamentais, o controle maior
sobre as questões do meio ambiente, enfim, permite uma participação mais
democrática nas decisões que afetam a todos nós.
sábado, 12 de maio de 2012
REFLEXÕES
DE UM MESTRANDO
Interatividade
Pessoalmente penso que o
termo “interatividade”, aparece com as TIC’s.
Embora haja discordância de
muitos autores sobre essa ligação com as mídias digitais, sou da tese que o
termo só começa a ser usado e tem sentido a partir dessa relação.
O termo “interação” é bem
mais antigo, tem a ver com as relações sociais que existe entre entes para
estabelecimento de qualquer influência mútua (Primo & Cassol, 1999).
À parte das discussões
sobre os conceitos, onde sempre teremos novas contribuições a partir do próprio
avanço das TIC’s, não me arriscarei mais em discutir novos conceitos.
É interessante ouvir e ler
de muitos autores a respeito dos veículos de mass comunicação, afirmando não
terem os mesmos a condição de promover a interatividade, pois, a programação é
totalmente dirigida; não deixando possibilidades para que o receptor possa
alterar, dialogar, desviar, participar, etc., do fluxo comunicacional.
Entretanto, posso criar um
exemplo sobre uma programação digamos o “Jornal Nacional”, da rede globo, que
ao exibir uma reportagem que cause consternação em seus expectadores, pode vir
a gerar em alguns expectadores a motivação para o debate com outros cidadãos ou
mesmo a criação de uma rede de colaboração para ajudar pessoas em dificuldades
como os fatos acontecidos recentemente envolvendo catástrofes naturais.
Dessa forma entendo que
mesmo numa programação dirigida, há possibilidades de estabelecimento de um
processo de interatividade.
Sem dúvida o avanço das
TIC’s proporcionou uma revolução no modo de interagir da sociedade, novas
possibilidades de conhecimento, novas possibilidades de relacionamentos sociais
para os mais diversos fins, novas culturas foram agregadas, novos
comportamentos sociais foram germinados, basta ver a relação da geração Y com a
internet e as redes sociais.
É importante que nós
enquanto educadores possamos entender, participar, facilitar, e interagir com
essas novas tendências dentro das escolas.
O grande questionamento
que fica é como fazer essa interface em escolas em que na maioria das vezes não
possui a estrutura física adequada, quanto mais professores preparados para tratar
desses novos rumos da educação.
Como afirma o autor do
texto recomendado para leitura: “Para a educação, a compreensão desses
conceitos e contextos é de fundamental importância, uma vez que a relação
pedagógica é uma relação entre seres humanos imersos numa determinada cultura,
por isso mesmo transformadores dela”. Logo, a todos os sujeitos da educação
deve ser oportunizada essa abertura a um “mais comunicacional”.
Prosseguindo: “As TIC’s e
a sala de aula já estão imbricadas, sendo que nesse processo estão se
configurando novos contextos que vêm problematizar e potencializar as relações
pedagógicas”. Nesse sentido, elas não vêm para solucionar os problemas
educacionais, mas sim trazer novas questões para o debate, uma outra visão do
processo pedagógico.
Abordarei os efeitos dessa
nova “tendência” nas salas de aulas, objeto de minha preocupação constante.
Recentemente ao iniciar
mais um ano letivo no IFBA (Camaçari), deparei-me com duas turmas do primeiro
ano na modalidade integrada: curso técnico mais segundo grau, onde setenta por
cento (70%) dos alunos são repetentes e extremamente desmotivados com a
continuidade do curso, numa conversa de primeira aula, perguntei-lhes quais
suas dificuldades em disciplinas mais prementes que os fizeram não serem aprovados,
em uníssono responderam: Matemática, Português bem como as disciplinas técnicas.
Perguntei-lhes se alguém não
gostava de estudar, para minha frustação, uma média de quatro alunos nas turmas
disse só estudar por que eram obrigados.
Duas alunas ainda disseram
gostar mais do face book do que estudar.
Fiquei pensando a respeito
das respostas dessas alunas, e aí, é inegável constatar o apelo que a internet
e as redes sociais operam nos jovens ao ponto de lhes retirar todo foco para os
estudos. Isso é positivo? O fato é que a escola atual deve contrapor novos
modelos de aulas (mais interativas?) para que nós professores tenhamos condições
de num processo mais dialético focar os mesmos saberes, porém, utilizando as
TIC’s como nossas aliadas.
E assim como reescrevo
parte do texto que considero validar minha preocupação com o estágio atual da
educação em que estamos inseridos:
“Tomando a ideia do
hipertexto e da interatividade como metáfora no campo educacional, podemos
pensar numa educação que redefina os papeis de autor e leitor, de leitura e escrita,
de ensino e aprendizagem, de professor e aluno no âmbito da escola”. Aqui as práticas
mais convencionais de aquisição sequenciada da informação vão perdendo espaço para
uma dinâmica não linear, permitindo que o aluno construa uma rede de saberes a partir
das múltiplas interações que ele vai estabelecendo com essas informações, que
não mais são estabelecidas a partir de um único polo irradiador. Nessa
perspectiva ele deixa de ser um espectador passivo para ser um sujeito
operativo, participativo, construindo conhecimento de forma coletiva,
explorando os territórios do saber, sem as tradicionais fronteiras impostas
pela disciplinarização. Para isso as escolas precisam estar afinadas com um
modelo de aprendizagem mais integrada, onde os sujeitos participem ativamente
na construção e reconstrução do conhecimento, abandonando os velhos esquemas reducionistas
nos quais se valoriza o ensino por memorização, fragmentado nas disciplinas.
O professor aqui será um
parceiro de trabalho, que não mais ordena, ou dita os comandos para que os
alunos executem. Ele passa a ser um coautor do processo de ensino, e juntamente
com os alunos, vai estimulando uma educação problematizadora, investigativa, buscando
as diferentes visões sobre o conhecimento, a cultura, para então a escola se tornar
um espaço de “[...] todas as vozes, de todas as falas e de todos os textos; a
tecnologia ajuda a derrubar os seus murros e suas grades, ao propor links que
vencem as distâncias e janelas que iluminam e expandem a sala de aula.” (Ramal,
2002: 254). Só assim poderemos pensar uma escola que esteja afinada com os
valores de uma nova geração ávida por descobertas, trazidas pelas novas
possibilidades de comunicação.
“Experimentar outras
educações com as TIC’s, implica superação da visão fragmentada do conhecimento,
e as práticas educacionais homogeneizadoras que tradicionalmente configuram
nossas escolas”.
sábado, 5 de maio de 2012
REFLEXÕES DE UM MESTRANDO sobre objetos de aprendizagem.
REFLEXÕES DE UM MESTRANDO sobre objetos de aprendizagem.
Meus caros Júlio e
Daniel:
No blog de Júlio, li
algumas definições sobre Objetos de Aprendizagem, a postada abaixo se encaixa
no que eu humildemente, posso dizer que entendo um pouco.
'(...) a definição de
Wiley (2002: 6) na qual afirma que um
objeto de aprendizagem “… é um qualquer recurso digital que pode ser
reutilizado para suportar a aprendizagem" [...] O fato de os objetos
de aprendizagem serem formados preferencialmente por unidades de formato
reduzido que, no entanto, são dotadas de um modelo organizacional próprio num
quadro pedagógico, permite e encoraja a sua utilização numa perspectiva flexível
das configurações dos processos de instrução e aprendizagem'. Paulo
Dias.
Vou falar do meu entendimento prático sobre tal assunto. No
atual estágio do processo ensino-aprendizagem, a importância do uso do Objeto
de Aprendizagem (OA) é fundamental para o estabelecimento de um processo
cognitivo de aprendizagem e construção do conhecimento.
Entretanto, o que vemos hoje são sistemas fechados que não
permitem alteração e adequação de conteúdos.
Normalmente, falando do MEC, esses objetos são elaborados por
programadores sem a presença de um especialista da área, o que torna o conteúdo
pouco chamativo aos interesses dos alunos.
Os conteúdos não são apresentados de forma a levar em conta a
grande riqueza cultural do país, as peculiaridades de cada região, o que
contribui para seu pouco sucesso. A questão do feedback é outro problema a ser
destacado, esses “pacotes” são adquiridos e não há um retorno de informações
aos desenvolvedores, para lhes proporcionar condições de aperfeiçoamento dos
seus OAs.
Mas, há de ressaltar que no caso dos cursos profissionais do
IFBA, temos a nossa disposição algumas dessas ferramentas que nos auxiliam
muito no nosso dia a dia, principalmente os softwares aplicativos de simulação
de funcionamento de equipamentos e máquinas, que vão nos proporcionar uma
interatividade maior entre teoria e prática, dando ao aluno uma condição de
melhor aproveitamento do conteúdo estudado.
E continuando com Paulo
Dias:
“Emerge deste processo
de mudança a possibilidade de o ambiente on-line constituir não só o suporte
para as atividades do indivíduo e do grupo, mas uma interface para o conhecimento.
Esta interface surge da valorização dos contextos através da fusão entre
ambiente e contexto, sendo este, agora, o espaço para a definição das
atividades colaborativas e para a modelação dos processos cognitivos da
aprendizagem e construção do conhecimento. O ambiente deixa de ser um suporte
para a transmissão de conhecimento, mas o contexto para a produção colaborativa
desse mesmo conhecimento”.
Esta interface é um
meio para construir coisas com significado, ligando as aprendizagens aos
contextos e lugares do conhecimento promovendo, deste modo, a aproximação entre
os espaços da aprendizagem e os da sua aplicação (Fischer, 2000). É assim um
instrumento de modelação cognitiva das redes de representação de conhecimento e
um meio para o desenvolvimento das socializações dos membros das comunidades no
espaço do virtual. E ganha uma nova
importância na medida em que o seu papel é cada vez mais importante na
transferência do conhecimento para os espaços profissionais, flexibilizando as
ligações entre o espaço e o tempo das aprendizagens em ordem ao desenvolvimento
das redes colaborativas de partilha e inovação.
HIPERTEXTRUALIDADE
HIPERTEXTUALIDADE
CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO
HIPERTEXTO
1945: MEMEX (Memory Extension – Extensão
da Memória)
Maquina visionária pensada por Vannevar Bush enunciada em
1945, em um artigo chamado: “As We May Think”?
Observando a mente humana operando sempre por associações,
ela pula de uma representação para outra ao longo de uma rede intricada,
desenha trilhas que se bifurcam, Bush imaginou e descreveu, de maneira
detalhada, uma máquina capaz de estocar montanhas de informações, fácil e
rapidamente alcançáveis. Tal engenho, concebido para suprir as “falhas da
memória humana”, através de recursos mecânicos, é considerado o precursor da
ideia de Hipertexto.
1965: Hipertexto, termo enunciado pela
primeira vez por Theodore Nelson, discípulo de Vannevar Bush, cunhou o termo
para exprimir a ideia de escrita/leitura não linear em um sistema de
informática.
Concebeu o projeto Xanadu (http://xanadu.com/), imaginou uma imensa rede de informações
acessível em tempo real, contendo todo o saber literário e científico do mundo
a que milhares de pessoas poderiam se conectar para ler, escrever, comentar,
interagir, estudar, utilizando-se de todos os recursos nela disponíveis,
compostos não só de textos, mas de imagens e sons. O projeto de Nelson se
constitui num avanço considerável em relação ao Memex de Vannevar Bush, de
certa forma, se concretiza com a internet.
Ainda na década de 1960,
Douglas Engelbardt cria o NLS (oN Line System).
1969: Surgimento da Internet (Secretaria
de Defesa dos EUA)
1989: Criação da World Wide Web ( Tim
Berners-Lee / Físico Inglês).
DEFINIÇÃO DE HIPERTEXTO
Theodore Nelson foi quem cunhou o termo “Hipertexto”:
Ele concebia o Hipertexto como sendo, ao mesmo tempo, um
sistema material e uma tecnologia intelectual, em que o agente humano interage
com as informações que ele mesmo faz nascer de um percurso (navegação) virtual
e que as modifica em função de suas representações (sistemas de crenças,
valores, ideologias) e suas demandas circunstanciais.
A pesquisadora em educação Ilana Snyder, da Universidade
Monash na Austrália, assim define Hipertexto:
“É um medium de informação que existe apenas on-line num
computador. É uma estrutura composta de blocos de textos conectados por nexos
(links) eletrônicos que oferecem diferentes caminhos para os usuários. O
Hipertexto providencia um meio de arranjar a informação de uma maneira não
linear, tendo o computador como o automatizador das ligações de uma peça de
informação com outra”. Quando a estrutura hipertextual acomoda não apenas texto
impresso, mas também sons digitalizados, gráficos, animações e realidade
virtual, é também designado como hipermídia ou multimídia (p.126).
O filósofo Francês Pierre Lévy constrói uma definição
extremamente técnica do Hipertexto. Para ele:
“Tecnicamente o Hipertexto é um conjunto de nós ligados por
conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de
gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser
Hipertextos. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda
com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de
modo reticular. Navegar em um Hipertexto significa, portanto, desenhar um
percurso em uma rede que pode, por sua vez, conter uma rede inteira (1993 –
p33)”.
TIPOS DE HIPERTEXTO
Michael Joyce (1995) distingue dois tipos de Hipertexto:
Os Hipertextos exploratórios seriam aqueles produzidos para
levar a audiência a controlar um conjunto de informações, conforme suas
necessidades e interesses sem, no entanto, intervir nos conteúdos em si. Esse
tipo de Hipertexto é o mais adequado a leitores que vagueiam na internet sem
objetivo claro definido de leitura, tais como aqueles que passeiam
aleatoriamente pelos sítios digitais “sem lenço e sem documento” (hiperleitor
- flâneur).
Os Hipertextos construtivos exigem do usuário capacidade e
iniciativa para agir sobre eles, “mudar” seus conteúdos, navegando de modo
criativo e particular pelos hiperlinks ali disponíveis. Nesse tipo de
Hipertexto, o hiperleitor faz uma nova conexão considerando sempre as
anteriores, buscando transformar, o tempo todo, a informação em conhecimento,
conforme for seu projeto de leitura previamente traçado.
DA RELAÇAO ENTRE HIPERTEXTO E
PÓS-MODERNIDADE
Haveria alguma relação entre Hipertexto e Pós-Modernidade?
Modernismo: Acaba em meados da década de 1950. Abre-se
espaço, para a chegada da Pós-Modernidade. Em 1947, Toynbee, historiador
americano, cunha o termo.
Sociólogos e filósofos, usam-no para designar um movimento de
grande envergadura filosófico-cultural, provoca mudanças nas artes (literatura,
pintura, música, teatro, cinema, vídeo), na arquitetura, nas ciências e, de um
modo geral, no comportamento (estilo, moda, consumo) das sociedades do
Ocidente e algumas do Oriente.
A Arte Pop (1960) os movimentos da contracultura (os
Hippies), Woodstock, e as manifestações populares de protesto, em defesa da
paz, da liberdade e da justiça social, deram impulso à implantação da
Pós-Modernidade. A luta do Movimento Feminista pela emancipação das mulheres (A
pílula), também foi uma forte condicionante para a construção e consolidação
das bases Pós-Modernas.
Anos setenta há o deslanche da corrente pós-moderna, em razão
do alto desenvolvimento tecnológico das ciências.
Filósofos como Lyotar, Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Félix
Guattari, Jean Baudrillard, Frederic Jameson, Zygmunt Bauman, entre outros, tentam desvelar, em
seus escritos, a hipocrisia nos valores da sociedade moderna e apontar para a
grande responsabilidade que ela teve para o surgimento dos problemas que
afligem o mundo atual.
Desconstrução dos
princípios e concepções do pensamento
ocidental, tais como: razão, sujeito, ordem, estado, poder e sociedade, por
meio da elaboração de críticas contundentes à relação de cumplicidade da
tecnociência com o poder político e econômico nas sociedades avançadas, cuja
intimidade resultou na criação do Sistema vigente.
Esses autores são
unânimes em afirmar que é necessário abandonar o sistema conceitual baseado nas
ideias de centro, margem, hierarquia, linearidade, para dar lugar à
multilinearidade, aos nós, às ligações e às redes, condições e possibilidades
apresentadas pela Pós-Modernidade.
Assim como a Pós-Modernidade, o Hipertexto é por natureza
fractal e aleatoriamente inclusivo. O caos, a desordem, a balbúrdia de saberes
e de dizeres em ebulição são provocados pela interconexão do tipo rede (todos
para todos) que a internet, através do Hipertexto, proporciona aos cidadãos
contemporâneos e não mais do tipo estrela (um para todos).
É esse o espírito da Pós-Modernidade: uma Torre de Babel
digitalizada pela tecnociência que destotaliza sentidos, dissolve totalidades
semânticas e desorganiza a “razão instrumental” modernista. Por isso, os laços entre ambos são
intensos, notórios e inegáveis.
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