REFLEXÕES
DE UM MESTRANDO
Interatividade
Pessoalmente penso que o
termo “interatividade”, aparece com as TIC’s.
Embora haja discordância de
muitos autores sobre essa ligação com as mídias digitais, sou da tese que o
termo só começa a ser usado e tem sentido a partir dessa relação.
O termo “interação” é bem
mais antigo, tem a ver com as relações sociais que existe entre entes para
estabelecimento de qualquer influência mútua (Primo & Cassol, 1999).
À parte das discussões
sobre os conceitos, onde sempre teremos novas contribuições a partir do próprio
avanço das TIC’s, não me arriscarei mais em discutir novos conceitos.
É interessante ouvir e ler
de muitos autores a respeito dos veículos de mass comunicação, afirmando não
terem os mesmos a condição de promover a interatividade, pois, a programação é
totalmente dirigida; não deixando possibilidades para que o receptor possa
alterar, dialogar, desviar, participar, etc., do fluxo comunicacional.
Entretanto, posso criar um
exemplo sobre uma programação digamos o “Jornal Nacional”, da rede globo, que
ao exibir uma reportagem que cause consternação em seus expectadores, pode vir
a gerar em alguns expectadores a motivação para o debate com outros cidadãos ou
mesmo a criação de uma rede de colaboração para ajudar pessoas em dificuldades
como os fatos acontecidos recentemente envolvendo catástrofes naturais.
Dessa forma entendo que
mesmo numa programação dirigida, há possibilidades de estabelecimento de um
processo de interatividade.
Sem dúvida o avanço das
TIC’s proporcionou uma revolução no modo de interagir da sociedade, novas
possibilidades de conhecimento, novas possibilidades de relacionamentos sociais
para os mais diversos fins, novas culturas foram agregadas, novos
comportamentos sociais foram germinados, basta ver a relação da geração Y com a
internet e as redes sociais.
É importante que nós
enquanto educadores possamos entender, participar, facilitar, e interagir com
essas novas tendências dentro das escolas.
O grande questionamento
que fica é como fazer essa interface em escolas em que na maioria das vezes não
possui a estrutura física adequada, quanto mais professores preparados para tratar
desses novos rumos da educação.
Como afirma o autor do
texto recomendado para leitura: “Para a educação, a compreensão desses
conceitos e contextos é de fundamental importância, uma vez que a relação
pedagógica é uma relação entre seres humanos imersos numa determinada cultura,
por isso mesmo transformadores dela”. Logo, a todos os sujeitos da educação
deve ser oportunizada essa abertura a um “mais comunicacional”.
Prosseguindo: “As TIC’s e
a sala de aula já estão imbricadas, sendo que nesse processo estão se
configurando novos contextos que vêm problematizar e potencializar as relações
pedagógicas”. Nesse sentido, elas não vêm para solucionar os problemas
educacionais, mas sim trazer novas questões para o debate, uma outra visão do
processo pedagógico.
Abordarei os efeitos dessa
nova “tendência” nas salas de aulas, objeto de minha preocupação constante.
Recentemente ao iniciar
mais um ano letivo no IFBA (Camaçari), deparei-me com duas turmas do primeiro
ano na modalidade integrada: curso técnico mais segundo grau, onde setenta por
cento (70%) dos alunos são repetentes e extremamente desmotivados com a
continuidade do curso, numa conversa de primeira aula, perguntei-lhes quais
suas dificuldades em disciplinas mais prementes que os fizeram não serem aprovados,
em uníssono responderam: Matemática, Português bem como as disciplinas técnicas.
Perguntei-lhes se alguém não
gostava de estudar, para minha frustação, uma média de quatro alunos nas turmas
disse só estudar por que eram obrigados.
Duas alunas ainda disseram
gostar mais do face book do que estudar.
Fiquei pensando a respeito
das respostas dessas alunas, e aí, é inegável constatar o apelo que a internet
e as redes sociais operam nos jovens ao ponto de lhes retirar todo foco para os
estudos. Isso é positivo? O fato é que a escola atual deve contrapor novos
modelos de aulas (mais interativas?) para que nós professores tenhamos condições
de num processo mais dialético focar os mesmos saberes, porém, utilizando as
TIC’s como nossas aliadas.
E assim como reescrevo
parte do texto que considero validar minha preocupação com o estágio atual da
educação em que estamos inseridos:
“Tomando a ideia do
hipertexto e da interatividade como metáfora no campo educacional, podemos
pensar numa educação que redefina os papeis de autor e leitor, de leitura e escrita,
de ensino e aprendizagem, de professor e aluno no âmbito da escola”. Aqui as práticas
mais convencionais de aquisição sequenciada da informação vão perdendo espaço para
uma dinâmica não linear, permitindo que o aluno construa uma rede de saberes a partir
das múltiplas interações que ele vai estabelecendo com essas informações, que
não mais são estabelecidas a partir de um único polo irradiador. Nessa
perspectiva ele deixa de ser um espectador passivo para ser um sujeito
operativo, participativo, construindo conhecimento de forma coletiva,
explorando os territórios do saber, sem as tradicionais fronteiras impostas
pela disciplinarização. Para isso as escolas precisam estar afinadas com um
modelo de aprendizagem mais integrada, onde os sujeitos participem ativamente
na construção e reconstrução do conhecimento, abandonando os velhos esquemas reducionistas
nos quais se valoriza o ensino por memorização, fragmentado nas disciplinas.
O professor aqui será um
parceiro de trabalho, que não mais ordena, ou dita os comandos para que os
alunos executem. Ele passa a ser um coautor do processo de ensino, e juntamente
com os alunos, vai estimulando uma educação problematizadora, investigativa, buscando
as diferentes visões sobre o conhecimento, a cultura, para então a escola se tornar
um espaço de “[...] todas as vozes, de todas as falas e de todos os textos; a
tecnologia ajuda a derrubar os seus murros e suas grades, ao propor links que
vencem as distâncias e janelas que iluminam e expandem a sala de aula.” (Ramal,
2002: 254). Só assim poderemos pensar uma escola que esteja afinada com os
valores de uma nova geração ávida por descobertas, trazidas pelas novas
possibilidades de comunicação.
“Experimentar outras
educações com as TIC’s, implica superação da visão fragmentada do conhecimento,
e as práticas educacionais homogeneizadoras que tradicionalmente configuram
nossas escolas”.
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