sábado, 12 de maio de 2012

REFLEXÕES DE UM MESTRANDO
Interatividade
Pessoalmente penso que o termo “interatividade”, aparece com as TIC’s.
Embora haja discordância de muitos autores sobre essa ligação com as mídias digitais, sou da tese que o termo só começa a ser usado e tem sentido a partir dessa relação.
O termo “interação” é bem mais antigo, tem a ver com as relações sociais que existe entre entes para estabelecimento de qualquer influência mútua (Primo & Cassol, 1999).
À parte das discussões sobre os conceitos, onde sempre teremos novas contribuições a partir do próprio avanço das TIC’s, não me arriscarei mais em discutir novos conceitos.
É interessante ouvir e ler de muitos autores a respeito dos veículos de mass comunicação, afirmando não terem os mesmos a condição de promover a interatividade, pois, a programação é totalmente dirigida; não deixando possibilidades para que o receptor possa alterar, dialogar, desviar, participar, etc., do fluxo comunicacional.
Entretanto, posso criar um exemplo sobre uma programação digamos o “Jornal Nacional”, da rede globo, que ao exibir uma reportagem que cause consternação em seus expectadores, pode vir a gerar em alguns expectadores a motivação para o debate com outros cidadãos ou mesmo a criação de uma rede de colaboração para ajudar pessoas em dificuldades como os fatos acontecidos recentemente envolvendo catástrofes naturais.
Dessa forma entendo que mesmo numa programação dirigida, há possibilidades de estabelecimento de um processo de interatividade.
Sem dúvida o avanço das TIC’s proporcionou uma revolução no modo de interagir da sociedade, novas possibilidades de conhecimento, novas possibilidades de relacionamentos sociais para os mais diversos fins, novas culturas foram agregadas, novos comportamentos sociais foram germinados, basta ver a relação da geração Y com a internet e as redes sociais.
É importante que nós enquanto educadores possamos entender, participar, facilitar, e interagir com essas novas tendências dentro das escolas.
O grande questionamento que fica é como fazer essa interface em escolas em que na maioria das vezes não possui a estrutura física adequada, quanto mais professores preparados para tratar desses novos rumos da educação.
Como afirma o autor do texto recomendado para leitura: “Para a educação, a compreensão desses conceitos e contextos é de fundamental importância, uma vez que a relação pedagógica é uma relação entre seres humanos imersos numa determinada cultura, por isso mesmo transformadores dela”. Logo, a todos os sujeitos da educação deve ser oportunizada essa abertura a um “mais comunicacional”.
Prosseguindo: “As TIC’s e a sala de aula já estão imbricadas, sendo que nesse processo estão se configurando novos contextos que vêm problematizar e potencializar as relações pedagógicas”. Nesse sentido, elas não vêm para solucionar os problemas educacionais, mas sim trazer novas questões para o debate, uma outra visão do processo pedagógico.
Abordarei os efeitos dessa nova “tendência” nas salas de aulas, objeto de minha preocupação constante.
Recentemente ao iniciar mais um ano letivo no IFBA (Camaçari), deparei-me com duas turmas do primeiro ano na modalidade integrada: curso técnico mais segundo grau, onde setenta por cento (70%) dos alunos são repetentes e extremamente desmotivados com a continuidade do curso, numa conversa de primeira aula, perguntei-lhes quais suas dificuldades em disciplinas mais prementes que os fizeram não serem aprovados, em uníssono responderam: Matemática, Português bem como as disciplinas técnicas.
Perguntei-lhes se alguém não gostava de estudar, para minha frustação, uma média de quatro alunos nas turmas disse só estudar por que eram obrigados.
Duas alunas ainda disseram gostar mais do face book do que estudar.
Fiquei pensando a respeito das respostas dessas alunas, e aí, é inegável constatar o apelo que a internet e as redes sociais operam nos jovens ao ponto de lhes retirar todo foco para os estudos. Isso é positivo? O fato é que a escola atual deve contrapor novos modelos de aulas (mais interativas?) para que nós professores tenhamos condições de num processo mais dialético focar os mesmos saberes, porém, utilizando as TIC’s como nossas aliadas.
E assim como reescrevo parte do texto que considero validar minha preocupação com o estágio atual da educação em que estamos inseridos:
“Tomando a ideia do hipertexto e da interatividade como metáfora no campo educacional, podemos pensar numa educação que redefina os papeis de autor e leitor, de leitura e escrita, de ensino e aprendizagem, de professor e aluno no âmbito da escola”. Aqui as práticas mais convencionais de aquisição sequenciada da informação vão perdendo espaço para uma dinâmica não linear, permitindo que o aluno construa uma rede de saberes a partir das múltiplas interações que ele vai estabelecendo com essas informações, que não mais são estabelecidas a partir de um único polo irradiador. Nessa perspectiva ele deixa de ser um espectador passivo para ser um sujeito operativo, participativo, construindo conhecimento de forma coletiva, explorando os territórios do saber, sem as tradicionais fronteiras impostas pela disciplinarização. Para isso as escolas precisam estar afinadas com um modelo de aprendizagem mais integrada, onde os sujeitos participem ativamente na construção e reconstrução do conhecimento, abandonando os velhos esquemas reducionistas nos quais se valoriza o ensino por memorização, fragmentado nas disciplinas.
O professor aqui será um parceiro de trabalho, que não mais ordena, ou dita os comandos para que os alunos executem. Ele passa a ser um coautor do processo de ensino, e juntamente com os alunos, vai estimulando uma educação problematizadora, investigativa, buscando as diferentes visões sobre o conhecimento, a cultura, para então a escola se tornar um espaço de “[...] todas as vozes, de todas as falas e de todos os textos; a tecnologia ajuda a derrubar os seus murros e suas grades, ao propor links que vencem as distâncias e janelas que iluminam e expandem a sala de aula.” (Ramal, 2002: 254). Só assim poderemos pensar uma escola que esteja afinada com os valores de uma nova geração ávida por descobertas, trazidas pelas novas possibilidades de comunicação.
“Experimentar outras educações com as TIC’s, implica superação da visão fragmentada do conhecimento, e as práticas educacionais homogeneizadoras que tradicionalmente configuram nossas escolas”.


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