sábado, 5 de maio de 2012

HIPERTEXTRUALIDADE

HIPERTEXTUALIDADE
CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO HIPERTEXTO
1945: MEMEX (Memory Extension – Extensão da Memória)
Maquina visionária pensada por Vannevar Bush enunciada em 1945, em um artigo chamado: “As We May Think”?
Observando a mente humana operando sempre por associações, ela pula de uma representação para outra ao longo de uma rede intricada, desenha trilhas que se bifurcam, Bush imaginou e descreveu, de maneira detalhada, uma máquina capaz de estocar montanhas de informações, fácil e rapidamente alcançáveis. Tal engenho, concebido para suprir as “falhas da memória humana”, através de recursos mecânicos, é considerado o precursor da ideia de Hipertexto.
1965: Hipertexto, termo enunciado pela primeira vez por Theodore Nelson, discípulo de Vannevar Bush, cunhou o termo para exprimir a ideia de escrita/leitura não linear em um sistema de informática.
Concebeu o projeto Xanadu (http://xanadu.com/),  imaginou uma imensa rede de informações acessível em tempo real, contendo todo o saber literário e científico do mundo a que milhares de pessoas poderiam se conectar para ler, escrever, comentar, interagir, estudar, utilizando-se de todos os recursos nela disponíveis, compostos não só de textos, mas de imagens e sons. O projeto de Nelson se constitui num avanço considerável em relação ao Memex de Vannevar Bush, de certa forma, se concretiza com a internet.
Ainda na década de 1960, Douglas Engelbardt cria o NLS (oN Line System).
1969: Surgimento da Internet (Secretaria de Defesa dos EUA)
1989: Criação da World Wide Web ( Tim Berners-Lee / Físico Inglês).
DEFINIÇÃO DE HIPERTEXTO
Theodore Nelson foi quem cunhou o termo “Hipertexto”:
Ele concebia o Hipertexto como sendo, ao mesmo tempo, um sistema material e uma tecnologia intelectual, em que o agente humano interage com as informações que ele mesmo faz nascer de um percurso (navegação) virtual e que as modifica em função de suas representações (sistemas de crenças, valores, ideologias) e suas demandas circunstanciais.
A pesquisadora em educação Ilana Snyder, da Universidade Monash na Austrália, assim define Hipertexto:
“É um medium de informação que existe apenas on-line num computador. É uma estrutura composta de blocos de textos conectados por nexos (links) eletrônicos que oferecem diferentes caminhos para os usuários. O Hipertexto providencia um meio de arranjar a informação de uma maneira não linear, tendo o computador como o automatizador das ligações de uma peça de informação com outra”. Quando a estrutura hipertextual acomoda não apenas texto impresso, mas também sons digitalizados, gráficos, animações e realidade virtual, é também designado como hipermídia ou multimídia (p.126).
O filósofo Francês Pierre Lévy constrói uma definição extremamente técnica do Hipertexto. Para ele:
“Tecnicamente o Hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser Hipertextos. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. Navegar em um Hipertexto significa, portanto, desenhar um percurso em uma rede que pode, por sua vez, conter uma rede inteira (1993 – p33)”.
TIPOS DE HIPERTEXTO
Michael Joyce (1995) distingue dois tipos de Hipertexto:
Os Hipertextos exploratórios seriam aqueles produzidos para levar a audiência a controlar um conjunto de informações, conforme suas necessidades e interesses sem, no entanto, intervir nos conteúdos em si. Esse tipo de Hipertexto é o mais adequado a leitores que vagueiam na internet sem objetivo claro definido de leitura, tais como aqueles que passeiam aleatoriamente pelos sítios digitais “sem lenço e sem documento” (hiperleitor -  flâneur).
Os Hipertextos construtivos exigem do usuário capacidade e iniciativa para agir sobre eles, “mudar” seus conteúdos, navegando de modo criativo e particular pelos hiperlinks ali disponíveis. Nesse tipo de Hipertexto, o hiperleitor faz uma nova conexão considerando sempre as anteriores, buscando transformar, o tempo todo, a informação em conhecimento, conforme for seu projeto de leitura previamente traçado.
DA RELAÇAO ENTRE HIPERTEXTO E PÓS-MODERNIDADE
Haveria alguma relação entre Hipertexto e Pós-Modernidade?
Modernismo: Acaba em meados da década de 1950. Abre-se espaço, para a chegada da Pós-Modernidade. Em 1947, Toynbee, historiador americano, cunha o termo.
Sociólogos e filósofos, usam-no para designar um movimento de grande envergadura filosófico-cultural, provoca mudanças nas artes (literatura, pintura, música, teatro, cinema, vídeo), na arquitetura, nas ciências e, de um modo geral, no comportamento (estilo, moda, consumo) das sociedades do Ocidente  e algumas do Oriente.
A Arte Pop (1960) os movimentos da contracultura (os Hippies), Woodstock, e as manifestações populares de protesto, em defesa da paz, da liberdade e da justiça social, deram impulso à implantação da Pós-Modernidade. A luta do Movimento Feminista pela emancipação das mulheres (A pílula), também foi uma forte condicionante para a construção e consolidação das bases Pós-Modernas.
Anos setenta há o deslanche da corrente pós-moderna, em razão do alto desenvolvimento tecnológico das ciências.
Filósofos como Lyotar, Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Jean Baudrillard, Frederic Jameson, Zygmunt  Bauman, entre outros, tentam desvelar, em seus escritos, a hipocrisia nos valores da sociedade moderna e apontar para a grande responsabilidade que ela teve para o surgimento dos problemas que afligem o mundo atual.
 Desconstrução dos princípios e concepções  do pensamento ocidental, tais como: razão, sujeito, ordem, estado, poder e sociedade, por meio da elaboração de críticas contundentes à relação de cumplicidade da tecnociência com o poder político e econômico nas sociedades avançadas, cuja intimidade resultou na criação do Sistema vigente.
Nesta perspectiva, teóricos do Hipertexto como Landow (1992), Bolter (1991), Tuman (1992), Lanham (1993) e Johnson-Eilola (1998) concordam que há uma conexão entre o Hipertexto e a recente crítica literária que já vive o clima pós-moderno. Segundo Landow (1992:2), tanto no Hipertexto quanto na crítica literária pós-moderna são evidentes a insatisfação com o livro impresso e com o pensamento hierárquico.

 Esses autores são unânimes em afirmar que é necessário abandonar o sistema conceitual baseado nas ideias de centro, margem, hierarquia, linearidade, para dar lugar à multilinearidade, aos nós, às ligações e às redes, condições e possibilidades apresentadas pela Pós-Modernidade.
Assim como a Pós-Modernidade, o Hipertexto é por natureza fractal e aleatoriamente inclusivo. O caos, a desordem, a balbúrdia de saberes e de dizeres em ebulição são provocados pela interconexão do tipo rede (todos para todos) que a internet, através do Hipertexto, proporciona aos cidadãos contemporâneos e não mais do tipo estrela (um para todos).
É esse o espírito da Pós-Modernidade: uma Torre de Babel digitalizada pela tecnociência que destotaliza sentidos, dissolve totalidades semânticas e desorganiza a “razão instrumental” modernista. Por isso, os laços entre ambos são intensos, notórios e inegáveis.


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