HIPERTEXTUALIDADE
CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO
HIPERTEXTO
1945: MEMEX (Memory Extension – Extensão
da Memória)
Maquina visionária pensada por Vannevar Bush enunciada em
1945, em um artigo chamado: “As We May Think”?
Observando a mente humana operando sempre por associações,
ela pula de uma representação para outra ao longo de uma rede intricada,
desenha trilhas que se bifurcam, Bush imaginou e descreveu, de maneira
detalhada, uma máquina capaz de estocar montanhas de informações, fácil e
rapidamente alcançáveis. Tal engenho, concebido para suprir as “falhas da
memória humana”, através de recursos mecânicos, é considerado o precursor da
ideia de Hipertexto.
1965: Hipertexto, termo enunciado pela
primeira vez por Theodore Nelson, discípulo de Vannevar Bush, cunhou o termo
para exprimir a ideia de escrita/leitura não linear em um sistema de
informática.
Concebeu o projeto Xanadu (http://xanadu.com/), imaginou uma imensa rede de informações
acessível em tempo real, contendo todo o saber literário e científico do mundo
a que milhares de pessoas poderiam se conectar para ler, escrever, comentar,
interagir, estudar, utilizando-se de todos os recursos nela disponíveis,
compostos não só de textos, mas de imagens e sons. O projeto de Nelson se
constitui num avanço considerável em relação ao Memex de Vannevar Bush, de
certa forma, se concretiza com a internet.
Ainda na década de 1960,
Douglas Engelbardt cria o NLS (oN Line System).
1969: Surgimento da Internet (Secretaria
de Defesa dos EUA)
1989: Criação da World Wide Web ( Tim
Berners-Lee / Físico Inglês).
DEFINIÇÃO DE HIPERTEXTO
Theodore Nelson foi quem cunhou o termo “Hipertexto”:
Ele concebia o Hipertexto como sendo, ao mesmo tempo, um
sistema material e uma tecnologia intelectual, em que o agente humano interage
com as informações que ele mesmo faz nascer de um percurso (navegação) virtual
e que as modifica em função de suas representações (sistemas de crenças,
valores, ideologias) e suas demandas circunstanciais.
A pesquisadora em educação Ilana Snyder, da Universidade
Monash na Austrália, assim define Hipertexto:
“É um medium de informação que existe apenas on-line num
computador. É uma estrutura composta de blocos de textos conectados por nexos
(links) eletrônicos que oferecem diferentes caminhos para os usuários. O
Hipertexto providencia um meio de arranjar a informação de uma maneira não
linear, tendo o computador como o automatizador das ligações de uma peça de
informação com outra”. Quando a estrutura hipertextual acomoda não apenas texto
impresso, mas também sons digitalizados, gráficos, animações e realidade
virtual, é também designado como hipermídia ou multimídia (p.126).
O filósofo Francês Pierre Lévy constrói uma definição
extremamente técnica do Hipertexto. Para ele:
“Tecnicamente o Hipertexto é um conjunto de nós ligados por
conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de
gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser
Hipertextos. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda
com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de
modo reticular. Navegar em um Hipertexto significa, portanto, desenhar um
percurso em uma rede que pode, por sua vez, conter uma rede inteira (1993 –
p33)”.
TIPOS DE HIPERTEXTO
Michael Joyce (1995) distingue dois tipos de Hipertexto:
Os Hipertextos exploratórios seriam aqueles produzidos para
levar a audiência a controlar um conjunto de informações, conforme suas
necessidades e interesses sem, no entanto, intervir nos conteúdos em si. Esse
tipo de Hipertexto é o mais adequado a leitores que vagueiam na internet sem
objetivo claro definido de leitura, tais como aqueles que passeiam
aleatoriamente pelos sítios digitais “sem lenço e sem documento” (hiperleitor
- flâneur).
Os Hipertextos construtivos exigem do usuário capacidade e
iniciativa para agir sobre eles, “mudar” seus conteúdos, navegando de modo
criativo e particular pelos hiperlinks ali disponíveis. Nesse tipo de
Hipertexto, o hiperleitor faz uma nova conexão considerando sempre as
anteriores, buscando transformar, o tempo todo, a informação em conhecimento,
conforme for seu projeto de leitura previamente traçado.
DA RELAÇAO ENTRE HIPERTEXTO E
PÓS-MODERNIDADE
Haveria alguma relação entre Hipertexto e Pós-Modernidade?
Modernismo: Acaba em meados da década de 1950. Abre-se
espaço, para a chegada da Pós-Modernidade. Em 1947, Toynbee, historiador
americano, cunha o termo.
Sociólogos e filósofos, usam-no para designar um movimento de
grande envergadura filosófico-cultural, provoca mudanças nas artes (literatura,
pintura, música, teatro, cinema, vídeo), na arquitetura, nas ciências e, de um
modo geral, no comportamento (estilo, moda, consumo) das sociedades do
Ocidente e algumas do Oriente.
A Arte Pop (1960) os movimentos da contracultura (os
Hippies), Woodstock, e as manifestações populares de protesto, em defesa da
paz, da liberdade e da justiça social, deram impulso à implantação da
Pós-Modernidade. A luta do Movimento Feminista pela emancipação das mulheres (A
pílula), também foi uma forte condicionante para a construção e consolidação
das bases Pós-Modernas.
Anos setenta há o deslanche da corrente pós-moderna, em razão
do alto desenvolvimento tecnológico das ciências.
Filósofos como Lyotar, Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Félix
Guattari, Jean Baudrillard, Frederic Jameson, Zygmunt Bauman, entre outros, tentam desvelar, em
seus escritos, a hipocrisia nos valores da sociedade moderna e apontar para a
grande responsabilidade que ela teve para o surgimento dos problemas que
afligem o mundo atual.
Desconstrução dos
princípios e concepções do pensamento
ocidental, tais como: razão, sujeito, ordem, estado, poder e sociedade, por
meio da elaboração de críticas contundentes à relação de cumplicidade da
tecnociência com o poder político e econômico nas sociedades avançadas, cuja
intimidade resultou na criação do Sistema vigente.
Esses autores são
unânimes em afirmar que é necessário abandonar o sistema conceitual baseado nas
ideias de centro, margem, hierarquia, linearidade, para dar lugar à
multilinearidade, aos nós, às ligações e às redes, condições e possibilidades
apresentadas pela Pós-Modernidade.
Assim como a Pós-Modernidade, o Hipertexto é por natureza
fractal e aleatoriamente inclusivo. O caos, a desordem, a balbúrdia de saberes
e de dizeres em ebulição são provocados pela interconexão do tipo rede (todos
para todos) que a internet, através do Hipertexto, proporciona aos cidadãos
contemporâneos e não mais do tipo estrela (um para todos).
É esse o espírito da Pós-Modernidade: uma Torre de Babel
digitalizada pela tecnociência que destotaliza sentidos, dissolve totalidades
semânticas e desorganiza a “razão instrumental” modernista. Por isso, os laços entre ambos são
intensos, notórios e inegáveis.
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