REFLEXÕES
DE UM MESTRANDO
TECNOLOGIA
ASSISTIVA
Começaremos nossas
observações sobre o tema reescrevendo a definição de Tecnologia Assistiva do
autor Lauand:
“O
conceito de Tecnologia Assistiva diferencia-se de toda a tecnologia médica ou
de reabilitação, por referir-se a recursos ou procedimentos pessoais, que
atendem a necessidades diretas do usuário final, visando sua independência e
autonomia. Já os recursos médicos ou de reabilitação visam o diagnóstico ou
tratamento na área da saúde, sendo, portanto, recursos de trabalho dos
profissionais dessa área. Os objetivos da Tecnologia Assistiva, portanto,
apontam normalmente para recursos que geram autonomia pessoal e vida
independente do usuário”.
Definição da ISSO 9999:2002
“A
ISO 9999:2002 define Ajudas Técnicas como: qualquer produto, instrumento,
equipamento ou sistema tecnológico, de produção especializada ou comumente à
venda, utilizado por pessoa com deficiência para prevenir, compensar, atenuar
ou eliminar uma deficiência, incapacidade ou desvantagem (ISO 9999:2002)”.
Outra definição da CAT,
2007.c:
“Tecnologia
Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que
engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que
objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de
pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua
autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2007.c)”.
De acordo com todas essas
definições o que tiro de importante é que a sociedade encara o problema do auxílio
aos portadores de deficiências, sejam elas quais forem como uma forma de
reinserir esse indivíduo no contexto social.
No contexto da Educação como
exemplo, posso descrever minha experiência no ano de 2010, no IFBA Salvador,
onde em uma turma do segundo ano médio tive um aluno com paraplegia (deficiência
de locomoção e movimento dos membros inferiores).
Esse aluno obviamente
passava por dificuldades em chegar à sala de aula, pois essa sala era no
primeiro andar do prédio, mesmo usando o elevador da escola havia toda uma
necessidade de colegas o ajudarem nesse acesso.
Porém a maior dificuldade
era exatamente na escrita, pois, o mesmo apresentava dificuldades motoras na coordenação
de seus movimentos com as mãos.
Na primeira avaliação teórica
da primeira unidade notei que essa dificuldade o fazia ser sempre o último a
entregar sua prova e, muito depois do tempo estipulado para encerramento da
avaliação.
Diante dessa situação
resolvi que todas as avaliações teóricas seriam feitas em sua casa, com o mesmo
anotando os horários de início e final da resolução.
Não sei se fiz bem, mas,
entendi que naquele momento era o que eu podia fazer para ajuda-lo.
Recentemente o encontrei no
IFBA, estagiando no Departamento de Ensino e ao encontrar-me agradeceu a
oportunidade que lhe proporcionei, dizendo-me que havia passado no vestibular
de Tecnologia da Informação, naquele momento senti que minha ação foi a mais
correta.
Nas aulas de laboratório as
dificuldades eram maiores, pois, não havia bancadas preparadas para receber
esse aluno, o que de certa forma me entristecia, vendo sua dificuldade em
acompanhar as aulas junto com seus colegas.
É claro que no Brasil a
despeito de toda legislação bem intencionada, a utilização dos recursos e da
tecnologia estão muito aquém da real necessidade dos portadores de deficiências,
mesmo no cotidiano, há inúmeros obstáculos que se interpõem no caminho dessas
pessoas.
Nas salas de aulas então, o
descaso é maior. Além da falta de estrutura física, da preparação de
professores aptos a trabalhar com os alunos portadores de deficiências, podemos
dizer que o uso da Tecnologia Assistiva passa longe desse contexto.
Lembro-me do físico Inglês (foto
abaixo), Stephen Hawking, que não possui movimentos, fala, coordenação motora,
mas, mesmo assim, comunica-se com o mundo exterior.
Stephen Hawking é um físico
teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da
atualidade.
Doutor em cosmologia foi
professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge (posto que foi
ocupado por Isaac Newton). Depois de atingir a idade limite para o cargo,
tornou-se professor lucasiano emérito daquela universidade.
Atualmente, Hawking
encontra-se incapacitado em razão de uma esclerose lateral amiotrófica (ELA),
que o impede de manter suas atividades científicas. Sua condição se agravou ao
longo dos anos, e ele está quase que completamente paralisado utilizando vários
recursos da Tecnologia Assistiva para se comunicar.

Olá Santana!
ResponderExcluirBom ler sobre suas experiências em educação e a relação que você estabelece a partir do que você leu sobre a Tecnologia Assistiva.
Compreender sobre os usos da TA pela pessoa com deficiência e ter um olhar crítico sobre a realidade que se encontra é um excelente caminho para a contribuição na desconstrução do que se tem cristalizado na educação ainda um pouco distante dos novos paradigmas da sociedade do conhecimento e também da proposta de uma verdadeira educação inclusiva.
Vamos nessa!