segunda-feira, 14 de maio de 2012

TECNOLOGIA ASSISTIVA

REFLEXÕES DE UM MESTRANDO
TECNOLOGIA ASSISTIVA
Começaremos nossas observações sobre o tema reescrevendo a definição de Tecnologia Assistiva do autor Lauand:
“O conceito de Tecnologia Assistiva diferencia-se de toda a tecnologia médica ou de reabilitação, por referir-se a recursos ou procedimentos pessoais, que atendem a necessidades diretas do usuário final, visando sua independência e autonomia. Já os recursos médicos ou de reabilitação visam o diagnóstico ou tratamento na área da saúde, sendo, portanto, recursos de trabalho dos profissionais dessa área. Os objetivos da Tecnologia Assistiva, portanto, apontam normalmente para recursos que geram autonomia pessoal e vida independente do usuário”.
Definição da ISSO 9999:2002
“A ISO 9999:2002 define Ajudas Técnicas como: qualquer produto, instrumento, equipamento ou sistema tecnológico, de produção especializada ou comumente à venda, utilizado por pessoa com deficiência para prevenir, compensar, atenuar ou eliminar uma deficiência, incapacidade ou desvantagem (ISO 9999:2002)”.
Outra definição da CAT, 2007.c:
“Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2007.c)”.
De acordo com todas essas definições o que tiro de importante é que a sociedade encara o problema do auxílio aos portadores de deficiências, sejam elas quais forem como uma forma de reinserir esse indivíduo no contexto social.
No contexto da Educação como exemplo, posso descrever minha experiência no ano de 2010, no IFBA Salvador, onde em uma turma do segundo ano médio tive um aluno com paraplegia (deficiência de locomoção e movimento dos membros inferiores).
Esse aluno obviamente passava por dificuldades em chegar à sala de aula, pois essa sala era no primeiro andar do prédio, mesmo usando o elevador da escola havia toda uma necessidade de colegas o ajudarem nesse acesso.
Porém a maior dificuldade era exatamente na escrita, pois, o mesmo apresentava dificuldades motoras na coordenação de seus movimentos com as mãos.
Na primeira avaliação teórica da primeira unidade notei que essa dificuldade o fazia ser sempre o último a entregar sua prova e, muito depois do tempo estipulado para encerramento da avaliação.
Diante dessa situação resolvi que todas as avaliações teóricas seriam feitas em sua casa, com o mesmo anotando os horários de início e final da resolução.
Não sei se fiz bem, mas, entendi que naquele momento era o que eu podia fazer para ajuda-lo.
Recentemente o encontrei no IFBA, estagiando no Departamento de Ensino e ao encontrar-me agradeceu a oportunidade que lhe proporcionei, dizendo-me que havia passado no vestibular de Tecnologia da Informação, naquele momento senti que minha ação foi a mais correta.
Nas aulas de laboratório as dificuldades eram maiores, pois, não havia bancadas preparadas para receber esse aluno, o que de certa forma me entristecia, vendo sua dificuldade em acompanhar as aulas junto com seus colegas.
É claro que no Brasil a despeito de toda legislação bem intencionada, a utilização dos recursos e da tecnologia estão muito aquém da real necessidade dos portadores de deficiências, mesmo no cotidiano, há inúmeros obstáculos que se interpõem no caminho dessas pessoas.
Nas salas de aulas então, o descaso é maior. Além da falta de estrutura física, da preparação de professores aptos a trabalhar com os alunos portadores de deficiências, podemos dizer que o uso da Tecnologia Assistiva passa longe desse contexto.
Lembro-me do físico Inglês (foto abaixo), Stephen Hawking, que não possui movimentos, fala, coordenação motora, mas, mesmo assim, comunica-se com o mundo exterior.
Stephen Hawking é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da atualidade.
Doutor em cosmologia foi professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge (posto que foi ocupado por Isaac Newton). Depois de atingir a idade limite para o cargo, tornou-se professor lucasiano emérito daquela universidade.
Atualmente, Hawking encontra-se incapacitado em razão de uma esclerose lateral amiotrófica (ELA), que o impede de manter suas atividades científicas. Sua condição se agravou ao longo dos anos, e ele está quase que completamente paralisado utilizando vários recursos da Tecnologia Assistiva para se comunicar.

Desse exemplo podemos entender que há tecnologia e recursos que podem ser utilizados para proporcionar uma vida mais digna para os portadores de deficiências.

Um comentário:

  1. Olá Santana!
    Bom ler sobre suas experiências em educação e a relação que você estabelece a partir do que você leu sobre a Tecnologia Assistiva.
    Compreender sobre os usos da TA pela pessoa com deficiência e ter um olhar crítico sobre a realidade que se encontra é um excelente caminho para a contribuição na desconstrução do que se tem cristalizado na educação ainda um pouco distante dos novos paradigmas da sociedade do conhecimento e também da proposta de uma verdadeira educação inclusiva.

    Vamos nessa!

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